Países do BRICS respondem por 54,5% de toda a produção científica mundial sobre inteligência climática, com 17.460 artigos publicados de 2022 a 2025 em um total global de 32.040. O volume anual mais que dobrou no período. O Brasil se destaca com pesquisas sobre Amazônia, Cerrado, bioenergia e agricultura resiliente que orientam políticas públicas.
Os países do BRICS acabam de consolidar uma posição que poucos imaginavam possível há uma década: o bloco já produz mais da metade de toda a pesquisa mundial sobre inteligência climática. De 2022 a 2025, foram publicados 32.040 artigos sobre o tema em todo o mundo, e 17.460 deles contam com participação de pesquisadores de países do BRICS, o equivalente a 54,5% da produção global. O volume anual de publicações mais que dobrou no período, impulsionado pela integração entre ciência do clima, inteligência artificial e tecnologias energéticas. O Brasil tem presença relevante nesse conjunto com estudos sobre biomas como Amazônia e Cerrado, bioenergia e agricultura resiliente, temas que conectam a produção científica brasileira às demandas práticas de políticas públicas.
Os dados foram apresentados durante o Seminário OCTI, promovido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, na quinta-feira (16). O evento reuniu especialistas para discutir tendências, capacidades e oportunidades de atuação do Brasil no cenário global de inteligência climática, e incluiu o lançamento da oitava edição do Informe OCTI, que aprofunda as análises sobre o tema. O presidente do CGEE, Anderson Gomes, reconheceu que o desafio vai além de produzir pesquisas: “Temos capacidade para gerar bons estudos, mas ainda enfrentamos dificuldades para fazer com que esse conhecimento chegue, de fato, a quem precisa utilizá-lo na tomada de decisão.”
O que os números revelam sobre a pesquisa climática do BRICS
Segundo informações do portal Gov.br, a escala da produção científica do BRICS em inteligência climática é impressionante quando comparada ao resto do mundo. Com 54,5% de todos os artigos publicados sobre o tema entre 2022 e 2025, o bloco supera a soma de toda a produção de Estados Unidos, Europa e Japão combinados nesse campo específico. O crescimento foi acelerado: o volume anual mais que dobrou em três anos, refletindo investimentos crescentes em pesquisa aplicada ao clima por parte de China, Índia, Brasil, Rússia e os demais membros do BRICS.
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A concentração da produção, no entanto, não é uniforme. A China lidera com a maior fatia dos artigos publicados, seguida pela Índia, enquanto Brasil e Rússia contribuem com volumes menores mas em áreas estratégicas. O levantamento do CGEE também evidencia uma contradição: apesar de o BRICS dominar a produção científica global sobre clima, a cooperação entre os próprios membros do bloco é baixa. Pesquisadores de um país publicam artigos sem parceiros de outros membros do grupo, sinalizando que existe espaço significativo para ampliar parcerias e desenvolver soluções conjuntas.
Como o Brasil se destaca na pesquisa climática dentro do BRICS

A contribuição brasileira para a inteligência climática do BRICS tem identidade própria. O Brasil se destaca em temas como bioenergia, agricultura resiliente e estudos sobre biomas como a Amazônia e o Cerrado, áreas onde o país possui vantagem comparativa por ser ao mesmo tempo laboratório natural e produtor agrícola de escala global. Pesquisadores brasileiros publicam trabalhos que conectam modelagem climática a aplicações práticas, como previsão de safras, gestão de recursos hídricos e monitoramento de desmatamento.
Essa produção científica do BRICS alimenta diretamente a formulação de políticas públicas. Estudos sobre resiliência agrícola ajudam o governo a definir estratégias de adaptação para produtores rurais que enfrentam secas mais frequentes e eventos climáticos extremos, enquanto pesquisas sobre a Amazônia subsidiam políticas de combate ao desmatamento e de preservação que têm impacto global nas metas de redução de emissões. O desafio, como reconheceu o presidente do CGEE, é garantir que esses estudos saiam dos periódicos científicos e cheguem às mesas de decisão dos ministérios.
O papel da inteligência artificial na pesquisa climática do BRICS
A inteligência climática não é apenas ciência do clima. O campo integra ciência climática, inteligência artificial e tecnologias energéticas em uma abordagem interdisciplinar que permite análises preditivas, modelagem de cenários e otimização de respostas a eventos como secas, enchentes, ondas de calor e tempestades severas. A rápida expansão das publicações do BRICS reflete justamente essa convergência entre disciplinas que antes operavam separadamente.
A inteligência artificial, em particular, está transformando a capacidade dos pesquisadores de processar volumes massivos de dados climáticos. Modelos de machine learning treinados com dados de satélites, estações meteorológicas e sensores oceânicos permitem previsões mais precisas e com antecedência maior do que os métodos tradicionais, beneficiando desde agricultores que precisam decidir quando plantar até governos que precisam preparar planos de evacuação para eventos extremos. Para o BRICS, dominar essa tecnologia é uma questão de soberania: quem processa os próprios dados climáticos não depende de análises produzidas por outros países.
Por que a cooperação dentro do BRICS ainda é baixa apesar dos números
O levantamento do CGEE identificou um paradoxo: apesar de os países do BRICS produzirem 54,5% da pesquisa global sobre inteligência climática, a cooperação entre os membros do bloco é surpreendentemente baixa. Pesquisadores chineses publicam com pesquisadores chineses, brasileiros com brasileiros, e a colaboração entre membros do grupo é a exceção, não a regra. Esse isolamento reduz o potencial de impacto que uma pesquisa conjunta poderia ter sobre políticas climáticas do bloco como um todo.
As razões para a baixa cooperação dentro do BRICS incluem barreiras linguísticas, diferenças nos sistemas de financiamento de pesquisa e falta de mecanismos institucionais que incentivem publicações conjuntas. O Seminário OCTI e iniciativas como o Informe OCTI são tentativas de reverter essa tendência, criando espaços de diálogo e identificação de oportunidades que possam levar a projetos de pesquisa compartilhados. Se o BRICS conseguir transformar a produção científica isolada de cada país em uma rede integrada de inteligência climática, o impacto sobre políticas públicas e sobre a capacidade de resposta do Sul Global às mudanças climáticas seria multiplicado.
O que o domínio do BRICS na pesquisa climática significa para o mundo
Quando mais da metade da pesquisa mundial sobre um tema estratégico é produzida por um bloco de economias emergentes, o equilíbrio de poder acadêmico e político se altera. O domínio do BRICS na inteligência climática significa que as soluções para as mudanças climáticas estão sendo cada vez mais pensadas a partir da perspectiva de países em desenvolvimento, que enfrentam os efeitos mais severos do aquecimento global mas que até recentemente tinham pouca voz na definição das agendas de pesquisa.
Para o Brasil, com suas pesquisas sobre Amazônia, Cerrado e agricultura resiliente, a posição dentro do BRICS oferece uma plataforma para influenciar políticas climáticas globais com base em evidências produzidas em território nacional. O bloco representa mais de 40% da população mundial e 41% do PIB global em paridade de poder de compra, e o fortalecimento da cooperação científica entre seus membros é uma peça fundamental para que o Sul Global tenha capacidade real de responder às mudanças climáticas sem depender exclusivamente de soluções desenvolvidas no Norte.
Os países do BRICS já produzem mais da metade da pesquisa mundial sobre inteligência climática. Você sabia que o Brasil se destaca em estudos sobre Amazônia e agricultura resiliente? Essa liderança científica se traduz em ações práticas? Deixe sua opinião nos comentários.

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