Chamado de homem mais forte em 2017, Eddie Hall entrou no laboratório de Loughborough para um protocolo rigoroso com ressonância magnética 3,0 T e testes de agachamento, salto e puxada isométrica. O estudo mediu 22 músculos da perna, tendão patelar e encontrou volume até três vezes maiores em estabilizadores chave.
O rótulo de homem mais forte costuma sugerir braços gigantes e força que nasce apenas do tronco. Foi essa impressão que levou pesquisadores a buscar um caso extremo, colocando Eddie Hall, campeão mundial de 2017, em um conjunto de medições que tenta separar mito e biomecânica.
Nos 15 anos anteriores ao contato dos pesquisadores, Eddie Hall manteve um regime consistente de treino de resistência para a parte superior e inferior do corpo. Doze meses antes do teste, o plano incluía agachamento, levantamento terra, leg press, extensão de joelho, supino, desenvolvimento de ombros, remada com halteres e elevação lateral, com um requisito: abster-se de atividade extenuante por 24 horas.
Quem é Eddie Hall no recorte do homem mais forte

Eddie Hall carregava, em 2017, o título oficial de homem mais forte do mundo, somado a cinco títulos de homem mais forte da Grã-Bretanha e um segundo lugar na competição europeia.
-
“Não parece a Índia”: arquiteto britânico elogia planejamento urbano, limpeza e segurança dessa cidade planejada em um país com 1.476.625.576 habitantes
-
Enquanto o nome Trump volta ao mercado imobiliário de alto padrão, Ivanka Trump anuncia o projeto Sazan; ilha mediterrânea deve reunir hotéis, praias, lazer e residências exclusivas
-
Desempregado e com um filho para sustentar, Joab transformou café quente em recomeço: acorda às 2h, vende na Anhanguera, deixa motoristas pagarem depois pelo “Pix da confiança” e conquista a internet mesmo quando alguns seguem viagem sem depositar
-
Triângulo das Bermudas: mistério real está no fundo da Terra e não nos navios desaparecidos; cientistas encontram camada rochosa de 20 km sob o Atlântico, formada há mais de 30 milhões de anos a quase 50 km de profundidade
Ele também foi bicampeão mundial de levantamento terra e detinha o recorde mundial citado na modalidade, levantando 500 kg.
A escolha do atleta não foi aleatória.
Compreender a força muscular importa para desempenho atlético, prevenção de lesões e envelhecimento saudável, e o objetivo declarado era investigar o que tornava Eddie Hall extraordinariamente forte e se os resultados poderiam beneficiar atletas e não atletas.
Como o laboratório mediu músculos, tendões e desempenho

A primeira etapa foi a ressonância magnética de 3,0 T, usada para avaliar o tamanho de 22 músculos individuais dos membros inferiores, cinco grupos musculares funcionais e a área de secção transversal do tendão patelar.
Esse tipo de exame gera um campo magnético duas vezes mais forte do que uma ressonância magnética padrão de 1,5 T, produzindo imagens mais nítidas, especialmente de ossos, articulações e músculos.
Na sequência, Eddie Hall realizou agachamento até uma profundidade escolhida por ele, saltos com foco em máxima altura e uma puxada isométrica até o meio da coxa, semelhante ao levantamento terra, com a barra estacionária.
O agachamento foi tratado como medida confiável de potência da parte inferior do corpo, enquanto o levantamento terra avaliou a força do corpo inteiro e a capacidade de produzir força.
O que os números revelaram além do “tamanho do músculo”
Para contextualizar o homem mais forte, os pesquisadores compararam forma, formato e estrutura de músculos e tendões com atletas treinados e não treinados.
O volume muscular total dos 22 músculos da perna de Eddie Hall ficou quase o dobro do observado em indivíduos não treinados, com aumento de 96%. Em relação a atletas sub-elite, foi 63% maior, e 32% maior do que velocistas de elite dos 100 metros.
A diferença mais marcante apareceu nos chamados “cordões tendinosos”, o trio sartório, grácil e semitendinoso, associado à estabilização da pelve e do fêmur.
Os valores de Eddie Hall chegaram a ser até três vezes maiores que os de indivíduos não treinados, com 140% no grácil, 157% no semitendinoso e 202% no sartório.
A leitura sugere que estabilizadores podem pesar mais do que se imaginava quando o assunto é erguer e carregar cargas muito altas.
O levantamento também apontou diferenças relevantes no grupo de músculos da planta do pé, ligado à extensão dos dedos e à estabilização de tendões sob força.
Nesse conjunto, Eddie Hall ficou 120% acima de indivíduos não treinados, 100% acima de velocistas sub-elite e 70% acima de velocistas de elite, reforçando que partes menos visíveis do corpo podem sustentar desempenho.
Potência no agachamento e força no levantamento terra
No levantamento terra, a força bruta máxima de Eddie Hall foi 54% maior do que a do grupo comparável de maior nível citado, levantadores sub-elite.
Já a força líquida máxima na puxada isométrica até o meio da coxa foi 100% maior do que a de jogadores de futebol americano universitários.
No agachamento, a potência máxima foi mais de 2,5 vezes superior ao grupo não treinado, com ganho de 164%, e 51% maior do que a do grupo comparável de maior potência citado, jogadores profissionais de basquete.
A menor diferença apareceu onde muitos esperariam o contrário, nos músculos flexores do quadril: 65% acima de não treinados, 30% acima de velocistas sub-elite e 5% acima de velocistas de elite.
Por que isso vira pista para envelhecer com mais autonomia
A conclusão assinada por Jonathan Folland, autor principal, foi que a parte superior do corpo não se mostrou tão crucial para explicar a força extrema quanto o imaginado.
Em vez disso, o maior desenvolvimento muscular ocorreu justamente fora dos grandes músculos mais óbvios, nos estabilizadores do “cordão resistente”, que sustentam pelve e coxa.
Ao ligar o caso do homem mais forte à função muscular, os autores reforçaram que o sistema muscular é adaptável e que o maior desenvolvimento aparece nos músculos mais usados e treinados.
A ponte com autonomia está no ponto central do estudo: se força muscular influencia desempenho, prevenção de lesões e envelhecimento saudável, entender quais músculos sustentam o movimento muda prioridades.
Se você acompanha ciência do esporte, vale observar como o homem mais forte ajuda a colocar músculos estabilizadores na pauta e a tratar agachamento e levantamento terra como mais do que números na barra.
O que mais te surpreende no homem mais forte: a ressonância magnética, o agachamento ou o levantamento terra?


Os tendões dele ser bem maiores do que de uma pessoa normal.