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Depois de um içamento que durou dois dias, o maior guindaste do mundo, apelidado de Big Carl, encaixou um vaso de reator de 500 toneladas na usina nuclear de Hinkley Point C, da EDF, com uma folga de apenas 40 milímetros de cada lado

Publicado em 02/06/2026 às 15:28
Atualizado em 02/06/2026 às 15:34
O maior guindaste do mundo instalou o vaso de reator de 500 toneladas na usina nuclear de Hinkley Point C, da EDF, com folga de apenas 40 mm de cada lado.
O maior guindaste do mundo instalou o vaso de reator de 500 toneladas na usina nuclear de Hinkley Point C, da EDF, com folga de apenas 40 mm de cada lado.
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O maior guindaste do mundo, o Big Carl, instalou o segundo vaso de reator de 500 toneladas da usina nuclear de Hinkley Point C, na Inglaterra. A operação de dois dias, conduzida pela EDF, encaixou a peça de 13 metros com folga de apenas 40 milímetros de cada lado.

O maior guindaste do mundo voltou a entrar em ação na usina nuclear de Hinkley Point C, no sudoeste da Inglaterra. Apelidado de Big Carl, o equipamento concluiu na sexta-feira (29 de maio) uma operação de içamento de dois dias para instalar o segundo vaso de reator da obra, uma peça de 500 toneladas, com precisão milimétrica.

Segundo a EDF Energy, responsável pelo projeto, o vaso de 13 metros foi baixado sobre seu anel de suporte com folga de apenas 40 milímetros de cada lado. O uso do maior guindaste do mundo nessa etapa, em vez do sistema de elevação temporária empregado na primeira unidade, teria economizado espaço, tempo e dinheiro, num projeto que acumula atrasos e custos bilionários.

Como o maior guindaste do mundo encaixou o vaso de reator

vaso de reator
vaso de reator

O Big Carl é um Sarens SGC-250, considerado o maior guindaste terrestre do planeta: na configuração mais alta, passa de 250 metros de altura e pode erguer até 5 mil toneladas. Vale a ressalva de precisão: ele é o maior guindaste do mundo em terra, já que, no mar, o título costuma ficar com embarcações-guindaste como o Sleipnir. Ainda assim, foi essa máquina colossal que assumiu o içamento do vaso de reator da segunda unidade.

imagem: petronoticias
imagem: petronoticias

A operação levou dois dias. O guindaste posicionou a peça em uma plataforma elevada ao lado do prédio do reator e a inseriu por uma escotilha de equipamentos de 19,5 metros de altura. Já dentro do edifício da usina nuclear, o vaso de 13 metros foi erguido e girado até a posição vertical pelo guindaste polar interno e, então, baixado sobre o anel de suporte com a margem mínima de 40 milímetros de cada lado, um encaixe que exigiu coordenação extrema entre as equipes.

Por que a Unidade 2 avança mais rápido que a Unidade 1

Na primeira unidade, o vaso havia sido instalado com um sistema de elevação temporária montado especialmente para a tarefa. Desta vez, recorrer ao maior guindaste do mundo simplificou o processo e, segundo a EDF, poupou espaço, tempo e dinheiro. Para Simon Parsons, diretor de entregas de Hinkley Point C, a equipe não se limitou a “copiar e colar” o que foi feito na Unidade 1, e sim aplicou a experiência para acelerar a obra.

Os números reforçam o discurso. A Unidade 2 está sendo construída de 20% a 30% mais rápido que a Unidade 1, com as mesmas equipes e um projeto idêntico. O prédio do reator está mais adiantado do que estava a primeira unidade no mesmo estágio, com mais equipamentos e estruturas de aço instalados, a camada de contenção externa já no lugar e a cúpula fechada há menos de um ano. A própria EDF afirma que esses aprendizados vão beneficiar a futura usina de Sizewell C.

De onde veio o vaso e o que ele faz

Segundo informações do portal petronoticias, o vaso de reator da Unidade 2 foi fabricado pela Framatome em sua planta de Saint-Marcel, em Chalon-sur-Saône, no leste da França. O componente foi concluído no fim de novembro do ano passado e entregue ao canteiro de Hinkley Point C em janeiro deste ano. O vaso da Unidade 1 havia saído da unidade da Framatome em Le Creusot, na Borgonha, em dezembro de 2022, e ficou armazenado até ser instalado em dezembro de 2024.

Feito de aço de alta resistência, esse vaso de reator abriga o núcleo e os componentes internos que sustentam e estabilizam o reator, além de orientar o fluxo do fluido refrigerante e o movimento das barras de controle. Com a peça no lugar, a EDF pode seguir instalando os equipamentos que faltam para fechar o circuito primário da segunda unidade da usina nuclear.

Hinkley Point C: atrasos, custos e o que vem depois

Quando ficarem prontos, os dois reatores EPR de 1.630 MWe de Hinkley Point C devem gerar eletricidade de baixo carbono suficiente para cerca de seis milhões de residências, com expectativa de operar por até 80 anos. A construção da primeira unidade começou em dezembro de 2018, e a da segunda, um ano depois. O problema é o histórico de adiamentos: a Unidade 1, antes prevista para o fim de 2025, foi remarcada para 2027 e, depois, para um cenário base de 2030.

Os custos também dispararam. A estimativa subiu de 26 bilhões de libras para algo entre 31 bilhões e 34 bilhões de libras, em valores de 2015. Por isso, embora a instalação pelo maior guindaste do mundo seja celebrada como um marco de engenharia, o projeto segue sob críticas pelo preço e pelos prazos. A aposta da EDF é que a experiência acumulada barateie a próxima usina nuclear do país, a Sizewell C, cujo custo base é 22% menor que a estimativa mais baixa de Hinkley Point C e que tem conclusão prevista para 2039.

A instalação milimétrica pelo maior guindaste do mundo mostra o lado impressionante da engenharia nuclear, mas a usina nuclear de Hinkley Point C também virou símbolo de obra cara e atrasada.

Conte nos comentários se você acha que vale a pena investir bilhões em projetos como esse ou se o futuro da energia limpa está em outras fontes.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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