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Painéis solares congelam água de dia, ventilador e radiador liberam o frio à noite e um homem mostra que pequenos ambientes podem ser resfriados sem rede elétrica

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 06/04/2026 às 12:47 Atualizado em 06/04/2026 às 12:50
Painéis solares congelam água durante o dia, enquanto ventilador e radiador liberam o frio à noite, e um homem mostra que vários ambientes podem ser resfriados sem rede elétrica.
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Com 700 W de refrigeração, um sistema doméstico criado na Flórida usa painéis solares para transformar água em reserva térmica e manter espaços pequenos resfriados após o pôr do sol

O calor do dia virou combustível para o frio da noite. Em Flórida, um sistema caseiro passou a usar energia solar para congelar água e guardar essa reserva térmica para resfriar ambientes pequenos depois do pôr do sol.

A proposta chama atenção por unir baixo custo, simplicidade e menor dependência da rede elétrica. Na prática, o equipamento atende quartos compactos, cabines, vans e espaços técnicos com uma solução que aproveita o pico de sol para entregar conforto horas depois.

Como o frio é guardado para uso noturno

O coração do projeto está em um bloco de gelo que funciona como bateria térmica. Durante o dia, a energia captada pelos painéis solares alimenta o processo de congelamento da água, criando uma reserva de frio que pode durar horas e, em alguns cenários, até dias.

Esse armazenamento acontece porque a água consegue reter muita energia quando muda do estado líquido para o sólido. Com isolamento eficiente, a perda de frio fica baixa, o que ajuda a manter o desempenho mesmo depois que a geração solar cai.

Sistema usa 2 painéis e pequena bateria para congelar água

A energia gerada pelos painéis solares abastece o processo de congelamento, permitindo armazenar frio para uso posterior.

A estrutura foi montada com 2 painéis solares de 100 W, uma bateria de 35 Ah e um pequeno compressor com refrigerante R600. O conjunto remove calor de um reservatório com cerca de 7,5 litros de água instalado em uma caixa isolada com espuma e fibra de vidro.

Depois que o gelo se forma, uma bomba faz circular uma mistura de água com glicol por dentro do bloco congelado. Esse frio segue para um radiador com ventilador, que empurra o ar resfriado para o ambiente sem exigir grande consumo adicional.

Testes em veículos sob calor forte mostraram resultado prático

Os testes feitos em veículos sob o verão da Flórida indicaram que o equipamento consegue resfriar significativamente a cabine por várias horas. O desempenho ficou próximo ao de um pequeno ar condicionado de janela, mas sem gasto elétrico direto no ponto de uso.

Segundo Interesting Engineering, portal especializado em inovação e engenharia, o método demonstrou capacidade de manter o resfriamento mesmo em condições severas de calor, reforçando o potencial da solução para usos compactos e fora da rede.

Gelo pode armazenar energia em escala muito maior

O equipamento armazena energia térmica em blocos de gelo e libera ar fresco por meio de um circuito com ventilador e radiador.

Em termos de capacidade, o armazenamento térmico chama ainda mais atenção. Um depósito de 1 metro cúbico de gelo pode guardar cerca de 93 kWh de energia de refrigeração, um volume comparável ao de grandes baterias, mas com custo menor e sem desgaste por ciclos de carga e descarga.

Essa é uma das vantagens mais fortes do sistema. A água não perde seu potencial de mudança de fase, o que permite repetir o processo muitas vezes sem a degradação típica de tecnologias químicas.

Tecnologia pode sair de pequenos ambientes e chegar a casas

O protótipo foi pensado para quartos pequenos, cabines e vans, mas a lógica pode ser ampliada. Ao aumentar o volume de água e a quantidade de painéis, a mesma ideia pode atender espaços maiores, desde que o imóvel tenha isolamento térmico adequado.

A expectativa é que uma versão mais robusta consiga ajudar no resfriamento de uma residência pequena. Isso abre espaço para reduzir picos de consumo, aliviar a rede e ampliar o uso de energia renovável em regiões muito quentes.

Limites técnicos ainda pesam na expansão do sistema

Apesar do apelo, a solução não elimina desafios. O peso total do conjunto reduz a portabilidade, a potência ainda fica abaixo de sistemas split convencionais e o circuito com refrigerante exige montagem segura e atenção técnica.

Outro ponto importante é a umidade do ar. Parte da energia precisa ser usada primeiro para condensar esse vapor antes que a temperatura caia de forma mais perceptível, o que pode atrasar o resfriamento inicial do ambiente.

O avanço dessa proposta mostra como energia solar e armazenamento térmico podem se combinar de forma simples para enfrentar o aumento da demanda por refrigeração. Em locais quentes, isso representa mais autonomia e menor pressão sobre o consumo elétrico.

Mesmo sem substituir sozinho os sistemas tradicionais, o projeto reforça uma leitura importante. Quando o frio passa a ser guardado e liberado na hora certa, a climatização muda de patamar e a conta de energia entra em outra lógica.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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