Banco Central mostra que o setor público consolidado ficou no vermelho no mês, com rombo no Governo Central e nas estatais, enquanto estados e municípios puxaram superávit
O Banco Central informou que o setor público consolidado, formado por União, estados, municípios e estatais, registrou déficit de R$ 16,4 bilhões em fevereiro de 2026. O dado aparece no relatório “Estatísticas Fiscais”, divulgado nesta terça-feira (31).
Segundo o Banco Central, o resultado do mês veio com déficits no Governo Central e nas estatais, parcialmente compensados pelo superávit dos governos regionais. No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado somou déficit de R$ 52,8 bilhões, equivalente a 0,41% do PIB, enquanto a dívida bruta avançou para 79,2% do PIB, chegando a R$ 10,2 trilhões.
O que o Banco Central mediu e por que isso importa
O Banco Central consolida as contas do setor público ao reunir o desempenho fiscal de diferentes esferas. Na prática, esse recorte mostra se o conjunto do Estado gastou mais do que arrecadou no período, além de ajudar a acompanhar a dinâmica da dívida pública.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
Quando o setor público fecha no déficit, a pressão sobre financiamento e dívida tende a aumentar, especialmente em cenários de juros elevados e necessidade de rolagem constante de passivos.
Déficit de fevereiro detalhado por setor
No recorte de fevereiro de 2026, o Banco Central apontou resultados distintos dentro do setor público consolidado:
Governo Central: déficit de R$ 29,5 bilhões
Estatais: déficit de R$ 568 milhões
Governos regionais: superávit de R$ 13,7 bilhões
O contraste é direto: enquanto Governo Central e estatais puxaram o resultado para baixo, estados e municípios foram o contrapeso do mês.
Série histórica de fevereiro mostra oscilação forte no saldo fiscal
O Banco Central também trouxe a série histórica para fevereiro, que ajuda a entender como o resultado varia ano a ano:
Fevereiro de 2022: superávit de R$ 3,47 bilhões
Fevereiro de 2023: déficit de R$ 26,4 bilhões
Fevereiro de 2024: déficit de R$ 48,7 bilhões
Fevereiro de 2025: déficit de R$ 18,97 bilhões
Fevereiro de 2026: déficit de R$ 16,388 bilhões
O dado de 2026 melhora em relação a 2024 e 2023, mas mantém o padrão de fevereiro no vermelho, com exceção de 2022.
No acumulado de 12 meses, déficit chega a R$ 52,8 bilhões
No horizonte mais longo, o Banco Central informou que, em 12 meses, o setor público consolidado acumulou déficit de R$ 52,8 bilhões, o equivalente a 0,41% do PIB.
Esse número funciona como termômetro do ritmo fiscal, porque reduz o efeito de um único mês e mostra a tendência mais consistente de entradas e saídas ao longo do tempo.
Dívida bruta sobe para 79,2% do PIB e alcança R$ 10,2 trilhões
Outro destaque do relatório do Banco Central foi a Dívida Bruta do Governo Geral, que inclui governo federal, INSS e governos estaduais e municipais. Ela avançou para 79,2% do PIB, chegando a R$ 10,2 trilhões.
A dívida bruta é um dos indicadores mais observados por refletir a necessidade de financiamento do setor público e a sensibilidade das contas ao custo dos juros.
O que esse retrato fiscal sugere para o curto prazo
Com base no que o Banco Central apresentou, fevereiro reforça três sinais principais:
O déficit ainda é recorrente em fevereiro, mesmo com melhora frente a anos mais críticos
O Governo Central segue como o maior motor do resultado mensal quando fecha no vermelho
A dívida bruta permanece elevada, o que mantém o tema fiscal no centro das atenções
Em um cenário de dívida alta, cada oscilação no saldo fiscal ganha peso, porque afeta percepção de risco, custo de financiamento e expectativas sobre política econômica.
E você, acha que o déficit de fevereiro e a dívida a 79,2% do PIB já deveriam provocar mudanças imediatas na forma como o governo controla gastos e arrecadação?

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