Com a expiração do acordo nuclear entre EUA e Rússia, o New START deixa de impor limites formais e a ONU alerta para o vazio regulatório. A China recusa ampliar negociações por ter arsenal menor. O temor é uma corrida armamentista sem verificação, com custos políticos imediatos no curto prazo.
O acordo nuclear entre EUA e Rússia expirou em 5 de fevereiro de 2026, encerrando um ciclo de limites formais entre as duas potências e deixando a diplomacia sob pressão. O New START, assinado em 2010, funcionava como referência central para previsibilidade estratégica e para o controle do discurso público sobre riscos.
A reação veio de fora do eixo militar. A ONU classificou o cenário como grave para a paz e segurança internacionais, e o papa Leão XIV pediu que EUA e Rússia retomem entendimento e evitem uma corrida armamentista. O efeito imediato é a dúvida sobre quem lidera o próximo desenho e onde a verificação volta a existir.
O que era o New START e o que muda com o fim
O New START estabelecia limites para os arsenais estratégicos de Estados Unidos e Rússia, com teto de 1.550 ogivas nucleares estratégicas.
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Na prática, esse tipo de acordo cria previsibilidade porque reduz espaço para expansão rápida e facilita o monitoramento. Sem isso, o acordo nuclear entre EUA e Rússia deixa um vazio em que números, prazos e transparência passam a depender de decisões unilaterais.
O ponto técnico mais sensível é a perda de salvaguardas de verificação e de um regime claro de obrigações.
Mesmo antes da expiração, a confiança já estava sob tensão, e agora a ausência de um instrumento ativo aumenta a incerteza sobre planejamento militar, sinalização política e custos de escalada.
É nesse ambiente que a expressão corrida armamentista volta ao centro do debate, porque a lógica de resposta e contra resposta ganha velocidade.
ONU e o peso político de António Guterres na leitura do risco
A ONU enquadrou o encerramento do tratado como um marco negativo para paz e segurança internacionais.
António Guterres apontou que o fim do New START representa um momento grave, não por criar automaticamente um conflito, mas por remover um limite institucional que sustentava a estabilidade entre as duas maiores potências nucleares.
Na leitura da ONU, o risco relevante não é só o aumento de ogivas, mas a elevação do risco de uso e de erro de cálculo em cenários já tensionados.
O chamado para retorno à mesa de negociações aparece como tentativa de reconstruir um regime de controle com regras verificáveis, reduzindo a chance de uma corrida armamentista por falta de transparência e por competição de prestígio estratégico.
China no centro das conversas e a disputa sobre quem entra no próximo acordo
Com o New START encerrado, os Estados Unidos indicaram interesse em discutir um formato que inclua a China.
A lógica apresentada é ampliar o alcance do controle de armas e reduzir a assimetria de compromissos.
No entanto, a China não aceitou essa inclusão, citando o tamanho menor do seu arsenal em comparação com EUA e Rússia.
Essa divergência é um nó político e técnico ao mesmo tempo. Politicamente, envolve quem define a agenda e em que condições. Tecnicamente, envolve modelos de teto, contagem e verificação adequados a arsenais de escalas diferentes.
Sem um consenso sobre a participação da China, o acordo nuclear entre EUA e Rússia tende a ser substituído por arranjos parciais, o que aumenta o risco de corrida armamentista por falta de um padrão comum.
O pedido do papa Leão XIV e o espaço para mediação simbólica
O papa Leão XIV pediu, na véspera da expiração, que EUA e Rússia renovem entendimento e façam todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista.
Em termos diplomáticos, esse tipo de intervenção não define cláusulas, mas pode reforçar custos reputacionais de uma escalada e apoiar a pressão por diálogo.
A utilidade prática dessa fala está em lembrar que o custo do impasse não é abstrato.
Quando o acordo nuclear entre EUA e Rússia desaparece, cresce a sensação de que o planeta entra numa fase mais instável, com disputas de poder mais difíceis de moderar.
A mensagem central é que segurança estratégica depende de limites e verificações, não apenas de promessas.
O que observar agora no curto prazo
O primeiro indicador é se haverá anúncio de postura oficial norte-americana, já que a Rússia sinalizou disposição para atuar sem limitações do tratado.
O segundo é se algum canal técnico de verificação será mantido por vias alternativas, mesmo que informalmente, para reduzir ruídos.
Nessa transição, New START vira referência histórica e também parâmetro de comparação do que foi perdido.
O terceiro indicador é a linguagem pública: quando termos como corrida armamentista passam a ser normalizados em comunicados, isso influencia orçamento, doutrina e expectativas.
A ONU tende a insistir em negociação, e a China seguirá como peça decisiva em qualquer arquitetura ampliada.
Sem um novo acordo nuclear entre EUA e Rússia, a estabilidade fica mais dependente de autocontenção e de sinais consistentes, justamente o que anda mais raro.
O fim do New START desloca o debate de controle de armas para um terreno mais opaco, em que confiança política e mecanismos de verificação deixam de ser garantias e viram disputa.
Com a ONU reforçando o alerta, a dinâmica de segurança passa a depender mais de sinais públicos e menos de regras estáveis.
Se o acordo nuclear entre EUA e Rússia deixasse de existir de novo no futuro, qual seria o primeiro efeito que você sentiria como mais perigoso, mais gastos militares, menos transparência ou mais risco de erro de cálculo? E que papel a China deveria ter para evitar corrida armamentista sem controle?

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