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País de 21 mil habitantes espalhados por 700 ilhas proibiu o protetor solar para proteger os corais e cobra de cada turista uma taxa única de US$ 100, porque o governo calculou que ter menos turistas por mais tempo preserva mais do que lotar as praias por um verão

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 20/05/2026 às 18:18 Atualizado em 20/05/2026 às 18:22
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País de 21 mil habitantes espalhados por 700 ilhas proibiu o protetor solar para proteger os corais e cobra de cada turista uma taxa única de US$ 100
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Palau protege 80% de sua zona econômica exclusiva, proibiu protetores solares tóxicos para corais e criou compromisso ambiental obrigatório para turistas.

Segundo o Seven Seas Media, Palau é uma nação-arquipélago com pouco mais de 500 ilhas e cerca de 21 mil habitantes no Oceano Pacífico Ocidental, na região da Micronésia. Em pouco mais de uma década, o país adotou um conjunto de políticas de conservação marinha que nenhum outro país aplicou na mesma escala proporcional ao seu território.

Em 2009, Palau se tornou o primeiro país do mundo a criar um santuário nacional de tubarões, proibindo a pesca comercial dessas espécies em suas águas. Em 2015, estabeleceu o Palau National Marine Sanctuary, protegendo 80% de sua Zona Econômica Exclusiva contra pesca comercial, mineração e extração de recursos marinhos.

Depois vieram outras medidas inéditas: a Palau Pledge, compromisso ambiental obrigatório carimbado no passaporte dos visitantes; a proibição de protetores solares com compostos tóxicos para recifes; e a taxa de conservação de US$ 100 por turista, válida para todas as visitas futuras ao país.

Palau virou referência mundial em conservação marinha e turismo sustentável

Palau não construiu sua política ambiental apenas com campanhas educativas. O país criou regras legais que mudam diretamente o comportamento de turistas, empresas, pescadores e operadores econômicos.

A lógica é simples: a economia de Palau depende da saúde dos recifes, dos tubarões, das medusas, das praias e da biodiversidade marinha. Se esses ecossistemas entrarem em colapso, o turismo, a pesca local e a própria identidade do país também são afetados.

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Por isso, Palau adotou uma estratégia rara. Em vez de esperar a degradação chegar ao ponto de fechar praias e recifes, o país decidiu limitar produtos, práticas e atividades antes que o dano se tornasse irreversível.

Protetor solar foi proibido porque compostos químicos ameaçavam corais e medusas

A proibição dos protetores solares não surgiu de uma decisão simbólica. O gatilho foi um relatório de 2017 da Coral Reef Research Foundation, que encontrou concentrações elevadas de oxibenzona e outros compostos de filtros solares nas águas do Jellyfish Lake.

O Jellyfish Lake é um lago marinho dentro de uma das ilhas de Palau, Patrimônio Mundial da UNESCO e um dos destinos turísticos mais visitados do país. Ele abriga milhões de medusas douradas que evoluíram em isolamento por milhares de anos.

Encontrar compostos de protetor solar na água e nos tecidos dessas medusas foi um alerta direto. O turismo estava levando substâncias químicas para um dos ecossistemas mais delicados e exclusivos de Palau.

Oxibenzona e octinoxato estão ligados a danos em recifes de coral

A oxibenzona, presente em muitos protetores solares convencionais, é apontada por organizações de pesquisa em recifes como poluente ambiental associado a danos em corais. Entre os efeitos citados estão alterações no DNA, prejuízo ao crescimento dos pólipos e aumento do risco de branqueamento.

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Palau proibiu protetores solares

O problema é maior em áreas de turismo intenso, onde milhares de pessoas entram na água usando protetor solar. Mesmo pequenas quantidades por pessoa podem se acumular em lagoas, baías e recifes com pouca renovação de água.

Estudos citados no texto-base estimam que entre 6 mil e 14 mil toneladas de protetor solar entram nos oceanos todos os anos. Em Palau, a concentração local no Jellyfish Lake tornou o risco ambiental impossível de ignorar.

