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O “ouro branco” de Thacker Pass: caldeira de McDermitt pode valer US$ 1,5 trilhão e guardar quase metade do lítio do mundo; 40 mil t/ano dariam baterias para 800 mil carros elétricos já nos EUA

Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/03/2026 às 14:39
Atualizado em 31/03/2026 às 14:41
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Lítio em Thacker Pass na caldeira de McDermitt em Nevada pode turbinar baterias e carros elétricos nos EUA.
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Lítio sob a caldeira de McDermitt, entre Nevada e Oregon, pode sustentar uma produção de 40 mil toneladas por ano e fortalecer a cadeia de baterias para carros elétricos nos Estados Unidos

O lítio de Thacker Pass está no centro de uma promessa que pode mexer com a economia de Nevada, com a indústria americana e com o equilíbrio global de energia limpa. A região fica sobre a caldeira de McDermitt, uma área vulcânica gigantesca que pode guardar uma das maiores reservas inexploradas do metal, com estimativa de valor em torno de US$ 1,5 trilhão.

Se o plano se confirmar, o lítio extraído ali pode chegar a 40 mil toneladas por ano, volume descrito como suficiente para fabricar baterias para até 800 mil carros elétricos. O que parece um número de fábrica é, na prática, uma mudança de escala, porque aproxima os EUA de reduzir dependências externas em um mercado onde a demanda dispara.

Onde fica Thacker Pass e por que essa área chama tanta atenção

O “ouro branco” citado na região está ligado ao lítio na caldeira de McDermitt, com cerca de 45 km de comprimento por 35 km de largura, se estendendo pelo norte de Nevada e sul do Oregon. A área é descrita como rural e pode sentir impactos fortes nos próximos anos caso a mineração avance.

A importância não é só geográfica, é estratégica. Com o mundo acelerando a transição energética, reservas de lítio deixam de ser apenas um ativo mineral e viram peça de política industrial.

Por que o lítio virou o metal mais cobiçado das baterias

O lítio se destaca por duas características decisivas: ele é extremamente leve e altamente reativo. Essa combinação o torna eficiente para baterias, as mesmas que alimentam smartphones, laptops e veículos elétricos.

Leveza e reatividade, juntas, explicam por que o lítio virou o coração das baterias modernas. E quando a demanda por baterias cresce, o metal vira gargalo.

Como um passado vulcânico criou um “depósito” de lítio na argila

A origem do depósito é explicada pelo histórico geológico da região. A caldeira de McDermitt teria sido um ponto quente vulcânico há cerca de 16 milhões de anos, criando um enorme lago rico em minerais. Com o tempo, esse lago secou e deixou camadas espessas de argila carregadas de lítio.

Essa sequência transforma uma paisagem silenciosa em um ativo mineral de escala global. É o tipo de formação que não se repete com facilidade.

O que 40 mil toneladas por ano mudariam na prática

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A projeção para Thacker Pass é objetiva: produzir 40.000 toneladas de lítio de alta qualidade por ano, o suficiente para baterias de até 800.000 carros elétricos.

Isso conversa com um ponto maior: os EUA buscam substituir veículos a gasolina por elétricos e reduzir poluição, mas precisam de muito mais lítio do que produzem hoje. Por isso, projetos domésticos ganham força, principalmente porque parte relevante do metal usado nos Estados Unidos é importada.

O choque no mercado: preço, demanda e corrida por investimento

Desde 2020, o preço do lítio teria aumentado mais de 10 vezes, tornando-o um dos materiais mais caros da cadeia de baterias. O consumo anual citado gira em torno de 1,16 milhão de toneladas, com aproximadamente 85% destinado à fabricação de baterias, principalmente para carros.

As projeções para o futuro indicam aumento forte de investimento: entre 2030 e 2040, o aporte em produção poderia dobrar e o investimento em baterias poderia subir mais de 200%.

Até 2050, a demanda por lítio é descrita como potencialmente mais de 10 vezes maior do que a produção atual. Se esse ritmo se confirmar, depósitos como Thacker Pass viram disputa permanente.

Não basta ter lítio: o gargalo do refino e a pressão global

Outro ponto central é o refino. Encontrar lítio é uma etapa; transformar o material bruto em uma forma pura e utilizável em baterias é outra. O cenário descrito aponta que a China domina parte relevante desse processo e também a cadeia de baterias, o que pressiona outros países a fortalecer sua estrutura interna.

Esse detalhe muda o jogo: mesmo com lítio no território, um país pode continuar dependente de quem refina e transforma o metal em produto estratégico.

O impacto local em Nevada pode ser uma virada completa

O projeto é descrito como capaz de atrair cerca de 2.000 trabalhadores, com necessidade de moradia, serviços e infraestrutura, o que pode alterar o perfil de uma região rural em poucos anos. Há também a expectativa de um efeito dominó na economia local, com geração indireta de empregos.

A operação é estimada para durar 35 anos, com possibilidade de gerar mais de US$ 2 bilhões por ano. Para um condado tranquilo, isso não é crescimento gradual, é transformação estrutural.

O risco técnico: extrair lítio da argila em escala inédita

Um ponto de atenção é o método de extração: tirar lítio da argila em escala industrial é descrito como um desafio grande e pouco testado nesse tamanho. Existe um grau de incerteza, mas a recompensa potencial é enorme.

Aqui mora a tensão: a reserva pode ser gigantesca, mas o sucesso depende de transformar geologia em operação estável e competitiva.

E se o lítio um dia ficar escasso

Mesmo sendo a espinha dorsal da transição energética hoje, o lítio é um recurso finito. Por isso, há discussões sobre alternativas, como baterias térmicas, que já são usadas em setores industriais e podem ganhar espaço em soluções residenciais no futuro.

Isso não freia a corrida atual pelo lítio, mas mostra que a tecnologia não fica parada. Ainda assim, no curto e médio prazo, o metal segue como peça central para baterias e carros elétricos.

E você, acha que o lítio de Thacker Pass pode mesmo virar o ponto de virada dos EUA na corrida global por baterias, ou o gargalo do refino vai continuar mandando no jogo?

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Carla Teles

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