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John e David venderam sua empresa por US$ 1,5 bilhão, depois recompraram por apenas US$ 450 milhões e transformaram uma empresa de memória em um império bilionário puxado pela IA

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 19/06/2026 às 11:03
Atualizado em 19/06/2026 às 11:05
Kingston cresce após recompra bilionária e vira gigante global de memória e armazenamento
David Sun (à esquerda) e John Tu, da Kingston Technology. Al Schaben/Los (Foto: Angeles Times)
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A Kingston nasceu depois de uma perda quase total na Bolsa, passou pelas mãos do SoftBank e voltou para seus fundadores por uma fração do preço

A história da Kingston Technology parece improvável até para os padrões do Vale do Silício. Dois engenheiros imigrantes, John Tu e David Sun, venderam parte majoritária da empresa por US$ 1,5 bilhão em 1996 e, apenas três anos depois, recompraram a mesma fatia por US$ 450 milhões.

Hoje, a companhia continua privada, sem o vaivém de Wall Street, mas ocupa posição de destaque no mercado global de memórias, SSDs, cartões e soluções de armazenamento. Em 2025, a Kingston apareceu na lista da Forbes entre as maiores empresas privadas dos Estados Unidos, com receita anual de cerca de US$ 14,4 bilhões.

O que torna essa trajetória ainda mais rara é que Tu e Sun não apenas recuperaram o controle da empresa. Eles fizeram isso em um setor extremamente cíclico, onde preços de memória sobem e desabam conforme a demanda por computadores, servidores, data centers e, mais recentemente, inteligência artificial.

Uma amizade nascida no basquete abriu caminho para uma das histórias mais curiosas da tecnologia

John Tu nasceu na China e David Sun nasceu em Taiwan
Kingston cresce após recompra bilionária e vira gigante global de memória e armazenamento.

John Tu nasceu na China e David Sun nasceu em Taiwan. Os dois chegaram aos Estados Unidos em busca de oportunidades e acabaram se conhecendo em Los Angeles, durante partidas de basquete, antes de virarem sócios em negócios de tecnologia.

Os dois estudaram engenharia elétrica e fundaram uma primeira empresa, a Camintonn, especializada em produtos de memória. O negócio foi vendido em 1986 por cerca de US$ 6 milhões, valor que parecia garantir um futuro tranquilo.

Mas a tranquilidade durou pouco. Após o crash da Bolsa em 1987, conhecido como Black Monday, os dois perderam grande parte do dinheiro investido. Em vez de abandonar o setor, decidiram recomeçar.

Foi nesse contexto que surgiu a Kingston Technology, fundada em 1987, em Orange County, na Califórnia. De acordo com a própria Kingston, o primeiro produto da empresa foi um módulo de memória desenvolvido para computadores, em um momento em que os PCs começavam a se espalhar por escritórios e residências.

O negócio simples que virou uma potência sem fabricar seus próprios chips

A Kingston cresceu com uma estratégia direta. A empresa não se tornou uma fabricante de semicondutores no estilo Samsung, SK Hynix ou Micron. Seu foco foi comprar componentes, montar módulos de memória, testar produtos e entregar soluções confiáveis para consumidores, empresas, fabricantes de computadores e distribuidores.

Esse modelo pode parecer menos glamouroso do que construir fábricas bilionárias de chips, mas funcionou. Em 1988, a Kingston passou a oferecer garantia vitalícia para produtos de DRAM, algo incomum na época. Em 1989, a companhia começou a testar individualmente seus produtos, criando uma reputação forte em qualidade.

Segundo o histórico oficial da Kingston, em 1995 a companhia ultrapassou US$ 1,3 bilhão em vendas. No ano seguinte, a empresa já era vista como uma das grandes histórias de sucesso da tecnologia no sul da Califórnia.

A lógica era simples, mas difícil de executar: entregar memória confiável em escala, com suporte técnico, boa relação com distribuidores e atenção ao mercado corporativo. Esse conjunto colocou a Kingston em posição privilegiada justamente quando computadores pessoais, servidores e dispositivos digitais passaram a exigir cada vez mais memória.

O SoftBank pagou caro no auge e vendeu barato quando o mercado mudou

Em agosto de 1996, o SoftBank, grupo japonês liderado por Masayoshi Son, comprou 80% da Kingston por US$ 1,5 bilhão. Tu e Sun continuaram à frente da gestão e mantiveram uma participação de 20% na companhia.

O negócio chamou atenção não apenas pelo valor. Os fundadores decidiram distribuir US$ 100 milhões em bônus aos funcionários, gesto que virou símbolo da cultura interna da Kingston e reforçou a imagem de uma empresa que crescia sem romper com sua base.

Mas o mercado de memória mudou rapidamente. O setor é conhecido por ciclos de escassez e excesso de oferta. Quando há falta de componentes, os preços sobem e as margens aumentam. Quando a oferta cresce demais, os preços caem com força.

