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O queijo italiano de 800 anos que virou símbolo mundial agora enfrenta ondas de calor acima de 40 °C, vacas produzindo menos leite e armazéns gastando 30% mais energia para impedir que o Parmigiano Reggiano desapareça das mesas

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 15/07/2026 às 11:28 Atualizado em 15/07/2026 às 11:31
Funcionário organiza rodas de Parmigiano Reggiano em armazém climatizado utilizado para a maturação do tradicional queijo italiano.
Rodas de Parmigiano Reggiano permanecem armazenadas por meses em depósitos climatizados, onde temperatura e umidade controladas ajudam a preservar a qualidade do tradicional queijo italiano.
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Calor extremo reduz a produção de leite, pressiona os custos de refrigeração e ameaça uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália

As ondas de calor registradas na Itália estão afetando diretamente a produção do tradicional Parmigiano Reggiano.

Temperaturas superiores a 40 °C fazem as vacas comerem menos, permanecerem mais tempo deitadas e produzirem menos leite.

Essa combinação preocupa produtores, fabricantes e administradores de armazéns responsáveis pelo envelhecimento do queijo.

A indústria do Parmigiano Reggiano movimenta aproximadamente 4,5 bilhões de euros por ano e sustenta milhares de empregos na Itália.

A Reuters, em reportagem publicada em 13 de julho de 2026, mostrou como o calor extremo passou a pressionar toda a cadeia produtiva.

Calor acima de 40 °C reduz em até 10% a produção de leite

Há cerca de 50 anos, agricultores da região da Emília-Romanha abriam as janelas dos celeiros somente durante as noites de verão.

Atualmente, essas mesmas janelas permanecem abertas durante as 24 horas do dia.

A medida ajuda a proteger o gado das temperaturas recordes que atingem a região.

Segundo Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, o calor afeta a qualidade e a quantidade do leite.

As vacas passam mais tempo deitadas durante os períodos mais quentes.

Os animais também reduzem o consumo de alimento.

A produção de leite, nesse cenário, pode cair em até 10%.

O impacto preocupa porque o Parmigiano Reggiano utiliza somente três ingredientes:

  • Leite cru de vaca;
  • Sal;
  • Coalho.

Qualquer redução na oferta de leite interfere diretamente no ritmo da fabricação.

Vacas leiteiras sob sistema de nebulização em celeiro durante período de calor intenso.
Vacas leiteiras recebem nebulização de água em um celeiro, medida usada para reduzir os efeitos do calor extremo sobre o bem-estar dos animais e a produção de leite.

Falta de chuva compromete a produção de capim e feno

O autêntico Parmigiano Reggiano somente pode ser produzido em cinco províncias italianas.

A maior parte dessas áreas está localizada na Emília-Romanha.

As vacas precisam consumir exclusivamente capim e feno cultivados dentro da região autorizada.

Períodos prolongados sem chuva representam, portanto, outra ameaça para a cadeia produtiva.

Segundo Bertinelli, a falta de água impede o crescimento adequado do capim.

A ausência de capim dificulta a produção de feno.

O problema também reduz a quantidade de leite disponível para a fabricação do queijo.

Ventiladores e nebulizadores fazem os custos dispararem

Produtores instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água para diminuir a temperatura dentro dos celeiros.

Essas medidas ajudam a proteger os animais durante os dias mais quentes.

O uso contínuo dos equipamentos, porém, aumenta significativamente o consumo de energia elétrica.

Os gastos também cresceram nos depósitos onde as rodas permanecem durante o processo de maturação.

O Parmigiano Reggiano precisa envelhecer por pelo menos 12 meses.

Algumas rodas permanecem armazenadas durante três anos ou mais.

As instalações precisam manter temperatura e umidade controladas durante todo esse período.

Mais de 500 mil rodas estão armazenadas em depósitos climatizados

Mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano estão guardadas em dois grandes depósitos especializados.

O estoque é avaliado em mais de 300 milhões de euros.

Os armazéns são operados pela Magazzini Generali delle Tagliate, unidade ligada ao banco Credito Emiliano.

As estruturas ficam localizadas nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

Segundo o diretor Giancarlo Ravanetti, o consumo diário de energia aumentou aproximadamente 30% durante os picos de calor de 2026.

A empresa modernizou os sistemas de refrigeração e as caldeiras para melhorar a eficiência energética.

O isolamento dos edifícios também recebeu melhorias.

A geração de energia renovável foi ampliada para reduzir a pressão sobre os custos.

Tecnologia e tradição protegem a qualidade do queijo

Os armazéns climatizados ficaram conhecidos coletivamente como Banco do Parmigiano.

Essas instalações combinam tecnologia moderna e métodos tradicionais de inspeção.

Cada roda passa por controles rigorosos de qualidade durante o processo de maturação.

Exames de raio X ajudam a identificar possíveis defeitos internos.

Especialistas também batem pequenos martelos nas peças e analisam o som produzido.

A avaliação sonora permite detectar falhas que podem surgir durante o envelhecimento.

Ravanetti afirma que o trabalho humano continua essencial para garantir a qualidade final do produto.

Exportações representaram mais da metade das vendas em 2025

As exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano em 2025.

Os Estados Unidos permaneceram como o principal mercado internacional do queijo italiano.

Segundo Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas da GranTerre, eventos climáticos mais intensos poderão elevar ainda mais os custos.

Ondas de calor mais longas também poderão afetar a quantidade e a qualidade do leite.

A GranTerre registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025.

O avanço das temperaturas pode atingir produtores, fabricantes, exportadores e consumidores.

O que pode acontecer com o Parmigiano Reggiano nos próximos anos?

O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos e representa uma das tradições alimentares mais conhecidas da Itália.

As ondas de calor mostram que até processos preservados durante séculos podem enfrentar dificuldades diante de temperaturas extremas.

Produtores agora precisam equilibrar tradição, tecnologia e custos crescentes para manter a fabricação.

Ganzerli resumiu a preocupação do setor com uma declaração direta:

“Não queremos ser a última geração a comer esse queijo.”

Você acredita que a tecnologia conseguirá proteger o Parmigiano Reggiano ou o calor extremo poderá transformar definitivamente essa tradição italiana? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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