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O Espírito Santo vai receber a maior obra de engenharia da sua história com a duplicação da BR 262 que terá 50 viadutos, 28 pontes e túneis de 2 quilômetros cortando a região serrana mais difícil do estado inteiro

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 26/03/2026 às 16:08
A duplicação da BR 262 no Espírito Santo terá 50 viadutos, 28 pontes e túneis na Região Serrana. Orçamento de R$ 8,6 bi e licitação prevista para 2026.
A duplicação da BR 262 no Espírito Santo terá 50 viadutos, 28 pontes e túneis na Região Serrana. Orçamento de R$ 8,6 bi e licitação prevista para 2026.
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O projeto da duplicação da BR 262 prevê R$ 8,6 bilhões em investimentos, 180 quilômetros de vias, 4 túneis, 40 km de ciclovias e dezenas de viadutos e pontes para vencer o relevo da Região Serrana do Espírito Santo, com licitação prevista para o segundo semestre de 2026

A duplicação da BR 262 está prestes a se tornar a maior obra de engenharia já realizada no Espírito Santo. Dados do projeto elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) revelam a dimensão do empreendimento: 50 viadutos, 28 pontes, 4 túneis que somam 2 quilômetros de extensão, 6 passarelas exclusivas e 40 quilômetros de ciclovias. O orçamento estimado chega a R$ 8,6 bilhões, distribuídos em 180,6 quilômetros de vias que cortarão a região serrana mais complexa do estado.

A licitação principal, que abrange o trecho da Região Serrana considerado o mais difícil de construir, está prevista para o segundo semestre de 2026. O governo federal decidiu bancar a duplicação da BR 262 com recursos públicos depois que todas as tentativas anteriores de concessão ficaram desertas, já que nenhuma concessionária considerou o projeto viável comercialmente. A segunda fase, até a divisa com Minas Gerais, será executada em regime de concessão por ser um trecho menos complexo.

O que o projeto da duplicação da BR 262 prevê em números

A duplicação da BR 262 no Espírito Santo terá 50 viadutos, 28 pontes e túneis na Região Serrana. Orçamento de R$ 8,6 bi e licitação prevista para 2026.

Os números do projeto impressionam e colocam a duplicação da BR 262 em um patamar que o Espírito Santo nunca enfrentou em termos de engenharia rodoviária.

Além dos 50 viadutos e passagens inferiores, das 28 pontes e dos 4 túneis, o Dnit prevê 176,8 mil metros quadrados de obras de arte especiais, 31 interseções em desnível, 24 retornos operacionais e 22,6 quilômetros de trechos urbanizados.

A expectativa é que o estado ganhe uma rodovia comparável à dos Imigrantes, que corta o relevo montanhoso de São Paulo.

A inclusão de 40 quilômetros de ciclovias e 6 passarelas exclusivas para pedestres indica que o projeto vai além da simples ampliação da capacidade rodoviária.

A duplicação da BR 262 incorpora elementos de mobilidade urbana e segurança viária que não existiam no traçado original da rodovia, transformando a relação entre os municípios da Região Serrana e o restante do Espírito Santo.

Estruturas previstas no projeto de duplicação

EstruturaQuantidade
Viadutos e passagens inferiores50
Pontes28
Túneis (totalizando 2 km)4
Passarelas exclusivas6
Ciclovias40 km
Interseções em desnível31
Retornos operacionais24
Trechos urbanizados22,6 km

Por que a Região Serrana é o trecho mais difícil de toda a duplicação da BR 262

A duplicação da BR 262 no Espírito Santo terá 50 viadutos, 28 pontes e túneis na Região Serrana. Orçamento de R$ 8,6 bi e licitação prevista para 2026.

A Região Serrana do Espírito Santo apresenta os maiores desafios geológicos e topográficos de todo o traçado. A pista atual é marcada por curvas acentuadas, aclives íngremes e trechos onde o terreno montanhoso exige soluções de engenharia que vão muito além da simples pavimentação.

É nesse trecho que se concentram a maioria dos viadutos, pontes e túneis previstos no projeto, justamente porque o relevo não permite a construção de uma rodovia convencional em nível.

Para efeito de comparação, a maior obra de engenharia já realizada no Espírito Santo até agora foi o Contorno do Mestre Álvaro, com 19,7 quilômetros construídos sobre solo alagadiço na Serra.

