1. Início
  2. / Estágio e Trainee
  3. / Marinha americana ativa ODIN AN/SEQ-4 em USS Dewey, Stockdale e Spruance — laser dazzler degrada sensores de drones iranianos durante Operation Epic Fury no Mar Vermelho
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Marinha americana ativa ODIN AN/SEQ-4 em USS Dewey, Stockdale e Spruance — laser dazzler degrada sensores de drones iranianos durante Operation Epic Fury no Mar Vermelho

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 21/05/2026 às 06:45
Atualizado em 21/05/2026 às 06:47
ODIN laser AN/SEQ-4 Marinha americana capa
ODIN laser AN/SEQ-4 Marinha americana — capa
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
6 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A Marinha dos Estados Unidos divulgou em 28 de fevereiro de 2026 imagens do sistema laser ODIN AN/SEQ-4 em operação a bordo dos destróieres USS Dewey (DDG-105), USS Stockdale (DDG-106) e USS Spruance (DDG-111) durante a Operation Epic Fury, campanha de ataques sobre alvos no Irã. Segundo a Army Recognition, o ODIN é classificado como soft-kill laser: em vez de destruir o alvo, o sistema queima os sensores ópticos e infravermelhos dos drones inimigos. A imagem do CENTCOM mostra ainda um quarto destróier não identificado com o mesmo mount, ampliando o pacote operacional embarcado.

O conceito de soft-kill resolve um problema concreto: drones Shahed-136 de US$ 20 mil são abatidos com mísseis Standard Missile-2 de US$ 2,1 milhões. Conforme análise da Center for International Maritime Security (CIMSEC), a equação custo-benefício ficou insustentável entre 2024 e 2025.

USS Stockdale DDG-106 disparando feixe ODIN ao crepúsculo
O ODIN é um laser soft-kill: queima sensores em vez de destruir o drone. Fonte: US Navy.

O que é o AN/SEQ-4 e por que a Marinha apostou nele

O ODIN — sigla para Optical Dazzling Interdictor Navy — foi instalado pela primeira vez em 2019 no USS Dewey (DDG-105), destróier da classe Arleigh Burke Flight IIA. Em 2026, sete destróieres operam o sistema simultaneamente. O AN/SEQ-4 é classificado pela Marinha como “relatively low-power”, otimizado para engajamentos em curto alcance dentro da bolha defensiva do navio.

O sistema usa uma cabeça óptica esterável de estado sólido (solid-state) com câmeras EO/IR (eletro-óptica/infravermelha) de alta resolução. Os feixes não são contínuos: o ODIN dispara pulsos de luz coerente sobre as lentes dos drones, desorientando o piloto remoto e cegando o sistema de navegação visual da aeronave.

A vantagem operacional ficou clara em 28 de fevereiro de 2026, quando o CENTCOM divulgou imagens de quatro destróieres operando simultaneamente o ODIN no Mar Vermelho. A peça-chave: cada disparo tem custo elétrico estimado abaixo de US$ 10, ante os US$ 2,1 milhões do míssil Standard Missile-2.

Naval Surface Warfare Center Dahlgren: a usina invisível por trás do ODIN

O ODIN foi desenvolvido pelo Naval Surface Warfare Center Dahlgren Division, na Virginia, em parceria com o Program Executive Office Integrated Warfare Systems (PEO IWS). Conforme a NAVSEA, o Dahlgren opera o Directed Energy Systems Integration Lab desde 2023 para treinar marinheiros em armas a laser.

O programa custou US$ 47 milhões na fase inicial e tem orçamento de US$ 84 milhões para 2026-2028 para expansão. O Department of War alocou 12 destróieres adicionais para receber o ODIN até 2028, conforme o National Defense Authorization Act assinado em dezembro de 2025.

O comandante da Surface Warfare Center, Capitão Casey Plew, declarou em janeiro de 2026 que “o ODIN provou ser a primeira arma de energia dirigida 100% operacional embarcada na Frota americana”. A frase foi reproduzida em cobertura da DefenseScoop.

O reveal técnico: dazzler vs hard-kill — duas estratégias, um inimigo

O reveal está na escolha entre soft-kill e hard-kill. Enquanto sistemas como o HELIOS, da Lockheed Martin (60 kW), e o LOCUST X3, da AeroVironment (35 kW), miram destruir o drone fisicamente, o ODIN ataca apenas a eletrônica de bordo. A vantagem do dazzler é o tempo de engajamento: 1,5 segundo por alvo, ante 5 a 12 segundos do laser de hard-kill.

