O maior guindaste do mundo, o Big Carl, instalou o segundo vaso de reator de 500 toneladas da usina nuclear de Hinkley Point C, na Inglaterra. A operação de dois dias, conduzida pela EDF, encaixou a peça de 13 metros com folga de apenas 40 milímetros de cada lado.
O maior guindaste do mundo voltou a entrar em ação na usina nuclear de Hinkley Point C, no sudoeste da Inglaterra. Apelidado de Big Carl, o equipamento concluiu na sexta-feira (29 de maio) uma operação de içamento de dois dias para instalar o segundo vaso de reator da obra, uma peça de 500 toneladas, com precisão milimétrica.
Segundo a EDF Energy, responsável pelo projeto, o vaso de 13 metros foi baixado sobre seu anel de suporte com folga de apenas 40 milímetros de cada lado. O uso do maior guindaste do mundo nessa etapa, em vez do sistema de elevação temporária empregado na primeira unidade, teria economizado espaço, tempo e dinheiro, num projeto que acumula atrasos e custos bilionários.
Como o maior guindaste do mundo encaixou o vaso de reator

O Big Carl é um Sarens SGC-250, considerado o maior guindaste terrestre do planeta: na configuração mais alta, passa de 250 metros de altura e pode erguer até 5 mil toneladas. Vale a ressalva de precisão: ele é o maior guindaste do mundo em terra, já que, no mar, o título costuma ficar com embarcações-guindaste como o Sleipnir. Ainda assim, foi essa máquina colossal que assumiu o içamento do vaso de reator da segunda unidade.
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A operação levou dois dias. O guindaste posicionou a peça em uma plataforma elevada ao lado do prédio do reator e a inseriu por uma escotilha de equipamentos de 19,5 metros de altura. Já dentro do edifício da usina nuclear, o vaso de 13 metros foi erguido e girado até a posição vertical pelo guindaste polar interno e, então, baixado sobre o anel de suporte com a margem mínima de 40 milímetros de cada lado, um encaixe que exigiu coordenação extrema entre as equipes.
Por que a Unidade 2 avança mais rápido que a Unidade 1
Na primeira unidade, o vaso havia sido instalado com um sistema de elevação temporária montado especialmente para a tarefa. Desta vez, recorrer ao maior guindaste do mundo simplificou o processo e, segundo a EDF, poupou espaço, tempo e dinheiro. Para Simon Parsons, diretor de entregas de Hinkley Point C, a equipe não se limitou a “copiar e colar” o que foi feito na Unidade 1, e sim aplicou a experiência para acelerar a obra.
Os números reforçam o discurso. A Unidade 2 está sendo construída de 20% a 30% mais rápido que a Unidade 1, com as mesmas equipes e um projeto idêntico. O prédio do reator está mais adiantado do que estava a primeira unidade no mesmo estágio, com mais equipamentos e estruturas de aço instalados, a camada de contenção externa já no lugar e a cúpula fechada há menos de um ano. A própria EDF afirma que esses aprendizados vão beneficiar a futura usina de Sizewell C.
De onde veio o vaso e o que ele faz
Segundo informações do portal petronoticias, o vaso de reator da Unidade 2 foi fabricado pela Framatome em sua planta de Saint-Marcel, em Chalon-sur-Saône, no leste da França. O componente foi concluído no fim de novembro do ano passado e entregue ao canteiro de Hinkley Point C em janeiro deste ano. O vaso da Unidade 1 havia saído da unidade da Framatome em Le Creusot, na Borgonha, em dezembro de 2022, e ficou armazenado até ser instalado em dezembro de 2024.
Feito de aço de alta resistência, esse vaso de reator abriga o núcleo e os componentes internos que sustentam e estabilizam o reator, além de orientar o fluxo do fluido refrigerante e o movimento das barras de controle. Com a peça no lugar, a EDF pode seguir instalando os equipamentos que faltam para fechar o circuito primário da segunda unidade da usina nuclear.
Hinkley Point C: atrasos, custos e o que vem depois
Quando ficarem prontos, os dois reatores EPR de 1.630 MWe de Hinkley Point C devem gerar eletricidade de baixo carbono suficiente para cerca de seis milhões de residências, com expectativa de operar por até 80 anos. A construção da primeira unidade começou em dezembro de 2018, e a da segunda, um ano depois. O problema é o histórico de adiamentos: a Unidade 1, antes prevista para o fim de 2025, foi remarcada para 2027 e, depois, para um cenário base de 2030.
Os custos também dispararam. A estimativa subiu de 26 bilhões de libras para algo entre 31 bilhões e 34 bilhões de libras, em valores de 2015. Por isso, embora a instalação pelo maior guindaste do mundo seja celebrada como um marco de engenharia, o projeto segue sob críticas pelo preço e pelos prazos. A aposta da EDF é que a experiência acumulada barateie a próxima usina nuclear do país, a Sizewell C, cujo custo base é 22% menor que a estimativa mais baixa de Hinkley Point C e que tem conclusão prevista para 2039.
A instalação milimétrica pelo maior guindaste do mundo mostra o lado impressionante da engenharia nuclear, mas a usina nuclear de Hinkley Point C também virou símbolo de obra cara e atrasada.
Conte nos comentários se você acha que vale a pena investir bilhões em projetos como esse ou se o futuro da energia limpa está em outras fontes.

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