Novas IAs podem ser personalizadas por usuários e empresas, e já estão disponíveis em plataformas como Hugging Face e Amazon Bedrock
A OpenAI lança modelos abertos de inteligência artificial capazes de simular o raciocínio humano, marcando uma reviravolta na postura da empresa sobre transparência e colaboração. O anúncio foi feito nesta terça-feira (5) e rompe um hiato de seis anos sem nenhum modelo “aberto” da organização.
Os modelos GPT-oss-120b e GPT-oss-20b já podem ser acessados gratuitamente na plataforma Hugging Face. Com capacidades avançadas, como geração de textos, programação e busca ativa na internet, os sistemas têm pesos abertos (open-weight), o que permite sua personalização por desenvolvedores, empresas e até governos — mas não são totalmente open source, pois os dados de treinamento seguem protegidos.
O que está por trás dos modelos abertos da OpenAI?
Segundo a própria OpenAI, os novos modelos têm desempenho robusto, mas com foco em eficiência: o GPT-oss-120b roda em uma única GPU de 80 GB, enquanto o 20b pode funcionar até em laptops com 16 GB de RAM. Isso permite que usuários sem infraestrutura de supercomputação consigam experimentar e ajustar modelos diretamente em seus dispositivos.
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Apesar de “abertos”, os sistemas não têm o código-fonte liberado. A empresa optou por divulgar apenas os “pesos” — os parâmetros numéricos ajustados no treinamento. Essa decisão foi descrita por Sam Altman, CEO da OpenAI, como um “passo inicial” em direção à construção de um novo modelo de código aberto, após a pressão de concorrentes como a DeepSeek da China, que ganhou destaque ao liberar seu modelo R1 no início de 2025.
Por que a OpenAI mudou de estratégia agora?
A última vez que a OpenAI disponibilizou um modelo aberto foi em 2019, com o GPT-2. Desde então, a empresa adotou um modelo fechado e comercial, com foco em produtos pagos como o ChatGPT. A mudança recente vem na esteira do Plano de Ação para IA do governo Donald Trump, que incentiva modelos abertos como pilares da soberania digital e padrões globais.
A mudança também é estratégica. Com o avanço de empresas concorrentes em sistemas de IA personalizáveis, a OpenAI busca recuperar espaço oferecendo alternativas controláveis para empresas que desejam rodar IAs em servidores próprios — um ponto crítico para setores sensíveis, como o militar, financeiro e governamental.
Qual o impacto no mercado e na pesquisa?
Os modelos serão distribuídos em diversas plataformas: além do Hugging Face, também estarão no Amazon Bedrock, na infraestrutura da Groq, e nos servidores da Humain AI, da Arábia Saudita. Segundo a OpenAI, empresas como Orange e Snowflake já estão testando os novos sistemas.
Durante coletiva com jornalistas, a OpenAI reforçou que está colhendo feedback para definir os próximos passos. Sam Altman foi direto: “Confiamos que a comunidade criará coisas incríveis, mas, uma vez que os pesos são divulgados, não há como voltar atrás.”
Mesmo assim, a empresa adiou o lançamento por semanas para realizar testes de segurança e revisão de riscos, em resposta a críticas que apontam os modelos abertos como potenciais vetores para desinformação, cibercrime e violações éticas.
E você? Acredita que modelos abertos são o futuro da IA — ou representam um risco difícil de controlar? Deixe sua opinião nos comentários. Queremos ouvir a sua visão sobre essa virada da OpenAI.

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