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Os cientistas estavam errados – a crosta da Turquia está se desfazendo

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 19/01/2026 às 00:26
Estudo com fluxos de lava mostra que a Falha de Tuz Gölü, na Turquia, é extensional e se alarga cerca de 1 milímetro por ano.
Estudo com fluxos de lava mostra que a Falha de Tuz Gölü, na Turquia, é extensional e se alarga cerca de 1 milímetro por ano.
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Ao analisar fluxos de lava antigos fraturados ao longo da Falha de Tuz Gölü, com mais de 200 quilômetros de extensão na Turquia Central, pesquisadores da Universidade Curtin identificaram evidências diretas de separação continental lenta, com taxa média de cerca de 1 milímetro por ano, alterando a compreensão sobre riscos sísmicos e deformação tectônica regional

O estudo de antigos fluxos de lava fraturados ao longo da Zona de Falha de Tuz Gölü, na Turquia, revelou que a estrutura geológica está se alargando a uma taxa aproximada de 1 milímetro por ano, oferecendo novas evidências sobre como os continentes se separam lentamente e aprimorando a avaliação de riscos sísmicos.

Evidências geológicas em uma falha com mais de 200 quilômetros

Pesquisadores da Universidade Curtin analisaram antigos fluxos de lava que se solidificaram e, posteriormente, foram fraturados ao longo da Zona de Falha de Tuz Gölü, uma formação geológica com mais de 200 quilômetros de extensão e claramente visível do espaço. O estudo forneceu novas pistas sobre os processos de deformação continental ao longo do tempo.

A pesquisa demonstrou que a falha está se alargando gradualmente, em vez de apresentar apenas deslocamento lateral.

Essa constatação permite observar diretamente as forças que moldam a crosta terrestre em regiões onde grandes placas tectônicas interagem, contribuindo para uma compreensão mais detalhada dos movimentos continentais.

O autor principal do estudo, professor Axel Schmitt, do Centro John de Laeter e da Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade Curtin, explicou que os resultados solucionam uma questão antiga sobre o tipo de movimento da falha. Segundo ele, as descobertas representam um avanço relevante para a avaliação de riscos sísmicos e para modelos globais de deformação continental.

Confirmação de falha extensional na Turquia Central

De acordo com o professor Schmitt, embora a Turquia seja amplamente conhecida por falhas de deslizamento associadas a terremotos, o estudo confirma pela primeira vez que a Falha de Tuz Gölü é uma falha extensional. Nesse tipo de estrutura, os blocos de terreno em ambos os lados se afastam um do outro.

Essa dinâmica difere do modelo anterior, que considerava o deslocamento predominantemente lateral. A confirmação do caráter extensional altera a interpretação dos processos tectônicos na região e fornece uma base mais precisa para compreender como a crosta se comporta sob tensões prolongadas.

Os resultados indicam que a separação ocorre de forma lenta e contínua, ao longo de milhares de anos.

A taxa estimada de cerca de 1 milímetro por ano foi considerada consistente com a reconstrução geométrica dos antigos fluxos de lava que atravessaram a falha antes de serem fragmentados por terremotos.

Reconstrução de fluxos de lava do vulcão Hasandağ

Os pesquisadores identificaram que diversos fluxos de lava provenientes do vulcão Hasandağ fluíram sobre a falha, resfriaram-se e, posteriormente, foram quebrados por eventos sísmicos. A equipe conseguiu reconstruir a forma original dessas rochas e determinar sua idade com precisão.

Essa reconstrução permitiu rastrear como rochas que antes estavam conectadas se separaram gradualmente ao longo do tempo. Segundo os autores, os resultados revelam de forma inequívoca que a falha está se abrindo, e não deslizando lateralmente, como se acreditava anteriormente.

Compreender esses movimentos é considerado crucial não apenas para avaliar ameaças sísmicas e vulcânicas, mas também para aperfeiçoar modelos globais que descrevem como os continentes se deformam. Os dados obtidos ajudam a explicar como a energia tectônica é liberada em regiões de colisão continental.

Técnicas avançadas e datação por zircão

A equipe aplicou métodos científicos avançados que combinaram dados de sensoriamento remoto, análises por microssonda iônica no Centro John de Laeter e datação por hélio realizada no Centro de Termocronologia da Austrália Ocidental. Essas técnicas permitiram determinar a idade exata dos fluxos de lava e medir o deslocamento acumulado ao longo de milhares de anos.

O professor associado Martin Danišík, coautor do estudo, explicou que minúsculos cristais de zircão presentes na lava atuam como cronômetros geológicos naturais. Esses cristais retêm o hélio produzido pelo decaimento radioativo de traços de urânio e tório, preservando um registro detalhado da história térmica da rocha.

Ao medir urânio, tório e hélio nos cristais de zircão, os pesquisadores conseguiram estabelecer quando os fluxos entraram em erupção, transbordaram pela falha e posteriormente esfriaram. Essa abordagem forneceu uma linha do tempo confiável para avaliar a taxa de separação ao longo da falha, mesmo diante de processos lentos e dificilmente observáveis diretamente.

Movimentos lentos e interação entre placas tectônicas

A coautora Janet Harvey, especialista em sensoriamento remoto da Universidade Curtin, destacou que os terremotos na Falha de Tuz Gölü ocorrem com menos frequência do que nas falhas de movimento rápido do norte e leste da Turquia. Por isso, estudos de deformação da paisagem fornecem informações que o registro sísmico moderno sozinho não consegue capturar.

A falha está situada em um ponto estratégico onde interagem as placas Eurasiática, Arábica e Africana. Segundo Harvey, estudar seus movimentos ajuda a compreender como a tensão é distribuída quando os continentes colidem, oferecendo subsídios aplicáveis a outras regiões de deformação continental.

Os autores ressaltam que os conhecimentos obtidos podem ser utilizados em áreas ao longo da cordilheira Alpina-Himalaia e em outras zonas semelhantes ao redor do mundo.

A pesquisa também reforça a importância de revisar pressupostos geológicos antigos à luz de técnicas modernas de medição, capazes de quantificar com precisão como os continentes respondem às pressões tectônicas ao longo do tempo geólogico.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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