O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, fez um dos alertas mais duros sobre a situação militar brasileira nos últimos anos ao afirmar publicamente que o País enfrenta sérias vulnerabilidades em sua capacidade de defesa. A declaração aconteceu na quarta-feira, dia 27, em Brasília, durante um encontro fechado com empresários da Base Industrial da Defesa (BID), segundo informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A fala do ministro ganhou ainda mais repercussão porque ocorreu justamente em meio ao avanço de novas ameaças geopolíticas na América do Sul, ao crescimento da tensão envolvendo a Venezuela e ao aumento da preocupação das Forças Armadas com o crime organizado nas regiões de fronteira.
Enquanto o governo discutia cortes bilionários no orçamento da Defesa, o Exército Brasileiro realizava, no mesmo dia, uma demonstração estratégica com drones de ataque, robôs militares e sistemas modernos de vigilância que poderão mudar completamente a atuação militar do País nos próximos anos.
-
A prefeitura européia que transformou antiga avenida urbana em canal novamente, recuperou trecho aterrado na década de 1970 e entregou um novo espaço público com água, vegetação e caminhos para pedestres
-
Buenos Aires e Montevidéu ficam a cerca de 200 quilômetros em linha reta, mas viagem por estrada pode passar de 570 quilômetros e levar até 8 horas e 30 minutos; veja quanto dura o trajeto de avião, balsa, carro e ônibus
-
Casal vendeu casa em São Paulo, pediu demissão e pagou R$ 15.780 para recomeçar em Portugal, mas a viagem prometida virou denúncia de estelionato: malas seguem prontas, passagens não foram entregues e sonho europeu acabou preso em quarto alugado apertado
-
Maior caverna de ponte natural do mundo fica na China, impressiona em Guizhou com quase 180 metros de altura, abertura gigantesca e espaço interno usado até para carros, virando refúgio turístico fresco dentro de uma formação cárstica monumental
“ Nós não temos defesa. Eu digo que a sociedade precisa saber. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos ”, afirmou José Múcio durante o encontro realizado no B Hotel, no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília.
A declaração acendeu um alerta dentro do setor militar e reforçou a preocupação crescente das Forças Armadas com a velocidade das mudanças nos conflitos modernos.
Operação Atlas revelou dificuldades graves de mobilização militar no Brasil
Durante sua fala, José Múcio revelou detalhes da Operação Atlas, considerado o maior exercício militar realizado pelas Forças Armadas brasileiras em 2025.
O treinamento simulou um possível cenário de conflito na região Norte após ameaças envolvendo a disputa territorial entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo. Segundo o ministro, o exercício expôs problemas logísticos considerados preocupantes.
De acordo com o relato do titular da Defesa, a Marinha levaria cerca de 20 dias para deslocar seus principais equipamentos até a região Norte do País. Já blindados do Exército estacionados no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul poderiam demorar até 55 dias para chegar ao destino.
“Se houvesse um conflito real, quando nós chegássemos lá, o povo já estaria instalado”, declarou o ministro.
A fala evidencia um problema estratégico antigo do Brasil: a concentração de grande parte da estrutura militar no Sudeste e no Sul, enquanto áreas consideradas sensíveis, como Amazônia e fronteiras do Norte, permanecem distantes dos principais centros operacionais.
Além disso, o episódio envolvendo as ameaças do regime de Nicolás Maduro elevou a percepção de risco dentro das Forças Armadas.
Segundo Múcio, aproximadamente 10 mil militares precisaram ser deslocados para Roraima durante o período de tensão envolvendo Essequibo.
Exército aposta em drones e tecnologia militar para enfrentar novas ameaças
Poucas horas após o discurso de José Múcio, o Alto Comando do Exército participou de uma demonstração militar realizada no estande de tiro General Darcy Lázaro, no Setor Militar Urbano, em Brasília.
O evento reuniu drones de ataque, munições vagantes, sistemas de observação, robôs terrestres e equipamentos de vigilância produzidos por empresas brasileiras.
O comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, acompanhou pessoalmente os testes ao lado de integrantes do Estado-Maior da Força.
Segundo o militar, o cenário geopolítico atual mudou completamente a percepção estratégica do Brasil.
“No passado, a gente não tinha nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje, a gente já viu que temos uma percepção de ameaça”, afirmou o comandante.
A fala mostra como as Forças Armadas passaram a enxergar a necessidade de modernizar rapidamente seus sistemas de defesa diante do avanço tecnológico observado em conflitos recentes, principalmente nas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio.
O uso massivo de drones em combates modernos transformou completamente o conceito tradicional de guerra. Equipamentos relativamente baratos passaram a destruir blindados milionários e sistemas considerados altamente sofisticados.
Uma munição vagante, por exemplo, pode custar cerca de US$ 3,5 mil. Já um tanque moderno Leopard 2A8 pode ultrapassar US$ 34 milhões.
Essa diferença de custos passou a influenciar diretamente os planos estratégicos do Exército Brasileiro.
Drones suicidas, robôs militares e defesa de fronteiras entram nos planos do Exército
Segundo o comandante Tomás Paiva, o plano do Exército é acelerar a aquisição de drones de diferentes categorias até 2028.
Os primeiros equipamentos deverão ser enviados para unidades consideradas estratégicas, como o Batalhão de Precursores, tropas especiais, Brigada Aeromóvel e a 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada.
Os chamados drones suicidas — utilizados em ataques de precisão — devem ser operados inicialmente por tropas especiais.
Além disso, pelotões localizados na faixa de fronteira poderão receber sistemas de monitoramento e vigilância aérea para ampliar o controle territorial em regiões consideradas vulneráveis.
O comandante também destacou que a Cavalaria deverá incorporar sistemas antidrones em blindados e carros de combate.
A preocupação das Forças Armadas não envolve apenas ameaças externas tradicionais, mas também o crescimento do crime organizado nas fronteiras brasileiras.
Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, aumentando ainda mais a pressão sobre os sistemas de segurança e defesa da América do Sul.
Para especialistas da área militar, esse tipo de classificação pode alterar a forma como operações internacionais de combate ao crime organizado são conduzidas futuramente.
Enquanto isso, o governo federal anunciou na sexta-feira, dia 29, o bloqueio de R$ 4,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa.
A decisão aumentou a preocupação dentro das Forças Armadas justamente no momento em que militares defendem investimentos acelerados em tecnologia, inteligência artificial, drones e sistemas modernos de combate.
Ainda assim, o Exército afirma que pretende manter os projetos considerados prioritários.
Exército vê tecnologia como única saída para proteger fronteiras gigantescas
O comandante Tomás Paiva destacou que a extensão territorial brasileira representa um dos maiores desafios estratégicos do País.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, atravessando diferentes biomas e áreas de difícil acesso.
Mesmo com 77 organizações militares espalhadas pela faixa de fronteira, o Exército admite dificuldades para garantir monitoramento integral dessas regiões.
Por isso, a aposta em drones, sensores inteligentes e sistemas automatizados passou a ser vista como fundamental.
“Temos de buscar soluções tecnológicas para mitigar o problema e melhorar a nossa atuação”, afirmou o comandante.
Nos bastidores militares, a avaliação é de que o Brasil entrou definitivamente na chamada “Era dos Drones”, em que tecnologia, inteligência e guerra eletrônica passam a ser tão importantes quanto blindados, tanques e armamentos tradicionais.
Ao mesmo tempo, cresce o receio de que o avanço das ameaças internacionais aconteça mais rápido do que a capacidade de modernização das Forças Armadas brasileiras.

-
2 pessoas reagiram a isso.