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Para o economista José Kobori, os EUA ganharam uma carta na manga para ”chantagear” o Brasil e minar a influência da China ao classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas, ampliando o poder de pressionar empresas, bancos e até o Pix

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 02/06/2026 às 17:05
Assista o vídeoPara o economista José Kobori, os EUA podem pressionar o Brasil, minar a China e até ameaçar o Pix após rotular facções como terroristas.
Para o economista José Kobori, os EUA podem pressionar o Brasil, minar a China e até ameaçar o Pix após rotular facções como terroristas.
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O economista José Kobori avalia que os EUA passaram a ter uma forte ferramenta de coerção contra o Brasil ao classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, Washington pode usá-la para pressionar empresas, bancos e o Pix, e minar a influência da China no país.

O economista José Kobori afirma que os Estados Unidos ganharam uma grande carta na manga para chantagear o Brasil e tentar minar a influência da China no país. A avaliação, feita no UOL News, parte de um fato recente: a decisão de Washington de classificar as facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Segundo o economista, a medida vai muito além do combate ao crime: ela amplia o poder de coerção econômica dos EUA, que poderiam usar a etiqueta de terrorismo para atingir empresas, bancos e até o sistema de pagamentos Pix. Para Kobori, trata-se de uma arma geopolítica, com prejuízos ainda incalculáveis para o Brasil.

A carta na manga dos EUA, segundo o economista

imagem ilustrativa/explicativa
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Na leitura do economista, a classificação não é apenas uma questão de segurança pública, mas um instrumento de pressão. Kobori sustenta que, nas próximas negociações, os EUA poderiam, no limite, ameaçar atacar empresas e o sistema financeiro brasileiro caso queiram, usando o rótulo de terrorismo como alavanca. Para ele, ao ganhar o poder de “definir quem está ou não ligado ao terrorismo”, Washington passa a poder impor sanções econômicas com base nessa definição.

O analista vai além e enxerga motivação geopolítica e comercial por trás da decisão. Ele descreve a medida como uma “arma geopolítica” e a associa a interesses de setores poderosos nos próprios Estados Unidos. Por isso, na visão dele, os prejuízos para o Brasil ainda são incalculáveis, já que o efeito não se limita às facções, mas pode respingar sobre o ambiente de negócios e o sistema bancário do país.

Por que o Pix entrou no radar, na visão do economista

Um dos pontos centrais da análise é o Pix. Para o economista, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central entrou no radar americano por ter reduzido o espaço de operadoras de cartão e de outras plataformas privadas no Brasil. Ele cita Visa, Mastercard e a tentativa do WhatsApp Pay como interesses atingidos pela infraestrutura pública de pagamentos.

Segundo Kobori, o Pix praticamente inviabilizou a função de débito das grandes operadoras de cartão e ajudou a explicar por que o WhatsApp Pay não vingou no país. No cenário mais extremo, diz ele, os EUA poderiam exigir que bancos parassem de utilizar o Pix para privilegiar empresas americanas, ainda que o próprio analista considere pouco provável que a pressão chegue a esse limite.

O fato por trás da análise: a classificação de PCC e CV

A avaliação do economista parte de um acontecimento concreto. No fim de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho e o PCC como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e anunciou a intenção de incluí-los na lista de organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho. Em comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, o governo americano descreveu as duas facções como algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil.

A medida se encaixa na estratégia da gestão Trump de tratar grandes facções latino-americanas como “narcoterroristas”. O anúncio veio depois de o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Rubio e com Trump.

Do outro lado, o governo Lula havia tentado barrar a designação, preocupado com a possibilidade de ela abrir espaço para ações em território brasileiro ou para sanções a bancos que, mesmo sem saber, mantenham relação com integrantes das facções. É esse pano de fundo que dá força ao alerta do economista.

O dilema da diplomacia brasileira entre EUA e China

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Para Kobori, a melhor resposta brasileira no curto prazo é “ganhar tempo”. O economista argumenta que não interessa ao Brasil buscar agora uma ruptura com os EUA, lembrando que o país é o segundo maior parceiro comercial dos brasileiros, atrás apenas da própria China. A diplomacia, na avaliação dele, tende a administrar a disputa entre as duas potências sem se alinhar de forma definitiva a nenhum dos lados.

Ele pondera que a ameaça pode ir do constrangimento diplomático até sanções ao sistema financeiro, mas duvida que o governo americano leve tudo ao limite de imediato. O objetivo central, na sua leitura, seria obter vantagens nas negociações e proteger interesses de empresas dos EUA. Vale lembrar que se trata da análise de um economista, e não de uma medida já anunciada: o cenário mais duro é apresentado como possibilidade, não como certeza.

A análise coloca o Brasil numa posição desconfortável entre os EUA e a China, com o Pix e o sistema financeiro no meio do tabuleiro.

Conte nos comentários se você concorda com o economista de que a classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas vira uma arma de pressão, ou se considera o alerta exagerado.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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