Palau foi o primeiro país a banir protetores solares tóxicos para recifes

Em 2018, Palau aprovou a lei que proibia a fabricação e importação de protetores solares com ingredientes considerados prejudiciais aos recifes. Em 1º de janeiro de 2020, tornou-se o primeiro país do mundo a banir a venda desses produtos.

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A regra inclui oxibenzona, octinoxato e outros oito compostos associados a danos ambientais. Varejistas que descumprem a norma podem ser multados em US$ 1.000, e embalagens proibidas podem ser confiscadas na entrada de turistas.

A medida colocou Palau à frente de países maiores e mais ricos. O recado foi claro: para visitar o paraíso marinho, o turista precisa respeitar as condições que mantêm esse ecossistema vivo.

Palau Pledge é compromisso ambiental obrigatório carimbado no passaporte

A Palau Pledge foi criada em 2017 e se tornou uma obrigação para visitantes estrangeiros. Ao entrar no país, o turista recebe um compromisso escrito pelas crianças de Palau, pedindo que explore com cuidado, aja com gentileza e pise levemente.

O texto é carimbado diretamente no passaporte, junto ao carimbo de entrada. A medida transforma a conservação em compromisso pessoal, não apenas em aviso de aeroporto ou placa turística.

A promessa está ligada à Responsible Tourism Education Act de 2018. Isso significa que regras como não jogar lixo, não coletar vida marinha, não ancorar em corais e não usar protetor solar proibido têm força legal durante a estadia.

Crianças de Palau escreveram o compromisso para proteger as próximas gerações

A decisão de usar crianças como autoras da Palau Pledge não foi casual. O compromisso coloca o visitante diante de uma responsabilidade direta com quem herdará as ilhas no futuro.

O então presidente Tommy Remengesau Jr. defendeu a medida afirmando que, com mais pessoas visitando o país, Palau não poderia abrir mão da responsabilidade por suas ilhas. A lógica é associar turismo a cuidado, não apenas a consumo.

Esse formato deu força simbólica à política ambiental. O turista não assina um termo burocrático: assina uma promessa diante das crianças de um país que depende da preservação para continuar existindo como destino e como comunidade.

Santuário marinho protege 80% das águas de Palau contra pesca comercial

O Palau National Marine Sanctuary, estabelecido em 2015 e em vigor desde 2020, protege cerca de 80% da Zona Econômica Exclusiva do país. A área equivale aproximadamente ao tamanho do estado da Califórnia.

Nessa zona, toda extração comercial é proibida. Isso inclui pesca industrial, mineração e outras atividades que removem recursos do ambiente marinho em escala comercial.

Os 20% restantes das águas foram reservados para pesca local gerenciada pelas comunidades. O modelo separa preservação integral em grande escala e uso comunitário sustentável para garantir segurança alimentar aos habitantes de Palau.

Palau protege tubarões, dugongos, raias-manta e espécies ameaçadas

Depois do santuário de tubarões, Palau ampliou a proteção para outras espécies vulneráveis. A lista inclui dugongos, peixes-papagaio corcunda, raias-manta e napoleão-nariz.

Essas espécies sofreram forte pressão em países vizinhos, principalmente por pesca excessiva, comércio internacional e degradação de habitat. Ao protegê-las, Palau reforçou a função de seus recifes como refúgio de biodiversidade no Pacífico.

As águas do país abrigam mais de 1.300 espécies de peixes e 700 espécies de coral. Essa densidade de vida marinha é justamente o ativo natural que sustenta a reputação global de Palau como destino de mergulho e conservação.

Taxa ambiental de US$ 100 financia conservação e vale para visitas futuras

A Pristine Paradise Environmental Fee é a taxa de conservação cobrada de visitantes estrangeiros na entrada em Palau. O valor é de US$ 100.

O diferencial é que a taxa vale para todas as visitas futuras, não apenas para uma viagem. Um turista que paga na primeira entrada pode retornar outras vezes sem pagar novamente a mesma taxa.

A lógica não é maximizar receita por viagem, mas estimular turismo de maior qualidade e menor impacto. Palau prefere visitantes que conhecem as regras, retornam ao país e respeitam a conservação a um turismo rápido, massivo e predatório.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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