O Exército Brasileiro realizou em 20 de maio uma reunião bilateral com a Diretoria Nacional de Armamentos do Ministério da Defesa da Itália para avançar na aquisição de 96 blindados Centauro II equipados com canhão de 120 mm, três baterias do sistema antiaéreo EMADS da MBDA e drones armados de categoria 3. O contrato dos blindados, firmado em 2022 por 900 milhões de euros, prevê entrega ao longo de 15 anos. O sistema EMADS será o primeiro de defesa antiaérea de médio alcance operado por forças armadas na América Latina.
O Exército Brasileiro está negociando com a Itália um pacote de armamentos que pode ultrapassar R$ 8 bilhões e transformar a capacidade operacional das forças terrestres do país. Na terça-feira (20), representantes do Comando Logístico do Exército Brasileiro se reuniram com a Diretoria Nacional de Armamentos do Ministério da Defesa italiano no Quartel-General do Exército, em Brasília, para alinhar detalhes sobre três aquisições simultâneas: 96 blindados de combate Centauro II com canhão de 120 mm, três baterias do sistema de defesa antiaérea EMADS e sistemas de aeronaves remotamente pilotadas armadas.
O encontro é o passo mais concreto até agora em uma negociação que envolve tecnologia militar inédita no Brasil e na América Latina. O Exército Brasileiro já opera duas unidades do Centauro II adquiridas como lote inicial de teste, entregues em maio de 2025 na guarnição de Santa Maria. Os resultados dos testes e a implantação da doutrina de combate com canhão de 120 mm abriram caminho para a compra das 96 unidades restantes, completando o contrato de 900 milhões de euros firmado em dezembro de 2022.
Os 96 blindados Centauro II e o que eles mudam

O Centauro II é uma viatura blindada de combate 8×8, fabricada pelo consórcio italiano Iveco-Oto Melara, equipada com canhão de 120 mm e blindagem capaz de resistir a minas terrestres, explosivos improvisados e munições cinéticas. Cada unidade custa aproximadamente R$ 51 milhões, e o Exército Brasileiro planeja usar os 96 blindados para modernizar as tropas mecanizadas que operam em regiões de fronteira e em cenários de projeção de força.
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O primeiro destino confirmado para o Centauro II é Roraima, onde o Exército Brasileiro reforça a presença militar na fronteira com Venezuela e Guiana em meio à disputa pelo território de Essequibo. O blindado combina mobilidade de rodas com poder de fogo equivalente ao de um tanque convencional, podendo operar em estradas, terrenos irregulares e ambientes urbanos. A aquisição é parte de um programa que prevê gastos de R$ 3 bilhões anuais entre 2026 e 2031 em modernização das forças terrestres.
O sistema EMADS e a defesa antiaérea que o Brasil nunca teve

A segunda peça da negociação é o sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions), da MBDA italiana. O Exército Brasileiro formalizou a escolha do sistema por meio da Portaria EME/C Ex nº 1.086, publicada em 22 de dezembro de 2025. O EMADS será o primeiro sistema de defesa antiaérea de médio alcance operado por qualquer força armada na América Latina, com capacidade de interceptar drones e mísseis de cruzeiro.
O Exército Brasileiro negocia a compra de três baterias, cada uma composta por seis veículos lançadores, radares e veículos auxiliares. Cada lançador comporta até oito mísseis CAMM, com alcance de aproximadamente 25 quilômetros. A versão de alcance estendido, o CAMM-ER, pode atingir alvos a cerca de 45 quilômetros. A arquitetura aberta do sistema permite integrar radares de diferentes fabricantes, e a previsão é que, em uma segunda fase, o Brasil utilize radares de fabricação nacional. O investimento total no sistema antiaéreo pode chegar a R$ 3,4 bilhões.
Os drones armados que a Itália apresentou ao Brasil
A terceira frente da negociação envolve sistemas de aeronaves remotamente pilotadas armadas, classificados como categoria 3. Na reunião de terça-feira, a delegação italiana apresentou ao Exército Brasileiro os sistemas de drones armados disponíveis no portfólio da indústria de defesa italiana, mas essa etapa ainda está em fase de apresentação, sem valores ou quantidades definidos.
A inclusão de drones armados na pauta reflete a mudança de paradigma provocada pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, onde veículos aéreos não tripulados se tornaram decisivos no campo de batalha. O Exército Brasileiro não opera atualmente drones com capacidade de ataque, e a eventual aquisição representaria um salto tecnológico significativo para as forças terrestres. A delegação italiana destacou a receptividade e o caráter pragmático da reunião em Brasília.
De onde vem o dinheiro para as compras do Exército Brasileiro
O financiamento dessa modernização foi viabilizado por uma lei complementar que autoriza a exclusão de até R$ 30 bilhões do arcabouço fiscal para gastos em defesa. Com esse espaço orçamentário, o Exército Brasileiro praticamente dobrou seus aportes anuais em modernização, de R$ 1,4 bilhão para aproximadamente R$ 3 bilhões por ano entre 2026 e 2031.
O aumento permite que projetos que estavam parados ou em ritmo lento avancem simultaneamente. Além dos Centauro II e do EMADS, o programa inclui a continuidade da produção do blindado Guarani, o desenvolvimento do veículo Guaicuru 4×4 e a integração de novas torres de armas em plataformas existentes. A negociação com a Itália se enquadra no modelo governo a governo, que oferece melhores condições comerciais, segurança logística e possibilidade de participação industrial brasileira na produção.
Você acha que o Brasil deveria investir R$ 8 bilhões em armamentos ou o dinheiro seria melhor aplicado em outras áreas? O que mais impressiona: os 96 blindados com canhão de 120 mm, o sistema antiaéreo inédito na América Latina ou os drones armados? Conta nos comentários.


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