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Pesquisadores encontraram um papiro da Ilíada de Homero costurado ao abdômen de uma múmia de 1.600 anos no Egito — é a primeira vez na história que um texto literário grego aparece num ritual funerário egípcio

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 06/05/2026 às 17:30 Atualizado em 06/05/2026 às 17:33
Papiro Ilíada de Homero em grego antigo com caligrafia manuscrita sobre linho amarelado encontrado em múmia egípcia
O papiro com trechos do Livro II da Ilíada, costurado ao abdômen de uma múmia de 1.600 anos em Oxirrinco, Egito — Missão Oxyrhynchus/UB, 2026
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Pesquisadores da Universidade de Barcelona desenterraram em Oxirrinco, no Egito, uma múmia de aproximadamente 1.600 anos com um papiro da Ilíada de Homero costurado ao abdômen, marcando a primeira vez na história que um texto literário grego foi incorporado a rituais funerários egípcios.

Segundo a Veja, o papiro Ilíada foi identificado pela papirologista Leah Mascia e anunciado ao público em abril de 2026.

O texto pertence ao Livro II — o Catálogo de Navios — que lista as forças gregas ante Tróia.

Portanto, a descoberta tem dois níveis de surpresa. O primeiro: encontrar a Ilíada de Homero, obra do século VIII a.C., costurada num enterro egípcio do século V d.C.

O segundo: que isso nunca havia acontecido antes em toda a história da arqueologia.

Contudo, a maior questão que a descoberta levanta ainda não tem resposta.

O filólogo Ignasi-Xavier Adiego, da Universidade de Barcelona, declarou: “Até agora, não sabíamos que eles teriam usado textos literários como parte desse ritual funerário”.

O que o papiro Ilíada de Oxirrinco contém

Papiro Ilíada de Homero costurado ao abdômen de múmia de 1.600 anos encontrada em Oxirrinco no Egito
O papiro com trechos do Livro II da Ilíada — encontrado costurado ao abdômen de uma múmia egípcia de ~1.600 anos em Oxirrinco — Universidade de Barcelona/Ministério do Egito, 2026

O papiro Ilíada contém trechos do Catálogo de Navios — a parte do Livro II onde Homero lista as frotas gregas que partiram para Tróia.

É uma das seções mais técnicas e menos dramáticas da obra, o que torna sua escolha para um ritual funerário ainda mais intrigante.

Conforme a CNN Brasil, o papiro estava fixado diretamente ao abdômen da múmia. Não estava dentro de um recipiente ou envolto separadamente — estava costurado ao corpo como parte do processo de mumificação.

Além disso, o estado de conservação é frágil. Conforme Adiego, a equipe não conseguiu usar raios-X para preservar o artefato: “Fizemos tudo o que podíamos sem destruir o papiro”.

Portanto, partes do texto ainda permanecem ilegíveis.

  • Texto: Livro II da Ilíada de Homero — o Catálogo de Navios
  • Idade da múmia: ~1.600 anos (século V d.C., período romano no Egito)
  • Local: Necrópole de Oxirrinco (Al-Bahnasa), ~160 km ao sul do Cairo
  • Escavação: Novembro-dezembro de 2025
  • Anúncio público: Abril de 2026
  • Equipe: Missão Arqueológica Oxyrhynchus, Universidade de Barcelona

O mistério do papiro Ilíada na múmia: 1.600 anos sem resposta

Necrópole de Oxirrinco no Egito onde foram descobertas as tumbas com múmias do período romano tardio
A necrópole de Oxirrinco — a 160 km ao sul do Cairo — é conhecida desde o século XIX por seus papiros, mas nunca havia revelado texto literário em contexto funerário — Missão Oxyrhynchus/UB, 2026

Antes dessa descoberta, todos os papiros gregos encontrados dentro de múmias egípcias continham textos mágicos ou rituais — fórmulas de proteção, instruções para embalsamadores, invocações divinas.

Nesse sentido, a Ilíada é completamente diferente. É uma epopeia poética, não um texto sagrado ou ritual.

Portanto, sua presença sugere que o morto — ou quem o enterrou — atribuía à obra um valor simbólico que vai além da literatura.

