Publicado em 18 de outubro de 2025 pelo Waterjet Channel, de Daniel Adair, o vídeo mostra a criação de quatro martelos feitos do zero, indo de uma versão improvisada com pedra, galho e barbante até uma peça luxuosa com ouro 24 quilates, diamantes, cabo de madeira roxa e cerca de 100 horas de trabalho.
O canal Waterjet Channel, comandado por Daniel Adair, publicou em 18 de outubro de 2025 um vídeo em que transforma uma ideia aparentemente simples em um desafio de fabricação extrema: criar quatro martelos do zero, cada um com valores muito diferentes.
A lista incluiu um martelo de US$ 1 feito com pedra, galho e barbante, um de US$ 100 em aço, outro de US$ 1 mil em titânio e, por fim, uma versão avaliada em US$ 10 mil, cerca de R$ 50 mil, revestida com ouro 24 quilates e incrustada com diamantes.
Ao longo do vídeo, o projeto deixa de ser apenas uma comparação de ferramentas e vira uma sequência de testes de criatividade, engenharia, improviso e resistência.
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A produção envolveu corte com jato d’água, forjamento, usinagem CNC, fundição em molde de gesso, aplicação de folha de ouro, colocação manual de diamantes e até um acidente com metal derretido que quase terminou em incêndio na oficina.

Martelo de US$ 1 começou com pedra, galho e barbante
O primeiro martelo foi o mais simples da lista. Para provar que seria possível criar uma ferramenta funcional gastando apenas US$ 1, Daniel usou uma pedra encontrada em uma área de construção, um galho retirado do quintal e parte de um rolo de barbante comprado por US$ 8.
Como utilizou apenas uma fração do material, ele considerou o custo proporcional dentro do limite proposto.
A fabricação foi rudimentar. Ele abriu um canal na pedra e prendeu o cabo improvisado com pequenos galhos e barbante.
O processo levou cerca de 45 minutos. Apesar da aparência precária, o martelo conseguiu cumprir a função básica durante os testes, martelando um prego em madeira. Daniel avaliou o desempenho em 4 de 10, mas destacou que, considerando o custo, o resultado poderia chegar a 9 de 10.
Versão de aço exigiu corte, forja e acabamento manual
O segundo martelo, avaliado em US$ 100, foi feito a partir de uma peça de aço retirada do acervo de metais da oficina.
A matéria-prima tinha formato arredondado, o que dificultou o corte inicial no jato d’água. Mesmo assim, a máquina conseguiu recortar a silhueta da cabeça do martelo em poucos minutos, embora o processo tenha espalhado água e fragmentos sobre a câmera e o celular usados na gravação.
Depois do corte, a peça foi aquecida em um forno e trabalhada de forma manual, em uma tentativa de forjamento. Daniel usou uma meia bigorna, luvas e ferramentas simples para moldar a cabeça do martelo. A etapa teve dificuldades, incluindo perda de temperatura e luvas chegando a pegar fogo rapidamente durante o manuseio do metal quente.
O cabo foi feito com madeira de nogueira comprada em uma loja especializada. A peça também foi pré-cortada no jato d’água e depois ajustada com serra, lixadeira e trabalho manual.
O encaixe foi finalizado com uma cunha de madeira, técnica tradicional usada para firmar o cabo dentro da cabeça metálica. Ao todo, o martelo de aço levou cerca de oito horas para ficar pronto.
Martelo de titânio passou por CNC e mudança de cor com calor
O martelo de US$ 1 mil foi fabricado com titânio e teve um processo mais tecnológico. Daniel desenhou o modelo em software 3D e contou com ajuda para operar uma máquina CNC.
A peça começou como um bloco sólido de titânio, que foi preso na máquina e mapeado por uma sonda com ponta de rubi.
A usinagem removeu material em várias etapas, primeiro nivelando a superfície e depois revelando lentamente o formato da cabeça do martelo. Para trabalhar o outro lado da peça, foi necessário criar “mordentes macios”, peças de alumínio com o negativo do martelo, capazes de segurar a forma já usinada sem danificá-la.
O cabo foi feito em madeira de bordo, também cortado no jato d’água e ajustado manualmente. Daniel tentou colorir o titânio por eletroanodização, usando água salgada e voltagem controlada, mas o processo não funcionou como esperado e ainda deixou marcas na superfície.
A solução foi usar calor para alterar a cor do metal, criando tons azulados e arroxeados. Segundo ele, o martelo levou cerca de 50 horas de trabalho, incluindo a ajuda recebida na modelagem e na operação da CNC.
Martelo de US$ 10 mil quase causou um acidente na oficina
A etapa mais complexa foi a criação do martelo de US$ 10 mil. Inicialmente, a ideia era usar ouro em grande quantidade, mas os cálculos mostraram que uma cabeça inteira de martelo exigiria cerca de US$ 300 mil em ouro. Por isso, Daniel decidiu fundir a cabeça em latão e tornar a peça cara com acabamento em folha de ouro 24 quilates e incrustação de diamantes.
O processo começou com o escaneamento 3D de um martelo comum. O modelo foi impresso em plástico e usado para criar um molde de fundição com gesso especial. A peça precisou ser aquecida lentamente para que o plástico fosse eliminado sem danificar o molde.
A fundição foi o momento mais tenso. Daniel tentou derreter latão usando um único forno para aquecer tanto o metal quanto o molde. Como os dois exigiam temperaturas diferentes, ele precisou improvisar. Na tentativa de despejar o metal, o latão não estava líquido o suficiente, o manuseio falhou e parte do material derretido caiu no chão da oficina.
O acidente gerou fogo e obrigou a equipe a buscar um extintor. Ninguém se feriu gravemente, mas o episódio levou Daniel a comprar um forno específico para metal antes de continuar.
Após novas tentativas, a fundição finalmente funcionou com o auxílio de vácuo para ajudar o metal a preencher o molde.
A peça ainda saiu com uma falha em uma das garras, corrigida com epóxi. O cabo foi feito em purpleheart, madeira conhecida pela coloração roxa. Depois vieram o lixamento, o encaixe, a aplicação da folha de ouro e a colocação manual de cerca de 200 diamantes, processo que levou aproximadamente quatro horas apenas nessa etapa.
Testes mostraram que preço não significa praticidade
No fim, os quatro martelos foram testados para bater e arrancar pregos. O martelo de pedra funcionou melhor do que parecia. O de aço foi elogiado pela força e recebeu nota 9 de 10 para martelar. O de titânio foi considerado excelente, com nota 10 de 10 nessa função.
Na retirada de pregos, porém, as limitações apareceram. As garras dos martelos feitos na oficina não tinham o mesmo formato cônico de um martelo comercial, o que dificultou encaixar a ferramenta sob pregos totalmente enterrados na madeira. Ainda assim, o aço recebeu nota 7 de 10 nessa tarefa, e o titânio conseguiu remover o prego depois de algum esforço.
Já o martelo dourado com diamantes não foi usado para arrancar pregos, porque parte da garra era feita com resina e poderia quebrar.
Mesmo assim, ele cumpriu seu papel como peça extravagante, resultado de cerca de 100 horas de trabalho, várias falhas, um susto com metal derretido e uma demonstração curiosa de até onde um projeto artesanal pode chegar quando mistura engenharia, humor e exagero.