Foi esse ambiente que abriu espaço para uma virada incomum. Em julho de 1999, Tu e Sun comprariam de volta os mesmos 80% da Kingston por US$ 450 milhões, um terço do valor da venda feita três anos antes. O SoftBank, naquele momento, queria concentrar capital em empresas de internet, enquanto a Kingston ainda enfrentava os efeitos da queda nos preços de memória.

A recompra devolveu aos fundadores o controle de uma empresa que continuou crescendo

A recompra da Kingston virou um caso raro de “vender caro e comprar barato” no mundo da tecnologia. Tu e Sun receberam uma fortuna na venda, mantiveram influência na operação e, depois, retomaram o controle por um valor muito menor.

A diferença é que a Kingston não desapareceu após a transação. Pelo contrário. A empresa ampliou sua atuação em cartões de memória, pen drives, SSDs, módulos DRAM, produtos para gamers, soluções criptografadas e armazenamento corporativo.

De acordo com a Kingston, a companhia entrou no mercado de cartões flash em 1999, lançou seus primeiros USB drives em 2001 e criou a divisão Kingston Digital em 2003. Essas decisões ajudaram a empresa a acompanhar a mudança do mercado, que saiu do computador de mesa tradicional e avançou para câmeras digitais, notebooks, celulares, servidores, data centers e dispositivos conectados.

Esse ponto explica por que a história da Kingston não é apenas uma curiosidade financeira. A empresa atravessou várias fases da tecnologia mantendo a estrutura privada e o controle nas mãos dos fundadores.

A inteligência artificial colocou memória e armazenamento no centro da nova corrida tecnológica

O crescimento recente da inteligência artificial voltou a colocar memória e armazenamento no centro da indústria. Modelos de IA, data centers e serviços em nuvem exigem enormes volumes de DRAM, NAND, SSDs e soluções de alta velocidade.

Em relatório citado pela Kingston em outubro de 2025, a Kingston manteve a liderança global entre fornecedores terceirizados de módulos DRAM em 2024, com 66% de participação estimada por receita. O mesmo levantamento apontou que o mercado de módulos DRAM cresceu 7% em 2024, após queda no ano anterior.

A própria dinâmica do setor ajuda a explicar o novo valor estratégico da empresa. Quando fabricantes priorizam memórias de alta largura de banda e DDR5 para servidores, outros tipos de memória podem ficar mais apertados, pressionando preços e aumentando a importância de empresas capazes de distribuir produtos em escala.

Em 2026, Tu e Sun viram suas fortunas crescerem com a onda de demanda por memória ligada à IA. A publicação apontou que os dois continuam donos da Kingston em partes iguais, um detalhe raro em uma indústria marcada por aberturas de capital, fundos, fusões e aquisições.

A Kingston mostra como uma empresa discreta virou gigante sem abrir capital

A Kingston não tem a mesma visibilidade de gigantes como Nvidia, Microsoft ou Apple, mas seus produtos estão presentes em computadores, notebooks, servidores, câmeras, celulares, dispositivos IoT e sistemas corporativos. É o tipo de empresa que trabalha nos bastidores da tecnologia, mas sustenta uma parte essencial da infraestrutura digital.

Em janeiro de 2026, a Kingston anunciou que subiu para a 28ª posição na lista Forbes de maiores empresas privadas dos Estados Unidos em 2025. A companhia também afirmou permanecer como a principal empresa da categoria de hardware e equipamentos de tecnologia dentro do ranking.

O caso chama atenção porque Tu e Sun seguiram um caminho diferente do roteiro tradicional do Vale do Silício. Eles não abriram capital, não entregaram o controle a investidores externos e não transformaram a companhia em uma máquina de aquisições barulhentas.

A Kingston cresceu de maneira mais silenciosa, baseada em produto, distribuição, qualidade e relacionamento com clientes. E, justamente por isso, virou um exemplo de como uma empresa pode se tornar gigante sem estar diariamente no centro das manchetes.

Uma perda quase total virou o começo de uma fortuna ainda maior

A trajetória de John Tu e David Sun reúne crise, timing, disciplina e uma dose rara de paciência empresarial. Eles perderam dinheiro no crash de 1987, fundaram uma empresa no mesmo ano, venderam a maior parte dela em 1996 e recompraram o controle em 1999 por um valor muito menor.

Mais de três décadas depois, a Kingston continua relevante porque atua em um dos pontos mais sensíveis da economia digital: memória e armazenamento. Sem esses componentes, computadores, celulares, servidores, nuvem e inteligência artificial simplesmente não funcionam na escala exigida pelo mercado atual.

A história também mostra que nem toda gigante da tecnologia nasce de aplicativos, redes sociais ou carros elétricos. Às vezes, o império está em peças pequenas, quase invisíveis para o consumidor comum, mas indispensáveis para fazer o mundo digital continuar rodando.

Você acha que a recompra da Kingston foi genialidade, sorte ou uma mistura das duas coisas? Deixe sua opinião nos comentários e conte se já conhecia a história de John Tu, David Sun e da empresa por trás de tantas memórias e SSDs usados no mundo.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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