A hipótese principal dos pesquisadores é que o texto servia como “passaporte cultural” para o além.

Da mesma forma que as famílias ricas do Egito romano colocavam amuletos e lâminas de ouro na língua dos mortos, o Catálogo de Navios pode ter funcionado como um símbolo de identidade helenística.

Além disso, a necrópole era frequentada por famílias de alto poder aquisitivo.

Consequentemente, o acesso a um papiro literário — item raro e caro no século V d.C. — indica que o morto pertencia à elite grego-egípcia de Oxirrinco.

O local da descoberta é Oxirrinco, no Médio Egito, conhecida desde o século XIX por seus achados arqueológicos.

As três tumbas escavadas foram lavradas em calcário e datam do período romano tardio.

Além do papiro, a missão encontrou múmias com lâminas de ouro na língua e restos carbonizados em frascos.

Portanto, o cemitério era de famílias abastadas que podiam custear rituais elaborados de mumificação.

A equipe por trás da descoberta

A múmia foi descoberta pela arqueóloga Núria Castellano durante escavações entre novembro e dezembro de 2025. Assim que o papiro foi identificado, foi a papirologista Leah Mascia quem reconheceu os versos homéricos.

Conforme a Veja, o projeto é liderado por Maite Mascort e Esther Pons, coordenadoras da Missão Arqueológica Oxyrhynchus da Universidade de Barcelona.

A missão opera em parceria com o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.

Portanto, a descoberta não foi acidental — é resultado de décadas de trabalho sistemático em Oxirrinco, uma das cidades mais importantes do Egito romano.

Da mesma forma, as tumbas de Ptahshepses, descobertas por outra missão europeia no Egito, mostram como escavações sistemáticas revelam conexões históricas inesperadas.

Oxirrinco: a cidade que guarda os papiros do mundo antigo

Oxirrinco não é novidade para os papirológos.

Desde o século XIX, a cidade — também chamada de Al-Bahnasa — produziu mais de 500 mil fragmentos de papiros, tornando-se a maior fonte de textos gregos antigos do mundo.

Contudo, nenhum desses fragmentos havia sido encontrado em contexto funerário. Além disso, todos eram textos técnicos, mágicos ou administrativos — nunca literatura pura.

Nesse sentido, a descoberta de 2026 muda a história de Oxirrinco tanto quanto muda a compreensão do ritual funerário greco-egípcio.

Como explorado em outros achados como a cidade submersa de 3.400 anos no Iraque, antigas civilizações continuam revelando surpresas que reescrevem capítulos da história humana.

O que a Ilíada na múmia revela sobre o Egito romano

Período romano no Egito com mistura de cultura grega e egípcia em necrópoles como Oxirrinco
O Egito romano do século V d.C. era um caldeirão cultural: tradições egípcias de mumificação conviviam com a cultura helenística — a Ilíada na múmia é o ápice dessa fusão

O Egito romano era um laboratório cultural único. Desde a conquista por Alexandre Magno no século IV a.C., gregos e egípcios misturaram tradições, línguas e rituais.

Portanto, encontrar a Ilíada num enterro egípcio não é completamente absurdo — é a expressão máxima de uma fusão que durou séculos.

Um egípcio helenizado do século V d.C. poderia ver em Homero o mesmo que seus antepassados viam nos textos de proteção funerária.

Ainda assim, a pergunta fundamental permanece sem resposta. Por que o Catálogo de Navios especificamente — e não uma passagem mais famosa da Ilíada, como o duelo de Heitor e Aquiles?

Será que o morto tinha uma ligação pessoal com aquele trecho?

Porém, talvez o mistério seja o ponto.

A pesquisa continua. A exposição em Barcelona, aberta até 11 de maio de 2026, é o primeiro passo. O mundo pode ver de perto o papiro que desafiou 1.600 anos de silêncio.

Nota: os dados são baseados em reportagens da Veja (22/04/2026), CNN Brasil e O Cafezinho (03/05/2026).

A análise científica completa do papiro está em andamento. Partes do texto permanecem ilegíveis pelo estado de conservação.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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