Tecnologia experimental criada por pesquisadores da Universidade de Cambridge usa feixes de laser para transmitir dados em altíssima velocidade, reduz interferências típicas do Wi‑Fi tradicional e promete consumo energético menor em ambientes que exigem conexões mais estáveis e rápidas.
Uma equipe ligada à Universidade de Cambridge apresentou um sistema experimental de comunicação óptica sem fio capaz de transmitir dados por meio de feixes de laser em ambientes internos, alcançando a marca de 362,7 gigabits por segundo em testes feitos em um enlace de apenas dois metros.
Descrita em 2026 na revista científica Advanced Photonics Nexus, a tecnologia não pretende substituir imediatamente o Wi‑Fi tradicional, mas atuar como uma alternativa complementar em locais que exigem conexões mais rápidas, estáveis e com menor consumo energético.
Durante os testes, os pesquisadores utilizaram uma matriz de lasers do tipo VCSEL, sigla em inglês para laser de emissão superficial por cavidade vertical, tecnologia que permitiu operar simultaneamente 21 dos 25 emissores disponíveis no chip, com taxas individuais entre 13 e 19 gigabits por segundo.
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Com todos os canais ativos ao mesmo tempo, o sistema atingiu 362,7 Gbps, desempenho muito superior ao encontrado atualmente em redes domésticas convencionais e suficiente para movimentar grandes volumes de dados em poucos segundos, desde que a infraestrutura completa acompanhe a mesma capacidade.
Embora comparações com downloads instantâneos de filmes em 4K ajudem a ilustrar o potencial da tecnologia, o tamanho desses arquivos varia conforme compressão, duração e qualidade da imagem, o que impede estimativas absolutas para situações reais de uso doméstico.
Como funciona a internet por luz com lasers
Ao contrário do Wi‑Fi convencional, que depende de ondas de rádio para transmitir informações, a comunicação óptica sem fio utiliza luz modulada para transportar dados digitais entre transmissores e receptores posicionados em um mesmo ambiente.

No modelo testado pelos pesquisadores, feixes direcionados criam uma espécie de corredor exclusivo de transmissão no ar, reduzindo significativamente o risco de interferência eletromagnética causado pela disputa de sinal entre roteadores, celulares, dispositivos Bluetooth e aparelhos inteligentes.
Esse ponto é importante em ambientes fechados cada vez mais congestionados.
Apartamentos, escritórios, hospitais, aeroportos e centros de dados concentram muitos aparelhos conectados, o que aumenta a disputa por sinal e pode reduzir a estabilidade da conexão.
Ainda assim, a tecnologia óptica tem limitações próprias.
Feixes de luz dependem de alinhamento, cobertura planejada e receptores compatíveis, além de sofrerem bloqueios físicos com mais facilidade do que ondas de rádio em determinadas situações.
Tecnologia VCSEL promete mais velocidade e menor consumo
O sistema testado usa lasers VCSEL, componentes já conhecidos em aplicações de sensores, comunicação óptica e dispositivos eletrônicos.
Eles emitem luz perpendicularmente à superfície do chip, o que facilita a integração em matrizes compactas e escaláveis.
No caso do estudo, a matriz concentrou vários canais de transmissão em um único arranjo.
Cada laser carregou um fluxo de dados independente, permitindo que o conjunto alcançasse uma taxa agregada muito maior do que a de um emissor isolado.
Além da velocidade, o consumo de energia chamou atenção.
O sistema operou com cerca de 1,4 nanojoule por bit transmitido, valor apresentado como aproximadamente metade do gasto por bit associado ao Wi‑Fi 6 em comparação direta feita pelos pesquisadores.
Essa eficiência pode ter impacto relevante em redes corporativas e infraestrutura de dados.
Em ambientes com tráfego intenso e funcionamento contínuo, pequenas reduções no consumo por bit podem representar economia significativa ao longo do tempo.

Por que o Wi‑Fi ainda continuará presente
Mesmo com os resultados expressivos obtidos em laboratório, a comunicação por laser ainda permanece em fase experimental e distante de substituir completamente o Wi‑Fi utilizado atualmente em residências e escritórios.
Enquanto o Wi‑Fi continua mais eficiente para cobrir grandes áreas e conectar aparelhos distribuídos por diferentes ambientes, os pesquisadores avaliam que a tecnologia óptica pode assumir tarefas específicas que exigem velocidades mais altas e menor interferência no sinal.
Redes ópticas poderiam assumir tarefas específicas, como transferência de arquivos pesados, videoconferências em altíssima resolução, aplicações de realidade virtual, telemedicina e ambientes industriais sensíveis a interferências.
Hospitais aparecem entre os possíveis primeiros beneficiados, porque dependem de estabilidade e podem ter equipamentos que sofrem com ruídos eletromagnéticos.
Escritórios de engenharia, laboratórios, aeroportos e centros de dados também estão entre os cenários mais prováveis para adoção inicial.
Para chegar às casas, a tecnologia ainda precisa superar etapas importantes.
Os componentes precisam ficar menores, mais baratos e mais fáceis de instalar, além de operar com segurança, alcance útil e integração simples com redes já existentes.
O que falta para a internet por laser chegar às casas
A taxa de 362,7 Gbps foi registrada em condições controladas de laboratório, utilizando equipamentos específicos e uma distância reduzida entre transmissor e receptor, cenário muito diferente da realidade encontrada em casas, escritórios e espaços públicos.
Apesar de demonstrar viabilidade técnica, o experimento ainda depende de avanços importantes em padronização, miniaturização dos componentes e redução de custos para que a tecnologia possa se transformar em um produto acessível ao consumidor final.
Para que uma tecnologia sem fio se espalhe, fabricantes precisam adotar protocolos comuns, criar receptores compatíveis e garantir funcionamento estável em cenários reais, com pessoas se movimentando e obstáculos no ambiente.
Também será necessário definir onde a comunicação óptica oferece vantagem clara sobre Wi‑Fi, 5G privado ou cabeamento tradicional.
Em muitos casos, a melhor solução pode ser híbrida, combinando rádio, fibra óptica, Ethernet e links por luz conforme a necessidade.
Mesmo com essas barreiras, o avanço reforça uma mudança importante na conectividade interna.
O futuro das redes sem fio tende a depender menos de uma única tecnologia e mais da combinação de diferentes meios de transmissão, cada um usado onde entrega melhor desempenho.
A internet por laser, portanto, não anuncia o fim imediato do Wi‑Fi, mas mostra um caminho para aliviar redes congestionadas e ampliar a capacidade de transmissão em ambientes fechados.
O salto de velocidade registrado em laboratório indica que a próxima fase da conectividade pode passar por feixes de luz, não apenas por antenas.

Não tem como baixar “instantaneamente” um vídeo 4k pq onde está sendo gravado não escreve esse dado em 1 segundo!
Só se usaram um armazenamento diferente dos HDs e SSDs