A Orla do Rio passou de apoio à praia a operação estruturada pela Orla Rio, com 309 quiosques em 34 quilômetros, crescimento de 30% no verão e plano para manter movimento no inverno com Copa do Mundo, gastronomia, tecnologia, ativações de marcas e experiências para moradores e turistas na cidade.
A Orla do Rio deixou de ser vista apenas como faixa de areia e paisagem turística para se tornar um negócio de grande escala. A empresa Orla Rio, que nasceu da trajetória de uma carrocinha de cachorro-quente ligada à família Barreto, administra hoje 309 quiosques distribuídos por 34 quilômetros de litoral no Rio de Janeiro.
De acordo com reportagem da Exame, a operação ganhou novo destaque em 2026, após registrar crescimento de 30% no último verão e projetar avanço também no inverno. A aposta envolve Copa do Mundo, experiências gastronômicas, ativações de marcas, tecnologia e iniciativas para manter moradores e turistas circulando pelos quiosques mesmo fora da alta temporada.
De carrocinha na praia a rede com 309 quiosques

A história começou em 1962, quando João e Jandyra Barreto passaram a empreender nas praias da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O ponto de partida era simples: pão, salsicha e uma carrocinha de cachorro-quente diante de uma região que ainda era pouco ocupada em comparação ao cenário atual.
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Com o tempo, o negócio ganhou marca própria, expandiu o modelo e passou a apoiar outros vendedores de praia com estrutura e insumos. O que nasceu como venda ambulante acabou se transformando em uma operação organizada na Orla do Rio, ajudando a mudar a forma como os quiosques cariocas seriam vistos nas décadas seguintes.
Praia deixou de ser só lazer e virou plataforma de negócios
Entre 1970 e 1990, a operação chegou a reunir centenas de trailers e minibares. Depois, com o avanço da profissionalização do comércio na praia, a estrutura evoluiu para um modelo mais padronizado, conectado à concessão que deu origem à empresa Orla Rio.
A mudança também transformou parte dos antigos trabalhadores informais em empreendedores com CNPJ e espaço definido ao longo da orla carioca. A Orla do Rio passou a funcionar não apenas como ponto de apoio ao banhista, mas como ambiente de consumo, turismo, gastronomia e experiência urbana.
Crescimento no verão reforça nova fase dos quiosques

No último verão, a Orla Rio registrou crescimento de 30% em relação ao ano anterior. O desempenho reforçou a estratégia de tratar os quiosques como destinos, e não apenas como locais para compra rápida de bebidas, lanches ou produtos de conveniência.
Hoje, os espaços reúnem diferentes propostas. Há quiosques focados em atendimento prático, outros com culinárias específicas, opções voltadas à experiência e unidades que recebem música e programação especial. Essa diversidade ajuda a aproximar a Orla do Rio tanto de turistas quanto de moradores da cidade.
Copa do Mundo vira aposta para aquecer o inverno
O próximo desafio é manter o movimento durante o inverno, período tradicionalmente mais fraco para o turismo de praia. Para isso, a empresa aposta na Copa do Mundo como motor de atração, com transmissão de jogos, menus temáticos, DJs e experiências pensadas para antes, durante e depois das partidas.
A expectativa informada pela operação é crescer 20% em relação ao inverno anterior. A estratégia mostra uma tentativa clara de reduzir a dependência do verão e transformar a Orla do Rio em espaço ativo durante todo o ano, inclusive em meses de menor fluxo nas praias.
Marcas enxergam os quiosques como vitrine de experiência

Outro ponto que ganhou força foi a presença de marcas nos quiosques. As ativações deixaram de ficar concentradas apenas em empresas de alimentos e bebidas e passaram a envolver segmentos variados, como beleza, tecnologia, varejo e serviços.
Segundo a empresa, cerca de 15 segmentos diferentes já realizaram ações nos quiosques neste ano. Para as marcas, a Orla do Rio oferece contato direto com público em circulação, clima de lazer e possibilidade de transformar consumo em experiência presencial.
Tecnologia e padronização entram na rotina da operação
Administrar mais de 300 quiosques exige controle, treinamento e adaptação constante. A empresa trabalha com capacitação dos operadores, selos de qualidade e critérios ligados a atendimento, gestão, infraestrutura e experiência do cliente.
A tecnologia também passou a ter papel importante. Em 2022, os quiosques receberam Wi-Fi gratuito. Em 2025, foi instalado um equipamento para detectar ondas sonoras e emitir alertas quando os níveis ultrapassam limites permitidos por lei. A Orla do Rio, nesse novo modelo, combina praia, negócios, controle operacional e infraestrutura urbana.
Sustentabilidade e eventos ajudam a sustentar o movimento
A operação também passou a incorporar iniciativas ambientais e eventos gastronômicos. Um dos projetos citados pela empresa é o Recicla Orla, com 35 pontos de entrega voluntária distribuídos pelos quiosques da orla.
Além disso, eventos como o Sabores da Orla ajudam a movimentar períodos de menor fluxo turístico. A iniciativa, que chega à nona edição, desafia quiosques a criarem pratos, petiscos, sanduíches, sobremesas e drinques exclusivos, aproximando gastronomia, competição e experiência para o público.
Você acha que essa transformação melhora a experiência nas praias cariocas ou a Orla do Rio corre o risco de ficar comercial demais? Deixe sua opinião nos comentários.

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