1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / O Japão fez a primeira mineração de terras-raras do mundo no fundo do mar, indo buscar a quilômetros de profundidade os metais que movem a alta tecnologia
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

O Japão fez a primeira mineração de terras-raras do mundo no fundo do mar, indo buscar a quilômetros de profundidade os metais que movem a alta tecnologia

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 04/06/2026 às 12:11
Atualizado em 04/06/2026 às 12:13
O Japão fez a primeira mineração de terras-raras do mundo no fundo do mar, indo buscar a quilômetros de profundidade os
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

O Japão realizou o que é apontado como a primeira mineração de terras-raras do mundo no fundo do mar, descendo a milhares de metros de profundidade para buscar os metais escondidos que movem celulares, carros elétricos e até armamentos de ponta.

Existe um grupo de metais que quase ninguém conhece pelo nome, mas dos quais o mundo inteiro depende. São as chamadas terras-raras, elementos essenciais para fabricar ímãs potentes, telas de celulares, motores de carros elétricos e equipamentos militares avançados. E o Japão acaba de dar um passo histórico para conseguir esses metais de um lugar inesperado, o fundo do oceano.

O país realizou o que é descrito como a primeira mineração de terras-raras no fundo do mar da história, descendo a milhares de metros de profundidade para coletar o material rico nesses elementos. É uma estreia mundial que pode mudar o jogo de um mercado hoje dominado quase por completo pela China, abrindo uma alternativa para quem quer escapar dessa dependência.

Os metais escondidos que o mundo disputa

Para entender a importância dessa façanha, é preciso entender o valor das terras-raras. Apesar do nome, elas não são exatamente raras na crosta da Terra, mas estão espalhadas e são difíceis de extrair e refinar de forma economicamente viável. Esses metais entram em quase tudo o que é alta tecnologia, dos fones de ouvido aos mísseis, e por isso viraram um recurso tão estratégico quanto o petróleo.

Confesso que me impressiona como dependemos tanto de algo que a maioria das pessoas nunca ouviu falar. Sem as terras-raras, não existem os ímãs minúsculos e poderosos que fazem funcionar desde um celular fino até um carro elétrico. Quem controla o fornecimento desses metais tem nas mãos uma peça-chave da economia moderna, e é por isso que a corrida por eles ficou tão acirrada.

Robô de mineração no fundo do mar
O Japão estreou a mineração de terras-raras no fundo do mar, a milhares de metros de profundidade.

Minerar no escuro das profundezas

Tirar minério do fundo do oceano é uma das tarefas mais difíceis que a engenharia pode encarar. Estamos falando de operar a milhares de metros de profundidade, num ambiente de escuridão total, frio extremo e uma pressão capaz de esmagar equipamentos. Para isso, são usados robôs submarinos e máquinas controladas a distância, que coletam o material do leito do mar e o enviam até a superfície.

Cada etapa dessa operação é um desafio tecnológico enorme. As máquinas precisam aguentar condições brutais por longos períodos, e qualquer falha lá embaixo é dificílima de consertar. Que o Japão tenha conseguido realizar essa mineração no fundo do mar de forma pioneira mostra um domínio impressionante da engenharia submarina, num feito que poucos países do mundo seriam capazes de repetir.

Vale entender por que o Japão se lançou justamente nesse caminho tão difícil. O país é pobre em recursos minerais em terra firme e sempre dependeu de importar quase tudo o que sua poderosa indústria consome. Mas o Japão possui uma das maiores áreas oceânicas do mundo, repleta de depósitos minerais ainda intocados no fundo do mar. Olhar para baixo, para as próprias águas profundas, é uma forma de transformar essa imensa área marítima numa fonte de riqueza estratégica. Em vez de continuar refém de fornecedores estrangeiros para as terras-raras, o país aposta em arrancar do próprio oceano os metais de que precisa, o que explica todo o esforço e o risco assumidos nessa estreia histórica.

Equipamento de mineração submarina sendo operado
Robôs submarinos coletam o minério no leito do mar e o enviam à superfície.

Quebrar o domínio da China

Há uma razão geopolítica enorme por trás desse esforço japonês. Hoje, a China domina de forma quase absoluta a extração e, principalmente, o refino das terras-raras, o que lhe dá um enorme poder de barganha sobre o resto do mundo. Países que dependem desses metais para sua indústria e sua defesa ficam vulneráveis a qualquer decisão chinesa de restringir o fornecimento.

Conseguir minerar terras-raras no fundo do mar daria ao Japão e a seus aliados uma fonte alternativa, reduzindo essa dependência perigosa. Não é exagero dizer que dominar essa tecnologia é uma questão de segurança nacional, porque garante o acesso aos metais sem os quais a tecnologia moderna simplesmente para. A estreia japonesa é, nesse sentido, um movimento estratégico de longo alcance.

O domínio chinês sobre as terras-raras não veio por acaso, e isso mostra o tamanho do desafio. A China passou décadas construindo toda a cadeia, da extração ao refino, aceitando inclusive o pesado custo ambiental de processar esses metais, que é sujo e complicado. Hoje, ela controla a maior parte do refino mundial, o que lhe dá uma alavanca poderosa nas disputas comerciais e geopolíticas. Cada vez que surge uma tensão, paira a ameaça de a China restringir o fornecimento e travar indústrias inteiras do outro lado do mundo. É justamente para escapar dessa vulnerabilidade que países como o Japão investem tanto em alternativas, mesmo as mais caras e difíceis, como ir buscar o minério no fundo do oceano.

Navio e equipamento de mineração no oceano
Minerar no oceano daria ao Japão uma alternativa ao domínio chinês das terras-raras.

O tesouro escondido no fundo do oceano

Fico imaginando a quantidade de riqueza que dorme no fundo dos oceanos, esperando que a tecnologia chegue até ela. O leito do mar é coberto de depósitos minerais valiosíssimos, e o Japão acaba de mostrar que é possível, ainda que com enorme dificuldade, ir buscá-los lá embaixo. É como abrir uma porta para uma nova fronteira de recursos, escondida sob quilômetros de água.

Essa estreia da mineração de terras-raras no fundo do mar pode marcar o começo de uma corrida pelos tesouros do oceano. Se a tecnologia amadurecer, o fundo do mar pode se tornar uma fonte importante dos metais que sustentam o mundo moderno. Resta equilibrar essa promessa com os cuidados ambientais, porque mexer nas profundezas pouco conhecidas do oceano exige responsabilidade tanto quanto ousadia.

Você sabia que os metais escondidos no fundo do mar podem ser tão estratégicos quanto o próprio petróleo?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x