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Países do BRICS lideram ranking de horas trabalhadas no mundo com Índia, China, Rússia e Brasil no topo da lista, enquanto alemães trabalham quase mil horas a menos por ano e ganham muito mais

Publicado em 18/04/2026 às 21:21
Atualizado em 18/04/2026 às 21:25
Países do BRICS lideram o ranking de horas trabalhadas. Brasil trabalha 33% mais que a Alemanha. Veja os dados completos das 15 maiores economias.
Países do BRICS lideram o ranking de horas trabalhadas. Brasil trabalha 33% mais que a Alemanha. Veja os dados completos das 15 maiores economias.
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Dados do Our World in Data mostram que os países do BRICS dominam o ranking de horas trabalhadas no mundo. A Índia lidera com 2.382 horas anuais, seguida por China (2.327), Rússia (2.086) e Brasil (1.993). A Alemanha aparece na última posição entre as 15 maiores economias, com apenas 1.335 horas, quase mil a menos que a Índia e com renda per capita muito superior.

Os países do BRICS trabalham mais do que qualquer outro grupo econômico do planeta, e os números não deixam margem para interpretação. Dados compilados pelo Our World in Data referentes a 2023 mostram que a Índia lidera o ranking global de horas trabalhadas com 2.382 horas anuais, o equivalente a 9,16 horas por dia útil. A China vem logo atrás com 2.327 horas, seguida pela Rússia com 2.086 e pelo Brasil com 1.993 horas, completando quatro das cinco posições mais altas do ranking entre as 15 maiores economias do mundo. Na outra ponta, a Alemanha registra apenas 1.335 horas anuais, o que significa que um trabalhador indiano do BRICS passa aproximadamente mil horas a mais no trabalho por ano do que um alemão.

O contraste entre os países do BRICS e as economias desenvolvidas levanta uma pergunta incômoda. Os brasileiros trabalharam 1.993 horas em 2023, aproximadamente 33% de tempo a mais do que os alemães no mesmo período, mas a renda per capita da Alemanha é várias vezes superior à brasileira. A lógica de que trabalhar mais gera mais riqueza não se sustenta quando os dados são colocados lado a lado: os países do BRICS dedicam mais tempo ao trabalho, mas a produtividade por hora é significativamente menor, o que explica por que mais horas não se traduzem em mais prosperidade para os trabalhadores desses países.

O ranking completo de horas trabalhadas que coloca o BRICS no topo

Segundo informações divulgadas pelo portal InfoMoney, os dados de 2023 mostram uma divisão clara entre economias emergentes e desenvolvidas. No topo do ranking, os quatro membros do BRICS ocupam as primeiras posições entre as 15 maiores economias: Índia (2.382 horas), China (2.327), Rússia (2.086) e Brasil (1.993). A Coreia do Sul aparece em quinto com 1.910 horas, sendo a única economia desenvolvida com jornada comparável à dos países do BRICS.

Abaixo da Coreia do Sul, o cenário muda completamente. Estados Unidos registram 1.788 horas, Canadá 1.731, Itália 1.701, Japão 1.653, Espanha 1.637, México 1.628, Austrália 1.611, Reino Unido 1.522, França 1.487 e Alemanha 1.335, a menor jornada entre as grandes economias. A divisão é consistente: enquanto os países do BRICS trabalham mais de 7 horas por dia útil, as nações desenvolvidas ficam abaixo de 6,9 horas. A diferença pode parecer pequena em um dia, mas ao longo de um ano se transforma em centenas de horas que os trabalhadores do BRICS passam no emprego enquanto os europeus estão em casa.

Como a jornada de trabalho mudou nos últimos 150 anos fora do BRICS

A diferença atual entre os países do BRICS e a Europa não existia há 150 anos. Em 1870, os trabalhadores dos países que se industrializaram primeiro trabalhavam mais de 3 mil horas por ano, o equivalente a 60 ou 70 horas semanais, ritmo comparável ao que a Índia pratica hoje. Naquela época, não havia distinção significativa entre o mundo industrializado e o restante: todos trabalhavam jornadas brutais que consumiam a maior parte das horas de vigília.

