O projeto da duplicação da BR 262 prevê R$ 8,6 bilhões em investimentos, 180 quilômetros de vias, 4 túneis, 40 km de ciclovias e dezenas de viadutos e pontes para vencer o relevo da Região Serrana do Espírito Santo, com licitação prevista para o segundo semestre de 2026
A duplicação da BR 262 está prestes a se tornar a maior obra de engenharia já realizada no Espírito Santo. Dados do projeto elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) revelam a dimensão do empreendimento: 50 viadutos, 28 pontes, 4 túneis que somam 2 quilômetros de extensão, 6 passarelas exclusivas e 40 quilômetros de ciclovias. O orçamento estimado chega a R$ 8,6 bilhões, distribuídos em 180,6 quilômetros de vias que cortarão a região serrana mais complexa do estado.
A licitação principal, que abrange o trecho da Região Serrana considerado o mais difícil de construir, está prevista para o segundo semestre de 2026. O governo federal decidiu bancar a duplicação da BR 262 com recursos públicos depois que todas as tentativas anteriores de concessão ficaram desertas, já que nenhuma concessionária considerou o projeto viável comercialmente. A segunda fase, até a divisa com Minas Gerais, será executada em regime de concessão por ser um trecho menos complexo.
O que o projeto da duplicação da BR 262 prevê em números

Os números do projeto impressionam e colocam a duplicação da BR 262 em um patamar que o Espírito Santo nunca enfrentou em termos de engenharia rodoviária.
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Além dos 50 viadutos e passagens inferiores, das 28 pontes e dos 4 túneis, o Dnit prevê 176,8 mil metros quadrados de obras de arte especiais, 31 interseções em desnível, 24 retornos operacionais e 22,6 quilômetros de trechos urbanizados.
A expectativa é que o estado ganhe uma rodovia comparável à dos Imigrantes, que corta o relevo montanhoso de São Paulo.
A inclusão de 40 quilômetros de ciclovias e 6 passarelas exclusivas para pedestres indica que o projeto vai além da simples ampliação da capacidade rodoviária.
A duplicação da BR 262 incorpora elementos de mobilidade urbana e segurança viária que não existiam no traçado original da rodovia, transformando a relação entre os municípios da Região Serrana e o restante do Espírito Santo.
Estruturas previstas no projeto de duplicação
| Estrutura | Quantidade |
| Viadutos e passagens inferiores | 50 |
| Pontes | 28 |
| Túneis (totalizando 2 km) | 4 |
| Passarelas exclusivas | 6 |
| Ciclovias | 40 km |
| Interseções em desnível | 31 |
| Retornos operacionais | 24 |
| Trechos urbanizados | 22,6 km |
Por que a Região Serrana é o trecho mais difícil de toda a duplicação da BR 262

A Região Serrana do Espírito Santo apresenta os maiores desafios geológicos e topográficos de todo o traçado. A pista atual é marcada por curvas acentuadas, aclives íngremes e trechos onde o terreno montanhoso exige soluções de engenharia que vão muito além da simples pavimentação.
É nesse trecho que se concentram a maioria dos viadutos, pontes e túneis previstos no projeto, justamente porque o relevo não permite a construção de uma rodovia convencional em nível.
Para efeito de comparação, a maior obra de engenharia já realizada no Espírito Santo até agora foi o Contorno do Mestre Álvaro, com 19,7 quilômetros construídos sobre solo alagadiço na Serra.
Aquele projeto custou R$ 456 milhões e demorou quatro anos para ser concluído. A duplicação da BR 262, com orçamento 15 vezes maior e extensão quase dez vezes superior, redefine completamente a escala de infraestrutura rodoviária no estado.
Como o projeto está dividido em fases e lotes
O projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo foi dividido em duas fases, totalizando cinco lotes. A primeira fase abrange a Região Serrana, do entroncamento com a BR 101 até Conceição do Castelo, e concentra os trechos de maior complexidade técnica.
O governo estadual se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões do acordo de reparação do rompimento da barragem de Mariana (MG), de 2015, para essa primeira etapa.
Os três primeiros lotes compõem a primeira fase. O Lote 1 vai do km 15,9 ao km 50,8, com 34,9 quilômetros de duplicação mais 28,8 quilômetros de restauração, ao custo de R$ 3 bilhões. O Lote 2 segue até o km 86,9, em Domingos Martins, com 36,1 quilômetros e custo de R$ 1 bilhão.
O Lote 3 vai até o km 120,9, em Conceição do Castelo, com 34 quilômetros e custo de R$ 1,9 bilhão.
A segunda fase, que será executada em regime de concessão, compreende os Lotes 4 e 5 e vai de Conceição do Castelo até a divisa com Minas Gerais.
O Lote 4 cobre 36,1 quilômetros até Ibatiba, ao custo de R$ 1,5 bilhão, e o Lote 5 se estende por 39 quilômetros até o Rio José Preto, ao custo de R$ 1 bilhão. Esses trechos possuem relevo menos acidentado, o que torna a concessão comercialmente viável.
Por que as licitações anteriores fracassaram e o governo federal assumiu a obra
Ao longo das últimas décadas, governo federal e governo estadual tentaram diversas vezes licitar a BR 262 no modelo de concessão, semelhante ao adotado na BR 101. A lógica era simples: uma concessionária assumiria a duplicação, os motoristas pagariam pedágio e os recursos financiariam as obras.
Todas as licitações ficaram desertas porque o custo da duplicação da BR 262 na Região Serrana foi considerado alto demais para ser viável comercialmente.
Diante do fracasso repetido, o governo federal mudou de estratégia. Em vez de esperar por uma concessionária disposta a encarar o projeto, decidiu executar a obra com recursos públicos e só pensar em concessão depois que a rodovia estiver pronta.
A licitação principal, no critério de técnica e preço, está prevista para o segundo semestre de 2026. Em abril de 2026, devem ser licitadas a supervisão da obra e o cadastramento cartorial.
O que muda no Espírito Santo quando a duplicação da BR 262 estiver concluída
A duplicação da BR 262 vai redesenhar a logística de todo o Espírito Santo. A rodovia é a principal conexão entre a capital Vitória e o interior do estado, além de ser a rota que liga o litoral capixaba a Minas Gerais.
Com a duplicação, o tempo de viagem será reduzido, a segurança viária aumentará drasticamente e o escoamento de mercadorias ganhará eficiência em uma região que hoje sofre com congestionamentos, acidentes em curvas fechadas e trechos sem acostamento.
Para os municípios da Região Serrana, a obra significa integração real com o restante do estado. Cidades como Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Conceição do Castelo dependem da BR 262 para turismo, comércio e serviços essenciais.
A presença de ciclovias, passarelas e trechos urbanizados no projeto indica que a duplicação da BR 262 não será apenas uma rodovia mais larga, mas uma infraestrutura pensada para atender pedestres, ciclistas e comunidades que vivem às margens da estrada.
A duplicação da BR 262 representa o maior investimento em infraestrutura rodoviária da história do Espírito Santo. São R$ 8,6 bilhões para vencer o relevo mais desafiador do estado com 50 viadutos, 28 pontes e túneis que somarão 2 quilômetros perfurados na rocha.
Depois de décadas de tentativas frustradas, o projeto finalmente tem data para sair do papel. O primeiro passo será a licitação no segundo semestre de 2026.
Você utiliza a BR 262 com frequência? Acredita que essa obra vai sair do papel dentro do prazo ou teme mais atrasos como os que marcaram a história dessa rodovia? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este artigo com quem precisa saber o que está por vir nessa estrada.

As obras deveriam começar do interior (Pequiá) para o litoral.