Aquele projeto custou R$ 456 milhões e demorou quatro anos para ser concluído. A duplicação da BR 262, com orçamento 15 vezes maior e extensão quase dez vezes superior, redefine completamente a escala de infraestrutura rodoviária no estado.

Como o projeto está dividido em fases e lotes

O projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo foi dividido em duas fases, totalizando cinco lotes. A primeira fase abrange a Região Serrana, do entroncamento com a BR 101 até Conceição do Castelo, e concentra os trechos de maior complexidade técnica.

O governo estadual se comprometeu a destinar R$ 2,3 bilhões do acordo de reparação do rompimento da barragem de Mariana (MG), de 2015, para essa primeira etapa.

Os três primeiros lotes compõem a primeira fase. O Lote 1 vai do km 15,9 ao km 50,8, com 34,9 quilômetros de duplicação mais 28,8 quilômetros de restauração, ao custo de R$ 3 bilhões. O Lote 2 segue até o km 86,9, em Domingos Martins, com 36,1 quilômetros e custo de R$ 1 bilhão.

O Lote 3 vai até o km 120,9, em Conceição do Castelo, com 34 quilômetros e custo de R$ 1,9 bilhão.

A segunda fase, que será executada em regime de concessão, compreende os Lotes 4 e 5 e vai de Conceição do Castelo até a divisa com Minas Gerais.

O Lote 4 cobre 36,1 quilômetros até Ibatiba, ao custo de R$ 1,5 bilhão, e o Lote 5 se estende por 39 quilômetros até o Rio José Preto, ao custo de R$ 1 bilhão. Esses trechos possuem relevo menos acidentado, o que torna a concessão comercialmente viável.

Por que as licitações anteriores fracassaram e o governo federal assumiu a obra

Ao longo das últimas décadas, governo federal e governo estadual tentaram diversas vezes licitar a BR 262 no modelo de concessão, semelhante ao adotado na BR 101. A lógica era simples: uma concessionária assumiria a duplicação, os motoristas pagariam pedágio e os recursos financiariam as obras.

Todas as licitações ficaram desertas porque o custo da duplicação da BR 262 na Região Serrana foi considerado alto demais para ser viável comercialmente.

Diante do fracasso repetido, o governo federal mudou de estratégia. Em vez de esperar por uma concessionária disposta a encarar o projeto, decidiu executar a obra com recursos públicos e só pensar em concessão depois que a rodovia estiver pronta.

A licitação principal, no critério de técnica e preço, está prevista para o segundo semestre de 2026. Em abril de 2026, devem ser licitadas a supervisão da obra e o cadastramento cartorial.

O que muda no Espírito Santo quando a duplicação da BR 262 estiver concluída

A duplicação da BR 262 vai redesenhar a logística de todo o Espírito Santo. A rodovia é a principal conexão entre a capital Vitória e o interior do estado, além de ser a rota que liga o litoral capixaba a Minas Gerais.

Com a duplicação, o tempo de viagem será reduzido, a segurança viária aumentará drasticamente e o escoamento de mercadorias ganhará eficiência em uma região que hoje sofre com congestionamentos, acidentes em curvas fechadas e trechos sem acostamento.

Para os municípios da Região Serrana, a obra significa integração real com o restante do estado. Cidades como Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Conceição do Castelo dependem da BR 262 para turismo, comércio e serviços essenciais.

A presença de ciclovias, passarelas e trechos urbanizados no projeto indica que a duplicação da BR 262 não será apenas uma rodovia mais larga, mas uma infraestrutura pensada para atender pedestres, ciclistas e comunidades que vivem às margens da estrada.

A duplicação da BR 262 representa o maior investimento em infraestrutura rodoviária da história do Espírito Santo. São R$ 8,6 bilhões para vencer o relevo mais desafiador do estado com 50 viadutos, 28 pontes e túneis que somarão 2 quilômetros perfurados na rocha.

Depois de décadas de tentativas frustradas, o projeto finalmente tem data para sair do papel. O primeiro passo será a licitação no segundo semestre de 2026.

Você utiliza a BR 262 com frequência? Acredita que essa obra vai sair do papel dentro do prazo ou teme mais atrasos como os que marcaram a história dessa rodovia? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este artigo com quem precisa saber o que está por vir nessa estrada.

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Jacinto Miranda
Jacinto Miranda
07/04/2026 11:35

As obras deveriam começar do interior (Pequiá) para o litoral.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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