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Espanha coloca no mar a maior doca flutuante de caixões do mundo: monstro de 56 metros fabrica seis gigantes de concreto de 15 mil toneladas no porto de A Coruña com tecnologia que já deixou marca no Brasil

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Escrito por Ana Alice Publicado em 07/07/2026 às 23:24 Atualizado em 07/07/2026 às 23:30
Assista o vídeoDoca flutuante de 56 metros usada na Espanha fabrica caixões de concreto no porto e mostra avanço da construção marítima modular em obras. (Imagem: Ilustrativa)
Doca flutuante de 56 metros usada na Espanha fabrica caixões de concreto no porto e mostra avanço da construção marítima modular em obras. (Imagem: Ilustrativa)
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Doca flutuante de 56 metros mostra como grandes obras portuárias podem sair de canteiros fixos e avançar sobre o mar, com módulos de concreto usados em píeres, cais e quebra-mares.

Uma estrutura flutuante de 56 metros de altura, comparável a um prédio de 18 andares, foi usada no Porto Exterior de A Coruña, na Espanha, para produzir peças de concreto de grande porte diretamente no ambiente portuário.

A doca Kugira, pertencente à ACCIONA, fabricou seis caixões de concreto entre 2021 e 2022, em uma operação que reduziu a dependência de um estaleiro tradicional distante.

O caso não é uma novidade recente, mas permanece relevante dentro do setor de engenharia marítima porque a tecnologia continuou sendo aplicada em obras posteriores da empresa.

Em maio de 2026, a ACCIONA informou que iniciou a produção de caixões de concreto para o quebra-mar de Ravenna, na Itália, com a Kugira II, e afirmou que passou a operar duas docas flutuantes desse tipo ao mesmo tempo: a Kugira I, em Valencia, e a Kugira II.

A operação em A Coruña ajuda a explicar como grandes obras portuárias podem ganhar eficiência quando parte da construção é realizada perto da área de uso das estruturas.

Em vez de fabricar peças em terra e transportá-las por longas distâncias, a doca flutuante permite montar caixões de concreto armado próximos ao ponto de embarque, lançamento ou instalação.

Como funciona a doca flutuante Kugira

O nome Kugira significa “baleia” em japonês, referência associada às dimensões da estrutura.

De acordo com a ACCIONA, a doca tem 56 metros de altura e foi projetada para construir caixões de concreto armado usados em docas, píeres e quebra-mares.

Essas peças são grandes blocos ocos, com células internas, que podem ser afundados e preenchidos para formar parte da infraestrutura marítima.

Na prática, funcionam como módulos estruturais usados em obras que exigem resistência, estabilidade e instalação em ambiente costeiro.

Na operação realizada no Porto Exterior de A Coruña, a ACCIONA fabricou seis caixões de concreto de 60 metros de comprimento por 24 metros de largura.

Cada peça pesava cerca de 15 mil toneladas, dimensão que ajuda a explicar a necessidade de um porto com condições específicas de profundidade, área operacional e logística de carga.

O processo começa pela execução da base do caixão.

Depois, as paredes são erguidas com o uso de uma forma deslizante, técnica que permite concretar a estrutura de maneira contínua enquanto o corpo do caixão ganha altura.

À medida que o concreto avança, o conjunto passa por submersão controlada.

Quando a estrutura fica pronta, ela pode ser movimentada por rebocadores ou embarcações adequadas ao tipo de operação.

No ponto definitivo, o caixão é posicionado, inundado por suas células internas até tocar o fundo e, em seguida, preenchido com material granular.

A partir dessa etapa, a peça passa a atuar como parte fixa da estrutura portuária.

Kugira é o cais flutuante de grandes dimensões da empresa Acciona. [Imagem: Acciona]
Kugira é o cais flutuante de grandes dimensões da empresa Acciona. [Imagem: Acciona]

Porto Exterior de A Coruña foi escolhido pelo calado

A ACCIONA informou que escolheu o Porto Exterior de A Coruña porque a operação exigia 30 metros de calado, condição disponível em poucos portos espanhóis.