A revolução aconteceu nos países ricos. Na Alemanha, a jornada anual diminuiu quase 60% desde o final do século XIX até a década de 2010. No Reino Unido, a redução foi de cerca de 40%. Direitos trabalhistas, sindicalização, automação industrial e aumento de produtividade permitiram que esses países produzissem mais em menos tempo, liberando os trabalhadores para outras atividades. Nos países do BRICS, esse processo aconteceu de forma mais lenta e incompleta, e o resultado é visível nos números de 2023.

Por que os brasileiros do BRICS trabalham 33% mais que os alemães

O Brasil registrou 1.993 horas trabalhadas em 2023, um número que vem caindo lentamente ao longo das décadas, mas que ainda está muito acima dos padrões europeus. Em 1950, no início da série histórica analisada para o Brasil, a população trabalhava 2.364 horas anuais, o equivalente a cerca de 9 horas por dia de segunda a sexta-feira. A redução de 370 horas em 73 anos representa progresso, mas em ritmo muito mais lento do que o dos países que hoje lideram em qualidade de vida.

A comparação com a Alemanha é particularmente reveladora. Os brasileiros trabalham 658 horas a mais por ano que os alemães, o equivalente a quase três meses extras de trabalho, sem que isso se reflita em salários ou qualidade de vida proporcionais. A explicação está na produtividade: a economia alemã produz mais valor por hora trabalhada graças a investimentos em educação, tecnologia, automação e infraestrutura que multiplicam o resultado de cada hora de trabalho. No Brasil, e nos demais países do BRICS, a baixa produtividade força os trabalhadores a compensar com mais horas o que a economia não consegue entregar com eficiência.

O que o ranking de horas trabalhadas revela sobre o futuro do BRICS

Os dados do ranking sugerem que os países do BRICS estão em um modelo de desenvolvimento que privilegia volume de trabalho sobre eficiência. Enquanto a Alemanha reduziu sua jornada em 60% e multiplicou sua riqueza, os membros do BRICS mantêm jornadas extensas que esgotam fisicamente e emocionalmente seus trabalhadores sem gerar o mesmo retorno econômico. A questão não é apenas quantas horas se trabalha, mas quanto cada hora produz.

Para o Brasil, que debate ativamente o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, os dados reforçam que trabalhar menos pode significar produzir melhor, desde que a redução de horas seja acompanhada de investimentos em produtividade, qualificação profissional e tecnologia. Estudos como o da 4 Day Week mostram que empresas brasileiras que testaram jornadas reduzidas tiveram aumento de receitas, sugerindo que o país do BRICS com a quarta maior jornada do mundo pode se beneficiar seguindo o caminho que a Europa percorreu há décadas.

A diferença entre trabalhar mais e produzir mais nos países do BRICS

O ranking de horas trabalhadas destrói um mito persistente. Trabalhar mais não significa necessariamente produzir mais nem ganhar mais, e os dados dos países do BRICS são a prova definitiva. A Índia trabalha 2.382 horas por ano e tem PIB per capita de cerca de US$ 2.400. A Alemanha trabalha 1.335 horas e tem PIB per capita acima de US$ 50 mil. A diferença não está na dedicação dos trabalhadores, mas na estrutura econômica que transforma horas em riqueza.

Para os cidadãos dos países do BRICS que trabalham mais do que praticamente qualquer pessoa no mundo desenvolvido, a mensagem dos dados é clara: o caminho para a prosperidade não passa por trabalhar ainda mais, mas por criar condições para que cada hora trabalhada produza mais valor. Enquanto isso não acontecer, indianos, chineses, russos e brasileiros continuarão no topo de um ranking que ninguém deveria querer liderar.

Os países do BRICS trabalham mais que o resto do mundo e ganham menos. Você acha que trabalhar mais horas significa ser mais produtivo? A jornada brasileira deveria diminuir? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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