1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. O fundador da Casio recusou o luxo, criou relógios baratos, ‘indestrutíveis’ e precisos, e acabou construindo um dos impérios tecnológicos mais influentes do planeta
10 comentários 5 min de leitura

O fundador da Casio recusou o luxo, criou relógios baratos, ‘indestrutíveis’ e precisos, e acabou construindo um dos impérios tecnológicos mais influentes do planeta

Imagem de perfil do autor Valdemar Medeiros
Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 27/11/2025 às 01:35
Assista o vídeoO fundador da Casio recusou o luxo, criou relógios baratos, 'indestrutíveis' e precisos, e acabou construindo um dos impérios tecnológicos mais influentes do planeta
O fundador da Casio recusou o luxo, criou relógios baratos, ‘indestrutíveis’ e precisos, e acabou construindo um dos impérios tecnológicos mais influentes do planeta
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
46 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

A história de Tadao Kashio, fundador da Casio, mostra como relógios baratos, precisos e indestrutíveis transformaram a marca em um império global da tecnologia.

Para entender por que a Casio se tornou uma das marcas mais populares e resilientes do mundo, é preciso voltar ao Japão devastado do pós-Segunda Guerra Mundial. Em 1946, Tadao Kashio, filho de uma família humilde, iniciou um pequeno negócio em Tóquio fabricando cachimbos para cigarros, artefatos simples que ajudavam a economizar tabaco, então escasso. O país tentava se reerguer, e Tadao já demonstrava a filosofia que guiaria toda a sua trajetória: criar soluções simples, baratas e úteis para milhões de pessoas comuns.

A virada aconteceu alguns anos depois, quando seus irmãos se juntaram à empresa e começaram a desenvolver calculadoras compactas. Em 1957, a Casio lançava a Casio 14-A, uma das primeiras calculadoras totalmente elétricas do mundo. Ela marcava a entrada oficial da empresa no ramo da tecnologia e antecipava a obsessão de Tadao Kashio por engenharia de precisão acessível.

Enquanto concorrentes japonesas, suíças e norte-americanas investiam em máquinas caras, pesadas e restritas ao ambiente corporativo, Tadao entendia o óbvio que ninguém via: o futuro estava na massificação, não no elitismo. Essa lógica guiaria todos os próximos passos da empresa.

Relógios práticos, baratos e indestrutíveis: como a Casio enfrentou o luxo e ganhou

Em 1974, a Casio entrou oficialmente no mercado de relógios ao lançar o Casiotron, o primeiro modelo digital do mundo com função de calendário totalmente automática.

Mas o grande impacto ainda estava por vir. Na década de 1980, quando a indústria relojoeira era dominada pelo prestígio suíço e por marcas que apostavam em luxo, exclusividade e tradição artesanal, a Casio caminhou na direção oposta: relógios extremamente baratos, ultra resistentes, cheios de tecnologia e feitos para durar.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Foi nesse contexto que nasceu o G-Shock, idealizado por Kikuo Ibe, engenheiro da Casio que tinha um objetivo quase impossível: criar um relógio que nunca quebrasse.

Mais de 200 protótipos falharam. Os testes incluíam arremessar relógios pela janela do prédio e deixá-los cair de alturas maiores que 10 metros.

Quando o DW-5000C ficou pronto, em 1983, era diferente de tudo o que existia no planeta: caixa reforçada, cavidade interna com núcleo flutuante, resistência a impacto, vibração, quedas, lama, imersão em água e choques térmicos.

O relógio era praticamente inquebrável, como prometia a campanha.

A aposta parecia arriscada, mas foi explosiva. Policiais, operários, mergulhadores, soldados, bombeiros e profissionais de resgate começaram a adotar o G-Shock como ferramenta de trabalho porque ele era barato e suportava situações que destruiríam qualquer relógio comum.

Quarenta anos depois, o G-Shock já ultrapassou 100 milhões de unidades vendidas, alguns modelos resistem a pressões de 200 metros, e versões militares suportam testes equivalentes a condições de guerra.

Tadao Kashio criou algo que a indústria nunca entendeu: um relógio que não era joia – era ferramenta.

A filosofia de Tadao Kashio era simples, mas brilhante: “Se for útil, durável e acessível, vence.”

Foi assim que a Casio expandiu sua atuação não apenas com relógios, mas em todas as frentes de tecnologia pessoal:

  • calculadoras científicas e financeiras
  • teclados musicais
  • sintetizadores
  • câmeras digitais
  • instrumentos eletrônicos
  • sistemas corporativos
  • relógios esportivos, militares e outdoor
Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Os números mostram o tamanho desse impacto:

  • A Casio já vendeu mais de 1 bilhão de calculadoras no mundo.
  • A linha F-91W, lançada em 1991, vende cerca de 3 milhões de unidades por ano até hoje.
  • Os pianos digitais Casio Privia são referência global no segmento de entrada e intermediário.
  • O G-Shock é considerado o relógio mais resistente já produzido em escala industrial.

Enquanto concorrentes lutavam por espaço no mercado de luxo, Tadao Kashio construiu uma fortaleza comercial baseada no uso cotidiano, na engenharia robusta e na simplicidade tecnológica que raramente falha.

Era o oposto do supérfluo. Era o essencial.

Por que a estratégia de Tadao Kashio ainda funciona quase meio século depois

O mundo mudou, os smartwatches surgiram, marcas de luxo criaram coleções digitais, mas nada disso impediu a Casio de continuar crescendo porque sua filosofia inicial permanece intacta.

Hoje, o consumidor comum percebe algo que Tadao Kashio já sabia na década de 1950:

  • baterias de relógios inteligentes duram um dia
  • telas quebram facilmente
  • preço é alto
  • manutenção é cara
  • durabilidade é limitada

Enquanto isso, um Casio F-91W funciona por 7 anos com uma única pilha.
Um G-Shock sobrevive a quedas, impactos, água e pressão que esmagariam outros dispositivos.
E o preço ainda é uma fração das alternativas.

A estratégia de Tadao Kashio venceu porque não depende de moda, nem de tendência: depende de necessidade real. Relógio para trabalhar, para atividades pesadas, para uso ao ar livre, para missões militares, para emergências. Objetos feitos para durar.

O luxo passa.
A utilidade fica.
E a Casio é utilidade pura.

A herança de Tadao Kashio para a indústria e para o mundo

Quando Tadao Kashio morreu em 1993, deixou para trás muito mais que uma empresa lucrativa.
Deixou uma cultura.

A cultura de que tecnologia deve servir às pessoas, não criar barreiras. De que preço não precisa ser um obstáculo. E de que inovação verdadeira não é cosmética, é funcional.

É por isso que milhões de pessoas no mundo como operários, estudantes, mergulhadores, soldados, professores, caminhoneiros, atletas — ainda usam Casio diariamente.

A marca se tornou parte da vida comum. E essa talvez seja sua maior vitória.

Inscreva-se
Notificar de
guest
10 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Biplob Prasad
Biplob Prasad
03/12/2025 14:53

Thank You Lord Your Wishing,,,

João
João
01/12/2025 16:12

Eu tenho vários casios dos anos 80 e 90 e mais os dos anos 2000 pra cá.
Sou fã da marca casio.
Meu primeiro casio nos anos 80 foi um relógio calculadora que até hoje tenho junto dos 200 relógios casio.

Jean
Jean
01/12/2025 08:09

Casio, o meu primeiro relógio. Paixão pra toda vida

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
10
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x