1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Ele serviu 6 faraós, casou com a filha de um rei e morreu aos 65 anos — agora sua tumba de 4.400 anos foi reencontrada no Egito por satélite…
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Ele serviu 6 faraós, casou com a filha de um rei e morreu aos 65 anos — agora sua tumba de 4.400 anos foi reencontrada no Egito por satélite…

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 17/04/2026 às 06:45
Atualizado em 17/04/2026 às 06:48
Mastaba de Ptahshepses parcialmente escavada no deserto de Abusir-Saqqara, Egito.
A tumba de Ptahshepses tem 42 metros de comprimento por 22 de largura e ficou soterrada por 160 anos antes de ser redescoberta por satélite.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
9 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Ptahshepses serviu seis faraós, casou com a filha de um rei e foi enterrado em mastaba de 42 metros por 22 metros há 4.400 anos — arqueólogos tchecos usaram satélites para encontrá-lo 160 anos depois de a tumba ter sido descoberta e esquecida sob a areia

Ele nasceu na corte de Gizé, serviu seis faraós egípcios e casou com a filha de um rei. Morreu aos 65 anos, foi sepultado com honras em uma tumba de Ptahshepses monumental e desapareceu sob as areias do Deserto Ocidental por milênios. Quando um erudito francês o encontrou na década de 1860, levou artefatos para o British Museum — e a tumba sumiu de novo.

Agora, 160 anos depois, arqueólogos tchecos redescobriram a tumba de Ptahshepses usando imagens de satélite e mapas antigos. O achado, anunciado pelo Czech Institute of Egyptology da Universidade Charles (Praga), revelou uma múmia completa, pinturas preservadas e jarros canópicos intactos.

“A tumba de um homem que mudou o curso da história egípcia foi assim redescoberta, representando uma das maiores descobertas recentes da expedição”, afirmou Miroslav Bárta, chefe de pesquisa em Abusir, conforme a Universidade Charles.

Quem foi Ptahshepses e por que sua tumba importa

Ptahshepses foi um alto oficial faraônico com uma carreira sem paralelo documentado. Educado na corte do faraó Menkaura, o último rei construtor de pirâmides em Gizé, ele atravessou a transição entre a 4ª e a 5ª Dinastias do Antigo Reino.

Ao longo da vida, serviu sob seis reis consecutivos: Menkaura, Shepseskaf, Userkaf, Sahura, Neferirkara e Nyuserre. Casou com Khamaat, filha do faraó Userkaf, consolidando sua posição como ponte entre a corte real e a administração do Estado.

Sua tumba de Ptahshepses é considerada um elo entre as mastabas simples das primeiras dinastias e os complexos funerários familiares que viriam depois. Dessa forma, ela documenta a evolução das práticas de sepultamento e mumificação no Antigo Reino.

  • Período: séculos XXV–XXIV a.C. (~4.400 anos)
  • Localização: entre Abusir e Saqqara, a sul do Cairo
  • Dimensões: mastaba de 42 m × 22 m, mais de 4 metros de altura
  • Faraós servidos: 6 (Menkaura → Nyuserre)
  • Esposa: Khamaat, filha do faraó Userkaf
  • Idade na morte: pelo menos 65 anos
Múmia de Ptahshepses dentro do sarcófago parcialmente aberto na câmara funerária.
Ptahshepses morreu com pelo menos 65 anos. Sua múmia foi encontrada deitada de costas, acompanhada de jarros canópicos e cerâmica.

Como imagens de satélite redescobriram a tumba de Ptahshepses

A primeira escavação da tumba aconteceu na década de 1860, conduzida pelo erudito francês Auguste Mariette. Ele removeu a falsa porta e o lintel do sepulcro, peças que acabaram no British Museum, em Londres, onde permanecem até hoje.

Depois dessa intervenção, a areia do Deserto Ocidental cobriu a mastaba novamente. “Desapareceu novamente sob as areias”, explica Renata Landgráfová, diretora do Czech Institute of Egyptology.

A busca moderna levou vários anos até que a equipe combinasse imagens detalhadas de satélite com mapas antigos da região de Abusir–Saqqara. Em 2022, a tumba foi finalmente localizada. As escavações se estenderam pelas temporadas de 2022 e 2023, com a câmara funerária examinada na primavera de 2023.

Outras redescobertas recentes no Egito confirmam a riqueza arqueológica da região. Uma missão espanhola-egípcia também revelou uma mastaba monumental em Saqqara com artefatos do Antigo Reino.

Arqueólogo estuda imagens de satélite de Saqqara-Abusir para localizar a tumba de Ptahshepses.
A combinação de imagens de satélite detalhadas com mapas antigos permitiu à equipe tcheca redescobrir a tumba após anos de busca.

O que os arqueólogos encontraram dentro da tumba

A câmara funerária guardava uma múmia completa, deitada de costas no sarcófago parcialmente aberto. Antropólogos egípcios confirmaram que Ptahshepses morreu com pelo menos 65 anos.

Além da múmia, a equipe encontrou jarros canópicos para órgãos internos, cerâmica e oferendas votivas. A tumba foi roubada ainda na antiguidade, o que significa que joias e tesouros não sobreviveram. Contudo, o equipamento funerário básico permaneceu no lugar.

A capela da entrada preservava pinturas coloridas com cenas de oferendas e hieróglifos detalhando a carreira política de Ptahshepses. Dois serdabs, salas seladas para estátuas do morto, e um corredor de acesso com bloqueio de pedra calcária in situ completam a estrutura.

Um achado incomum chamou atenção: a primeira múmia de peixe registrada nesse contexto, indicando práticas funerárias ainda mais diversificadas do que se imaginava no Antigo Reino.

Interior da capela da tumba de Ptahshepses com pinturas preservadas e hieróglifos.
A capela da entrada conservava pinturas coloridas e hieróglifos que detalhavam oferendas e a carreira política de Ptahshepses.

A falsa porta no British Museum e a biografia única

A peça mais famosa da tumba de Ptahshepses não está mais no Egito. A falsa porta, levada por Mariette na década de 1860, está exposta no British Museum e contém uma biografia gravada que é única na egiptologia.

Nela, Ptahshepses narra sua ascensão desde menino educado na corte real até se tornar um dos homens mais poderosos do Egito, casando com a filha do faraó. Essa narrativa biográfica em primeira pessoa é uma das mais detalhadas do Antigo Reino.

O achado se compara a outras descobertas que revelam a vida da elite egípcia, como os 10 mil múmias douradas encontradas no Oásis de Bahariya. Para mais detalhes, vale acessar a reportagem do My Modern Met e a cobertura da Czech Radio.

Falsa porta de Ptahshepses com hieróglifos exposta no British Museum em Londres.
A falsa porta, removida por Auguste Mariette na década de 1860, contém a biografia de Ptahshepses e hoje está no British Museum.

Pesquisa em andamento e limitações

Bárta alerta que “a pesquisa ainda está em andamento, e novas descobertas provavelmente serão feitas para lançar nova luz sobre sua família e seu tempo”. Portanto, o panorama completo da tumba de Ptahshepses ainda não está fechado.

A confirmação de que a múmia é de fato Ptahshepses baseia-se no contexto biográfico da tumba e na análise de idade (65+ anos), mas até o momento não há resultados de DNA publicados. A tumba foi roubada na antiguidade, o que limita o inventário de objetos pessoais.

Ainda assim, o achado é considerado uma das redescobertas arqueológicas mais importantes das últimas décadas no Egito. Financiada por grant do American Research Center in Egypt, a missão tcheca continua as escavações na região de Abusir–Saqqara com planos para novas temporadas.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x