Calado é a profundidade necessária para que uma embarcação ou estrutura flutuante opere com segurança, especialmente em manobras de grande porte.

O trabalho começou no início de outubro de 2021 e foi concluído no primeiro trimestre de 2022.

Em março daquele ano, a Kugira deixou o Porto Exterior rebocada pelo Hispania, após finalizar a fabricação dos seis caixões de concreto.

Segundo a ACCIONA, a operação gerou cerca de 300 empregos diretos e indiretos.

O número foi informado pela empresa no contexto da instalação da doca flutuante e da produção das peças no porto espanhol.

A escala da obra exigiu uma etapa logística posterior.

Em maio de 2022, a ACCIONA informou que o Boka Vanguard, descrito pela companhia como o maior navio semissubmersível de carga do mundo, recolheu os seis caixões em A Coruña para transportá-los em uma travessia de mais de 9 mil milhas náuticas até o Sudeste Asiático.

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A empresa associou as peças a um projeto nas Filipinas.

A informação disponível publicamente confirma a fabricação, o recolhimento e o transporte dos caixões, mas não permite detalhar com segurança o estágio final de instalação dessas estruturas no destino.

Essa sequência mostra que a doca flutuante teve papel em mais de uma fase da operação.

Além de permitir a fabricação dos caixões, ela viabilizou que as peças ficassem em uma área portuária com profundidade suficiente até o embarque em um navio de transporte pesado.

Caixões de concreto são módulos de infraestrutura marítima

Apesar do nome, os caixões de concreto usados em engenharia marítima não têm relação com uso funerário.

No setor portuário, o termo descreve estruturas ocas de concreto armado, projetadas para serem movimentadas por água e instaladas no fundo do mar.

Essas peças funcionam como módulos de construção.

Quando vários caixões são alinhados, eles podem formar trechos de cais, píeres, berços de atracação ou quebra-mares.

A aplicação desse sistema depende do projeto de engenharia, das condições marítimas e da finalidade da obra.

Em geral, o objetivo é criar estruturas resistentes, capazes de suportar cargas, proteger áreas de atracação ou formar barreiras contra ondas.

Segundo o PierNext, iniciativa ligada ao Porto de Barcelona, docas flutuantes como a Kugira trabalham com dois princípios principais: modularidade e construção in situ.

A publicação explica que esses equipamentos fabricam caixões próximos às áreas de obra, reduzindo a necessidade de deslocar estruturas prontas por grandes distâncias.

Esse modelo também pode reduzir interferências em áreas do porto que continuam operando, de acordo com a lógica apresentada por publicações técnicas do setor.

Como a unidade de produção fica sobre a água, ela pode ser posicionada conforme a necessidade da obra e removida após a conclusão dos trabalhos.

Para portos que mantêm atividades comerciais durante intervenções de infraestrutura, essa flexibilidade tem relevância operacional.

Ainda assim, cada aplicação depende de planejamento, licenças, condições ambientais, disponibilidade de área e capacidade de manobra.

Uma fábrica flutuante que se move pelo mar

A doca flutuante funciona como uma unidade industrial móvel para obras marítimas.

Em vez de concentrar a produção em uma fábrica fixa em terra, o equipamento pode ser deslocado até portos que tenham profundidade, área e demanda compatíveis com a construção de caixões de concreto.

A Kugira já foi associada pela ACCIONA a obras em portos como Escombreras, Tarragona, Los Mármoles, Algeciras, Barcelona e Ferrol, além de projetos no Brasil.

A empresa também informa que a tecnologia foi aplicada no Terminal 2 do Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro.

Kugira é o cais flutuante de grandes dimensões da empresa Acciona. [Imagem: Acciona]
Kugira é o cais flutuante de grandes dimensões da empresa Acciona. [Imagem: Acciona]

O uso desse tipo de doca ajuda a explicar por que obras marítimas exigem soluções diferentes das adotadas em terra.

