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Uma empresa do interior de Santa Catarina recebe das serrarias uma madeira que duraria um ou dois anos e a devolve com garantia de mais de 15; o segredo da madeira tratada está em substituir a seiva do eucalipto e do pinus por uma solução química num processo de cerca de 10 dias

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/06/2026 às 20:51
Atualizado em 13/06/2026 às 20:53
Assista o vídeoUma empresa de Santa Catarina mostra como a madeira tratada faz eucalipto e pinus durarem mais de 15 anos: a seiva é trocada por produto químico na autoclave.
Uma empresa de Santa Catarina mostra como a madeira tratada faz eucalipto e pinus durarem mais de 15 anos: a seiva é trocada por produto químico na autoclave.
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Em Aurora, no Alto Vale do Itajaí, uma empresa transforma eucalipto e pinus que durariam um ou dois anos em madeira com garantia acima de 15 anos. O segredo da madeira tratada está em trocar a seiva por uma solução química na autoclave, num processo de cerca de 10 dias.

Uma madeira que duraria um ou dois anos pode passar a durar mais de 15. Parece exagero, mas tem explicação. Em uma empresa do interior de Santa Catarina, o processo de madeira tratada transforma eucalipto e pinus, que têm baixa resistência natural, em material de construção durável. E não é um simples banho.

De acordo com o programa Vale Agrícola, que visitou a fábrica em Aurora, em Santa Catarina, da chegada da madeira até a entrega são cerca de 10 dias. O diferencial é que se trata de um processo industrial, e não de uma madeira simplesmente mergulhada em algum líquido. No fundo, tratar a madeira é substituir a seiva natural por um produto químico que a protege do apodrecimento.

Por que o eucalipto e o pinus precisam de tratamento

Uma empresa de Santa Catarina mostra como a madeira tratada faz eucalipto e pinus durarem mais de 15 anos: a seiva é trocada por produto químico na autoclave.
Nem sempre foi assim. 

No passado, as construções usavam bastante a chamada madeira de lei, mais resistente por natureza.

Com as restrições à retirada de árvores das florestas, porém, entraram em cena espécies exóticas e de crescimento rápido, como o eucalipto e o pinus.

O problema é que essas árvores têm resistência natural menor. 

Sozinhas, durariam pouco tempo expostas ao tempo e à umidade.

Foi aí que o tratamento em autoclave virou a solução, dando a essas madeiras a durabilidade que elas não teriam sozinhas. Nascia ali a lógica da madeira tratada.

A estufa e o controle da umidade

O processo da madeira tratada começa bem antes da parte química.

A madeira chega das serrarias e seca primeiro ao ar livre. Depois, vai para uma estufa gigante, onde a umidade é controlada com calor.

Segundo a empresa, essa etapa de uniformização dura cerca de 36 horas, e cabem até 100 metros cúbicos por estufada.

A meta é deixar toda a carga no mesmo ponto.

Leva mais ou menos uma semana até a madeira atingir a umidade ideal, entre 15 e 18 por cento, de acordo com a empresa.

Essa padronização é essencial, porque, se cada peça secar de um jeito, o produto da autoclave penetra de forma desigual, e umas ficam mais tratadas do que outras.

A autoclave e a troca da seiva pelo produto químico

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Aqui está o coração do processo. Tratar a madeira nada mais é do que substituir a seiva por um produto químico.

Na autoclave, as toras são banhadas em uma solução de água e CCA, um composto à base de cromo, cobre e arsênio.

Primeiro é feito um vácuo para tirar o ar da madeira, e só então o produto é injetado, por cerca de três horas, com capacidade de cerca de 13 metros cúbicos por vez.

A dosagem muda conforme a espécie. A empresa trabalha com concentrações diferentes para o eucalipto e para o pinus, um pouco mais altas para o eucalipto, já que cada um absorve o produto de um jeito.

Depois de sair da autoclave, a madeira ainda goteja por 24 horas em área concretada, porque o produto é tóxico.

Uma vez seco, porém, ele não sai mais, nem debaixo de chuva ou sol, e é isso que torna a madeira tratada tão competitiva.

O que a madeira tratada faz, e o que ela não faz

Aqui vale um alerta que muita gente confunde. 

O tratamento faz a madeira não apodrecer, mas não aumenta a resistência mecânica dela.

Ou seja, comprar madeira tratada deixa a obra mais durável porque a peça não estraga, e não porque ela passa a aguentar mais peso.

São coisas diferentes, e a própria empresa faz questão de separar uma da outra.

Outro ponto é onde o produto realmente chega. Na autoclave, o químico penetra na parte externa da madeira, chamada de alburno, e não no miolo, o cerne.

Por isso, quando uma peça tratada é cortada, é importante proteger a área exposta para evitar o apodrecimento, e em decks e residências a recomendação é usar tinta UV.

O ambiente também pesa, porque em terreno seco e bem drenado a madeira dura bem mais do que os 15 anos de garantia.

Não à toa, a madeira tratada vem ganhando espaço na construção brasileira. 

Ela chega a custar cerca de 20 por cento menos do que a antiga madeira nativa do norte do país e já é base de boa parte dos galpões, embora o uso de madeira no Brasil ainda seja pequeno perto do que se vê nos Estados Unidos.

Para o eucalipto e o pinus, o tratamento foi o que abriu as portas da construção civil.

E você, já tinha ideia de quanta engenharia existe por trás de um simples palanque ou deck? Usaria madeira tratada na sua próxima obra? Conte nos comentários, com respeito às diferentes opiniões e experiências, e compartilhe esta matéria com aquele amigo que está construindo ou reformando.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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