Filtropinha, criado por alunos de Carnaíba, usa casca de pinha para tratar a manipueira, custa R$ 5 e venceu prêmio nacional de inovação escolar.
Quatro estudantes do 2º ano da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Carnaíba, no Sertão de Pernambuco, transformaram um problema ambiental ligado às casas de farinha em uma solução de baixo custo que ganhou projeção nacional. O projeto Filtropinha: dos resíduos aos recursos venceu a 11ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, iniciativa da Samsung voltada a alunos da rede pública que desenvolvem soluções com base em ciência, tecnologia, engenharia e matemática para problemas reais de seus territórios. O anúncio dos vencedores foi feito em 3 de dezembro de 2024, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
A invenção nasceu de um problema concreto da própria comunidade. Os estudantes criaram um filtro de baixo custo à base de casca de pinha, com estrutura produzida em impressora 3D, para reduzir a carga poluente da manipueira, resíduo gerado no processamento da mandioca.
Manipueira das casas de farinha virou o problema ambiental que a escola decidiu enfrentar
O ponto de partida do Filtropinha foi a observação de um passivo ambiental que fazia parte da rotina local. O Porvir descreve a manipueira como um líquido amarelo liberado quando a mandioca é prensada e informa que, quando descartado sem tratamento, esse resíduo é bastante poluente.
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Já a Secretaria de Educação de Pernambuco afirma que o projeto surgiu para enfrentar o descarte indevido desse material e a poluição tóxica associada a ele nas comunidades ligadas à produção de farinha.
A questão ganha ainda mais peso porque envolve uma atividade tradicional do território. De acordo com a Secretaria de Educação de Pernambuco, o projeto foi desenvolvido com foco no Quilombo do Caroá, em Carnaíba, e partiu de uma realidade concreta das casas de farinha da região.
Segundo a pasta, as farinheiras podem gastar de 15 mil a 20 mil litros de água por produção, o que torna ainda mais relevante qualquer solução que reduza contaminação e estimule o reaproveitamento.
Em vez de uma experiência abstrata de laboratório, o Filtropinha foi concebido para responder a um problema que afeta diretamente a rotina de comunidades rurais e quilombolas, unindo ciência escolar, observação do território e aplicação prática.
Filtro de casca de pinha e carvão ativado reduz a carga poluente com tecnologia simples
Segundo a Secretaria de Educação de Pernambuco, o filtro é composto por um modelo produzido em impressora 3D e por camadas de algodão, papel filtro, farinha de casca de pinha e carvão ativado obtido a partir da queima dessas mesmas cascas. O protótipo ainda inclui uma rosca pensada para facilitar sua adaptação às caixas d’água onde a manipueira fica armazenada nas casas de farinha.
A Samsung descreve o Filtropinha como um protótipo de baixo custo capaz de tratar a água contaminada por resíduos sólidos, tornando-a potável e reutilizável, além de reduzir o impacto ambiental.
O Porvir acrescenta que a proposta não se limita à filtragem: a ideia também é transformar o rejeito poluente em recurso e avançar no desenvolvimento de um fertilizante de liberação lenta, reforçando o conceito de reaproveitamento que dá nome ao projeto.
O custo é um dos pontos mais fortes da invenção. O Porvir informa que cada filtro sai por R$ 5 e que o refil custa R$ 0,25, valor que aproxima a tecnologia da realidade econômica das comunidades atendidas. Isso dá ao projeto uma vantagem rara em soluções escolares: ele combina inovação, baixo custo e possibilidade concreta de aplicação no território onde nasceu.
Testes com sementes e retorno da comunidade deram força ao projeto antes da premiação
Os resultados divulgados pela Secretaria de Educação de Pernambuco ajudaram a dar lastro ao projeto. Segundo a pasta, nos testes realizados pelos estudantes, a taxa de germinação de sementes chegou a 80% quando a manipueira havia sido tratada pelo Filtropinha.
Quando o líquido foi utilizado em seu estado natural, esse índice caiu para 20%. O contraste sugere uma redução relevante do impacto do resíduo após a filtragem.

O projeto também foi levado de volta à comunidade. O Porvir informa que o Filtropinha foi apresentado a produtores rurais do Quilombo Travessão do Caroá, também em Carnaíba, e relata que houve interesse na futura implantação do filtro nas casas de farinha. Na matéria, o estudante Eduardo afirma que a recepção e o interesse dos moradores em aplicar a solução foram inspiradores para a equipe.
Na reportagem da Secretaria de Educação de Pernambuco, a estudante Luana Noêmia afirma que os moradores do Quilombo do Caroá demonstraram curiosidade e interesse em aplicar o projeto no dia a dia, vendo no filtro uma alternativa para promover produção mais sustentável e melhoria da qualidade de vida nessas comunidades. Esse retorno é um dos elementos que diferenciam o Filtropinha de uma experiência escolar comum: a solução foi pensada para circular fora da escola e responder a uma demanda real.
Vitória no Solve for Tomorrow expõe a força da escola pública do interior
A conquista nacional reforçou essa trajetória. A Samsung informa que o Filtropinha: dos resíduos aos recursos ficou em primeiro lugar na categoria Vencedores Nacionais do Solve for Tomorrow Brasil 2024, representando a Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, de Carnaíba, Pernambuco.
A premiação reuniu projetos de destaque de diferentes estados e teve banca com representantes da Samsung, do Cenpec, de universidades e de instituições ligadas à educação e à ciência.
Segundo a Samsung, o Solve for Tomorrow está no Brasil desde 2014 e, ao longo de suas 11 edições, já envolveu 179 mil estudantes, mais de 39 mil professores e mais de 7.500 escolas públicas.


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