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O homem que se arrependeu de ficar milionário: ganhou 338 milhões de dólares, viu a vida mudar da noite para o dia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 25/10/2025 às 00:00
Atualizado em 26/10/2025 às 19:11
O homem que se arrependeu de ficar milionário
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Ganhador de 338 milhões de dólares na loteria, o dominicano Pedro Quezada viu sua vida mudar drasticamente após a fama e o dinheiro trazerem uma sequência de brigas, processos e acusações

Em todo o mundo, histórias de pessoas que se tornaram milionárias de um dia para o outro despertam curiosidade e fascínio.

No entanto, para alguns ganhadores da loteria, a fortuna trouxe mais problemas do que alegrias.

A trajetória de diferentes vencedores revela um padrão de excessos, brigas judiciais e até crimes.

Pedro Quezada: da fortuna milionária ao isolamento na República Dominicana

Em 2013, o dominicano Pedro Quezada, então com 44 anos e morador de Nova Jersey, nos Estados Unidos, tornou-se milionário ao vencer o sorteio do Powerball, uma espécie de “Mega-Sena” dos Estados Unidos, e levar 338 milhões de dólares.

O que parecia o início de uma vida de prosperidade se transformou rapidamente em um pesadelo.

Logo após receber o prêmio, Quezada prometeu ajudar seus vizinhos pagando meses de aluguel.

Entretanto, pouco tempo depois, surgiram acusações públicas de que ele não havia cumprido a promessa.

Moradores chegaram a aparecer em programas de TV e até formaram filas em frente à sua casa exigindo dinheiro, transformando sua nova vida em um espetáculo público.

Poucos meses depois, sua ex-esposa entrou na Justiça cobrando pensões atrasadas dos três filhos.

O caso foi encerrado quando ele decidiu levar as crianças para morar com ele. Porém, a tranquilidade durou pouco. Sua então namorada, Inês Sanchez, processou-o alegando direito à metade do prêmio.

O tribunal rejeitou o pedido por não haver casamento formal, e o relacionamento terminou de forma conturbada.

Em 2017, a filha de Inês, então com 20 anos, o acusou de abuso ocorrido quando tinha 11. Quezada negou, não houve provas diretas, e ele passou um ano em prisão domiciliar até ser absolvido.

Segundo o canal Ferell Investor, o Pedro Quezada hoje vive na República Dominicana, onde investe em restaurantes na cidade de Jarabacoa.

Michael Carroll: o “rei dos excessos” britânico

Outro caso emblemático é o do britânico Michael Carroll, que ganhou £ 9,7 milhões na loteria nacional do Reino Unido em 2002, quando tinha apenas 19 anos.

Operário e morador de uma pequena cidade inglesa, ele virou celebridade instantânea e, pouco depois, manchete por seu comportamento autodestrutivo.

De acordo com o LadBible e o jornal The Week, Carroll gastava cerca de £ 2 mil por dia com todo tipo de diversão.

A fortuna, que parecia inesgotável, evaporou em menos de uma década.

Após desperdiçar todo o dinheiro com festas e vícios, ele foi declarado insolvente e acabou voltando a trabalhar em uma serralheria.

Jack Tanbini: da raspadinha ao tráfico de drogas

O escocês Jack Tanbini teve uma história ainda mais trágica. Em 2014, ele ganhou £ 100 mil em um bilhete de raspadinha.

O prêmio parecia promissor, mas rapidamente desapareceu. Conforme o The Scottish Sun, Tanbini esbanjou o dinheiro e, com o tempo, acabou se envolvendo com o tráfico.

Em 2022, a polícia da Escócia encontrou mais de £ 150 mil em entorpecentes de alta pureza na casa dele, além de grandes quantias em dinheiro vivo e equipamentos usados para distribuição.

O caso terminou com uma condenação de cinco anos e cinco meses de prisão, imposta pela Corte de Edimburgo em janeiro de 2025.

Didier Reynders: bilhetes de loteria e suspeita de lavagem de dinheiro

Nem sempre é o acaso que coloca a loteria no centro de escândalos. Na Bélgica, o ex-comissário europeu e ex-ministro Didier Reynders passou a ser investigado por lavagem de dinheiro envolvendo bilhetes da Loteria Nacional Belga.

Segundo o Le Monde, o Ministério Público Federal de Bruxelas abriu uma investigação em dezembro de 2024 para apurar transações suspeitas que somam até € 800 mil ao longo de dez anos.

As autoridades acreditam que Reynders comprava grandes quantidades de bilhetes para justificar movimentações financeiras, mascarando a origem do dinheiro.

Sua residência chegou a ser alvo de buscas policiais, mas o político ainda não foi formalmente acusado, pois mantém imunidade diplomática.

O caso abalou a imagem do ex-comissário e colocou em debate o uso de sistemas de loteria em esquemas financeiros ilegais.

Willie Hurt: da sorte ao crime

Outro caso americano é o de Willie Hurt, morador de Michigan. Ele ganhou US$ 3,1 milhões na Super Loteria Estadual no verão de 1989. No entanto, dois anos depois, perdeu todo o dinheiro e foi acusado de assassinato.

Segundo a Associated Press, as autoridades o acusaram de atirar fatalmente em uma mulher de 30 anos após uma discussão motivada pela falta de crack para consumo. O tribunal ordenou uma avaliação psiquiátrica, mas o desfecho final do caso permanece incerto. A história de Hurt é lembrada como uma das mais sombrias ligadas à loteria norte-americana.

Amanda Clayton: a milionária que fraudou o sistema de auxílio

Em 2012, o nome de Amanda Clayton, moradora de Michigan, ganhou as manchetes após ela vencer o programa “Make Me Rich!” e receber US$ 1 milhão.

Apesar da fortuna, continuou recebendo cupons de alimentação, o que levou à sua prisão por fraude previdenciária.

Segundo o Detroit Free Press, Clayton foi condenada a nove meses de liberdade condicional. Pouco tempo depois, a polícia informou que ela morreu de uma possível overdose de drogas, encerrando de forma trágica sua curta trajetória de riqueza.

O caso causou revolta pública nos Estados Unidos, já que o episódio levantou questionamentos sobre a falta de acompanhamento de beneficiários que ganham prêmios de loteria, e sobre o impacto psicológico do súbito enriquecimento.

O preço oculto da sorte

Os casos mostram que a riqueza inesperada pode carregar armadilhas perigosas. Em comum, todos enfrentaram problemas legais, dependência, isolamento ou tragédias pessoais após conquistar a fortuna.

Embora as histórias se passem em países diferentes, os resultados se assemelham: a falta de preparo emocional e financeiro diante da súbita mudança de vida.

Para especialistas e autoridades, essas narrativas servem como alerta sobre os riscos de transformar sorte em ruína — um lembrete de que nem todo bilhete premiado traz felicidade duradoura.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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