Em cenários de enxame com 30 drones, o ODIN neutraliza todos em 45 segundos. O HELIOS levaria 6 minutos. A Marinha aposta na combinação: ODIN no perímetro distante, HELIOS na zona próxima, e CIWS Phalanx para alvos finais.

Cabeça óptica do ODIN AN/SEQ-4 na ponte do destróier
Cabeça óptica esterável do ODIN com sensores EO/IR de alta resolução. Fonte: NAVSEA.

Operation Epic Fury: 28 de fevereiro, Mar Vermelho, três destróieres

A Operation Epic Fury foi conduzida pelo US Central Command (CENTCOM) em parceria com o Strategic Command (STRATCOM) em 28 de fevereiro de 2026. A campanha envolveu lançamento de mísseis Tomahawk cruise missiles do USS Spruance (DDG-111) e de outros combatentes de superfície, aviação embarcada e ativos terrestres em alvos no Irã. Conforme a Army Recognition, o ODIN foi usado em paralelo para neutralizar drones iranianos que tentaram aproximação aos destróieres.

O CENTCOM divulgou imagens em 1º de março de 2026. A Reuters confirmou oficiais americanos dizendo que três drones Shahed-136 foram derrubados pelo ODIN durante a operação. Não houve baixas americanas. O Irã reagiu com declaração de Saeed Khatibzadeh, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Teerã.

O reveal humano: Caudle, Khatibzadeh e a corrida do custo

O almirante Daryl Caudle, comandante do US Fleet Forces Command, declarou em fevereiro de 2026 que a Golden Fleet do futuro próximo será sustentada por armas de energia dirigida. Caudle pediu aceleração de contratos de produção e citou o ODIN entre as três tecnologias críticas.

Do lado iraniano, Khatibzadeh chamou a Operation Epic Fury de “ato de agressão” e prometeu retaliação. A Iran’s Revolutionary Guard Corps anunciou aumento da produção de drones Shahed-136 para 12 mil unidades em 2026 ante 7.500 em 2025, conforme levantamento do Royal United Services Institute (RUSI).

Mary Clum, presidente do segmento Space, Cyber & Directed Energy da AeroVironment, descreveu o cenário em entrevista à Task & Purpose: o jogo não é mais sobre destruir cada drone individual, mas sobre derrubar enxames inteiros em segundos.

Sete destróieres em 2026: a expansão silenciosa

Por trás do anúncio, a Marinha americana já tem o ODIN instalado em sete destróieres da classe Arleigh Burke: USS Dewey, Stockdale, Spruance, McFaul, McCampbell, Halsey e John S. McCain. O plano até 2028 prevê instalação em mais 12 unidades, totalizando 19 destróieres com ODIN operacional. Cada retrofit custa US$ 4,8 milhões e leva 3 semanas em estaleiro.

USS Spruance DDG-111 lançando míssil Tomahawk ao amanhecer
O USS Spruance lançou Tomahawks durante a Operation Epic Fury. Fonte: US Navy.

O Strategic Command estuda expandir o ODIN para porta-aviões classe Nimitz e Ford. O USS Gerald R. Ford (CVN-78) foi marcado como candidato em janeiro de 2026. A instalação de um sistema ODIN num porta-aviões custaria US$ 12 milhões devido à arquitetura elétrica mais complexa.

O reveal futuro: 2028 e a frota Golden Fleet

O cronograma fala pelo futuro. Em 2028, a Marinha americana deve ter 19 destróieres com ODIN operacional, 7 destróieres com HELIOS (Lockheed), 4 fragatas com LOCUST X3 (AeroVironment) e 2 porta-aviões equipados com Palletized High Energy Laser. O custo total estimado da Golden Fleet de energia dirigida ultrapassa US$ 4,2 bilhões em hardware até 2030.

Drone iraniano caindo em chamas após interceptação por laser
Drones Shahed-136 custam US$ 20 mil. O ODIN derruba por menos de US$ 10 por disparo. Fonte: US Navy.

O risco residual existe. Drones Shahed-136 modernos vêm com proteção térmica nos sensores, segundo análise da Defense Intelligence Agency. A próxima geração de soft-kill terá que combinar laser com micro-ondas direcionadas para neutralizar a contramedida. Vale lembrar que a Marinha americana fala em corrida tecnológica de 10 a 15 anos, não em vitória definitiva.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x