Ganhador de 338 milhões de dólares na loteria, o dominicano Pedro Quezada viu sua vida mudar drasticamente após a fama e o dinheiro trazerem uma sequência de brigas, processos e acusações
Em todo o mundo, histórias de pessoas que se tornaram milionárias de um dia para o outro despertam curiosidade e fascínio.
No entanto, para alguns ganhadores da loteria, a fortuna trouxe mais problemas do que alegrias.
A trajetória de diferentes vencedores revela um padrão de excessos, brigas judiciais e até crimes.
-
Vai decorar o carro para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo? Adesivos nos vidros, bandeiras mal presas e mudanças na cor podem render multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e até retenção do veículo
-
John e David venderam sua empresa por US$ 1,5 bilhão, depois recompraram por apenas US$ 450 milhões e transformaram uma empresa de memória em um império bilionário puxado pela IA
-
Governo libera e novo RG pode ser solicitado do celular para ser entregue em casa com CPF como número único: Rio já emitiu 4,4 milhões de carteiras, documento é gratuito, tem QR Code, biometria e substitui o antigo RG até 2032.
-
Escondidas a 600 metros de profundidade, esferas gigantes de concreto podem usar a pressão do oceano para guardar energia limpa e enfrentar o maior gargalo da solar e da eólica
Pedro Quezada: da fortuna milionária ao isolamento na República Dominicana
Em 2013, o dominicano Pedro Quezada, então com 44 anos e morador de Nova Jersey, nos Estados Unidos, tornou-se milionário ao vencer o sorteio do Powerball, uma espécie de “Mega-Sena” dos Estados Unidos, e levar 338 milhões de dólares.
O que parecia o início de uma vida de prosperidade se transformou rapidamente em um pesadelo.
Logo após receber o prêmio, Quezada prometeu ajudar seus vizinhos pagando meses de aluguel.
Entretanto, pouco tempo depois, surgiram acusações públicas de que ele não havia cumprido a promessa.
Moradores chegaram a aparecer em programas de TV e até formaram filas em frente à sua casa exigindo dinheiro, transformando sua nova vida em um espetáculo público.
Poucos meses depois, sua ex-esposa entrou na Justiça cobrando pensões atrasadas dos três filhos.
O caso foi encerrado quando ele decidiu levar as crianças para morar com ele. Porém, a tranquilidade durou pouco. Sua então namorada, Inês Sanchez, processou-o alegando direito à metade do prêmio.
O tribunal rejeitou o pedido por não haver casamento formal, e o relacionamento terminou de forma conturbada.
Em 2017, a filha de Inês, então com 20 anos, o acusou de abuso ocorrido quando tinha 11. Quezada negou, não houve provas diretas, e ele passou um ano em prisão domiciliar até ser absolvido.
Segundo o canal Ferell Investor, o Pedro Quezada hoje vive na República Dominicana, onde investe em restaurantes na cidade de Jarabacoa.
Michael Carroll: o “rei dos excessos” britânico
Outro caso emblemático é o do britânico Michael Carroll, que ganhou £ 9,7 milhões na loteria nacional do Reino Unido em 2002, quando tinha apenas 19 anos.
Operário e morador de uma pequena cidade inglesa, ele virou celebridade instantânea e, pouco depois, manchete por seu comportamento autodestrutivo.
De acordo com o LadBible e o jornal The Week, Carroll gastava cerca de £ 2 mil por dia com todo tipo de diversão.
A fortuna, que parecia inesgotável, evaporou em menos de uma década.
Após desperdiçar todo o dinheiro com festas e vícios, ele foi declarado insolvente e acabou voltando a trabalhar em uma serralheria.
Jack Tanbini: da raspadinha ao tráfico de drogas
O escocês Jack Tanbini teve uma história ainda mais trágica. Em 2014, ele ganhou £ 100 mil em um bilhete de raspadinha.
O prêmio parecia promissor, mas rapidamente desapareceu. Conforme o The Scottish Sun, Tanbini esbanjou o dinheiro e, com o tempo, acabou se envolvendo com o tráfico.
Em 2022, a polícia da Escócia encontrou mais de £ 150 mil em entorpecentes de alta pureza na casa dele, além de grandes quantias em dinheiro vivo e equipamentos usados para distribuição.
O caso terminou com uma condenação de cinco anos e cinco meses de prisão, imposta pela Corte de Edimburgo em janeiro de 2025.
Didier Reynders: bilhetes de loteria e suspeita de lavagem de dinheiro
Nem sempre é o acaso que coloca a loteria no centro de escândalos. Na Bélgica, o ex-comissário europeu e ex-ministro Didier Reynders passou a ser investigado por lavagem de dinheiro envolvendo bilhetes da Loteria Nacional Belga.
Segundo o Le Monde, o Ministério Público Federal de Bruxelas abriu uma investigação em dezembro de 2024 para apurar transações suspeitas que somam até € 800 mil ao longo de dez anos.
As autoridades acreditam que Reynders comprava grandes quantidades de bilhetes para justificar movimentações financeiras, mascarando a origem do dinheiro.
Sua residência chegou a ser alvo de buscas policiais, mas o político ainda não foi formalmente acusado, pois mantém imunidade diplomática.
O caso abalou a imagem do ex-comissário e colocou em debate o uso de sistemas de loteria em esquemas financeiros ilegais.
Willie Hurt: da sorte ao crime
Outro caso americano é o de Willie Hurt, morador de Michigan. Ele ganhou US$ 3,1 milhões na Super Loteria Estadual no verão de 1989. No entanto, dois anos depois, perdeu todo o dinheiro e foi acusado de assassinato.
Segundo a Associated Press, as autoridades o acusaram de atirar fatalmente em uma mulher de 30 anos após uma discussão motivada pela falta de crack para consumo. O tribunal ordenou uma avaliação psiquiátrica, mas o desfecho final do caso permanece incerto. A história de Hurt é lembrada como uma das mais sombrias ligadas à loteria norte-americana.
Amanda Clayton: a milionária que fraudou o sistema de auxílio
Em 2012, o nome de Amanda Clayton, moradora de Michigan, ganhou as manchetes após ela vencer o programa “Make Me Rich!” e receber US$ 1 milhão.
Apesar da fortuna, continuou recebendo cupons de alimentação, o que levou à sua prisão por fraude previdenciária.
Segundo o Detroit Free Press, Clayton foi condenada a nove meses de liberdade condicional. Pouco tempo depois, a polícia informou que ela morreu de uma possível overdose de drogas, encerrando de forma trágica sua curta trajetória de riqueza.
O caso causou revolta pública nos Estados Unidos, já que o episódio levantou questionamentos sobre a falta de acompanhamento de beneficiários que ganham prêmios de loteria, e sobre o impacto psicológico do súbito enriquecimento.
O preço oculto da sorte
Os casos mostram que a riqueza inesperada pode carregar armadilhas perigosas. Em comum, todos enfrentaram problemas legais, dependência, isolamento ou tragédias pessoais após conquistar a fortuna.
Embora as histórias se passem em países diferentes, os resultados se assemelham: a falta de preparo emocional e financeiro diante da súbita mudança de vida.
Para especialistas e autoridades, essas narrativas servem como alerta sobre os riscos de transformar sorte em ruína — um lembrete de que nem todo bilhete premiado traz felicidade duradoura.

-
-
-
-
-
12 pessoas reagiram a isso.