Marés, ondas, profundidade, interferência na navegação, peso das peças e janelas de operação influenciam diretamente o planejamento.

Em muitos casos, a etapa crítica não está apenas na fabricação da estrutura, mas no transporte, posicionamento e fixação da peça no local definido pelo projeto.

Por isso, a construção por módulos pode facilitar etapas de controle, repetição e instalação.

Na prática, a tecnologia permite que parte da infraestrutura portuária seja montada a partir de grandes peças pré-fabricadas no ambiente marítimo.

Depois de posicionados e preenchidos, os caixões passam a integrar a base física de cais, píeres ou quebra-mares.

Kugira II leva tecnologia a obras recentes na Itália

A continuidade do sistema aparece em projetos posteriores da ACCIONA.

Em novembro de 2024, a empresa anunciou, em consórcio com a italiana RCM Construzioni, a construção de um quebra-mar para proteger um terminal flutuante de uso industrial no Porto de Ravenna, na Itália.

A infraestrutura foi descrita pela companhia como uma estrutura de 880 metros de comprimento por 22 metros de largura, formada por caixões de concreto.

O projeto foi apresentado como parte das obras de proteção do terminal marítimo.

Em maio de 2026, a ACCIONA informou que o projeto de Ravenna havia entrado na fase de produção dos caixões com a Kugira II.

De acordo com a empresa, as estruturas previstas para essa obra medem mais de 50 metros de comprimento e pesam aproximadamente 9 mil toneladas cada, dentro de um conjunto de 18 unidades planejadas.

A atualização mais relevante para contextualizar o caso de A Coruña é a operação simultânea de duas docas do tipo.

Segundo a ACCIONA, a Kugira I estava em Valencia, enquanto a Kugira II era usada em Ravenna.

Esse dado indica que a tecnologia empregada em A Coruña em 2021 continuou presente em obras portuárias de grande porte nos anos seguintes.

A informação, no entanto, não significa que a mesma operação realizada no porto espanhol permaneça em andamento.

Os seis caixões fabricados em A Coruña já haviam sido concluídos, fundeados, recolhidos e enviados ao Sudeste Asiático em 2022.

O que segue em uso, conforme informações posteriores da ACCIONA, é o método construtivo baseado na produção de grandes módulos de concreto por meio de docas flutuantes.

Engenharia marítima avança com construção modular

Portos precisam se adaptar a navios maiores, novas rotas de carga, terminais especializados e estruturas ligadas à atividade offshore.

Esse cenário aumenta a demanda por cais mais resistentes, quebra-mares robustos e áreas de atracação com profundidade adequada.

A construção com caixões de concreto oferece uma resposta técnica para parte dessas necessidades.

Como as peças são produzidas em módulos, a obra pode avançar com maior controle sobre dimensões, repetição e etapas de instalação do que em métodos executados integralmente no fundo do mar.

Ainda assim, esse tipo de solução não elimina a complexidade de uma obra portuária.

Cada projeto depende de estudos de engenharia, condições ambientais, licenciamento, logística de transporte, disponibilidade de equipamentos e coordenação com a operação do porto.

No caso de A Coruña, a combinação entre profundidade, área portuária e operação especializada permitiu que uma doca flutuante produzisse estruturas que depois foram transportadas por milhares de milhas náuticas.

O porto espanhol atuou, nesse período, como ponto de produção para peças destinadas a um projeto internacional.

A presença da Kugira em A Coruña também exemplifica uma mudança operacional na infraestrutura portuária.

Em projetos desse tipo, a unidade de produção pode se deslocar até o porto, fabricar peças sob medida e seguir para outra obra após a conclusão.

O interesse técnico em torno da Kugira está na combinação entre mobilidade e escala, conforme mostram os dados divulgados pela ACCIONA.

A estrutura se desloca pelo mar, mas fabrica blocos de concreto com peso de milhares de toneladas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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