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O único lugar do Brasil com rochas de 1 bilhão de anos, mais de 300 cachoeiras e um território quilombola premiado pelo turismo, onde cânions, vales e rios cristalinos transformam o Cerrado em cenário de outro planeta

Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/03/2026 às 19:11
Assista o vídeoChapada dos Veadeiros reúne rochas com mais de 1 bilhão de anos, cachoeiras e turismo Kalunga, em área reconhecida pela UNESCO desde 2001.
Chapada dos Veadeiros reúne rochas com mais de 1 bilhão de anos, cachoeiras e turismo Kalunga, em área reconhecida pela UNESCO desde 2001.
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Entre cânions, rios e comunidades tradicionais, a Chapada dos Veadeiros reúne rochas muito antigas, dezenas de trilhas e cachoeiras em um mosaico de parque nacional e áreas do entorno, com reconhecimento internacional e turismo comunitário no território Kalunga.

A Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás, concentra formações geológicas com mais de 1 bilhão de anos e centenas de cachoeiras em uma área de Cerrado que integra o sítio reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade desde 2001.

A paisagem de cânions, campos e rios corre em paralelo a uma história marcada pelo ciclo do ouro, por mudanças sucessivas nos limites do parque nacional e pela presença do Território Quilombola Kalunga, onde o turismo segue regras definidas pelas comunidades.

Fazenda Veadeiros, ciclo do ouro e origem do Parque Nacional

A ocupação da região ganhou impulso por volta de 1750, quando a antiga Fazenda Veadeiros reuniu lavradores atraídos pelo ouro e pela pecuária, segundo registros históricos sobre a área.

Na virada do século seguinte, em 1892, a Chapada entrou no trajeto da Comissão Exploradora do Planalto Central, chefiada pelo astrônomo Luís Cruls.

A missão atravessou a região para delimitar a área da futura capital do país.

O mapeamento do Planalto Central, feito naquele período, ajudou a dar visibilidade a um território que ainda era pouco integrado às rotas principais do Brasil.

Em 11 de janeiro de 1961, o governo federal criou o parque nacional, então com o nome de Parque Nacional do Tocantins e uma extensão maior do que a atual.

A unidade, no entanto, passou por mudanças ao longo das décadas seguintes, com reduções significativas de área.

Ampliação de 2017 e gestão do ICMBio na Chapada dos Veadeiros

Entre os anos 1970 e 1980, o parque teve seu território reduzido de forma drástica, chegando a manter apenas uma parte do desenho original.

A ampliação mais recente ocorreu em 2017, quando o governo federal aumentou a área protegida para cerca de 240 mil hectares.

A expansão buscou reforçar a proteção de nascentes e de ambientes típicos do Cerrado de altitude, além de consolidar corredores ecológicos em uma região pressionada por diferentes usos do solo.

Atualmente, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Informações institucionais do ICMBio apontam que a unidade abriga rochas com mais de 1 bilhão de anos.

Esse dado é frequentemente associado à presença de quartzitos e a processos geológicos de longo prazo que moldaram as serras e os vales da Chapada.

Geologia, Cerrado e o número de cachoeiras na Chapada

A combinação de relevo elevado, cânions e uma rede de drenagem extensa ajuda a explicar por que a Chapada é ligada a “centenas” de quedas d’água.

Dentro e fora do parque, rios e córregos formam saltos, corredeiras e poços que variam conforme a época do ano.

A referência a “300 cachoeiras” costuma aparecer em materiais de divulgação turística que consideram o destino em sentido amplo, incluindo atrativos em propriedades privadas, comunidades e áreas de preservação no entorno.

Até onde foi possível verificar, esse total não aparece como uma contagem única e oficial padronizada em fonte pública federal, o que pode gerar variações conforme o critério de catalogação.

Trilhas, Saltos do Rio Preto e principais atrações fora do parque

As trilhas do parque nacional seguem como a porta de entrada mais conhecida, principalmente a partir da Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás.

É dali que muitos visitantes acessam rotas sinalizadas até mirantes e quedas do Rio Preto, incluindo o Salto II, com 120 metros de queda livre, citado como cartão-postal da região.

Além do parque, o roteiro se espalha por fazendas, comunidades e propriedades particulares.

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Uma das paradas mais conhecidas é o Vale da Lua, onde formações rochosas esculpidas pelo Rio São Miguel ao longo de milhões de anos criam um conjunto de curvas e cavidades que passou a ser comparado a uma paisagem “lunar” por guias e materiais turísticos.

Em Alto Paraíso, a Catarata dos Couros reúne quedas e poços em um percurso que costuma exigir estrada de terra e caminhada de dificuldade média, dependendo do trecho escolhido.

Já o Mirante da Janela aparece entre as trilhas mais procuradas, em um trajeto de 8 km com trechos de escalada em rocha e vista para o vale do Rio Preto.

Território Kalunga, Cavalcante e turismo de base comunitária premiado

No norte da Chapada, Cavalcante concentra parte importante da história social da região.

O Território Quilombola Kalunga se estende por cerca de 262 mil hectares entre Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás, e abriga aproximadamente 9 mil pessoas distribuídas em 39 comunidades, conforme informações amplamente divulgadas sobre o território.

Segundo relatos históricos associados ao ciclo do ouro no século XVIII, os ancestrais dos Kalunga fugiram da escravidão e encontraram refúgio em áreas de difícil acesso.

A organização comunitária e a permanência no território ajudaram a formar um modo de vida que hoje convive com a visitação turística.

A comunidade do Engenho II é um dos principais acessos para quem entra no território com foco em cachoeiras, como Santa Bárbara, Capivara e Candaru.

No local, a entrada costuma depender de regras definidas pela comunidade, com a atuação de guias locais e a presença de estruturas comunitárias para recepção e alimentação.

Em reconhecimento a esse modelo, a Associação Kalunga Comunitária do Engenho II recebeu o Prêmio Nacional do Turismo 2023 na categoria Turismo de Base Comunitária, conforme divulgação do Ministério do Turismo.

Em 2022, o território recebeu 29 mil visitantes.

Melhor época para visitar: chuvas, seca e risco de incêndios no Cerrado

A Chapada tem duas estações bem definidas, com impacto direto na experiência de trilhas e banhos.

Em geral, o período entre abril e julho é citado como o de melhor equilíbrio: a vegetação ainda está verde, as cachoeiras mantêm bom volume e as chuvas tendem a diminuir.

No auge da seca, entre agosto e setembro, o ar costuma ficar mais seco e o risco de incêndios aumenta no Cerrado, o que pode levar a restrições de acesso e mudanças em rotas.

Por isso, o planejamento de viagem frequentemente inclui checagens locais sobre condições de trilha e orientações de visitação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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