Ciclista brasileiro percorre 22.434 km do Alasca ao Ushuaia sem apoio, cruza 15 países e vence 123 mil metros de altitude. Expedição documentada pelo Terra em 2023.
A jornada do ciclista brasileiro Leandro Carlos da Silva ganhou destaque internacional em janeiro de 2023, quando o portal Terra publicou os dados completos da expedição que percorreu todo o continente americano, do Alasca (EUA) até Ushuaia (Argentina), no extremo sul do planeta. Sem carro de apoio, sem assistência técnica e totalmente autossuficiente, Leandro completou 22.434,79 km, atravessou 15 países e acumulou 123.803 metros de altimetria, marca reconhecida como uma das travessias mais extensas e exigentes já realizadas por um ciclista brasileiro nas Américas.
Segundo o Terra (11/01/2023), Leandro pedalou por rotas remotas, clima extremo, trechos áridos, cordilheiras e regiões de altitude superior a 4.000 metros, em um esforço físico e psicológico de longa duração. Foram meses enfrentando neve, vento contra, estradas irregulares e cidades isoladas, em uma rota que tradicionalmente é feita por expedições com equipes estruturadas — o que torna o feito ainda mais exponencial.
Uma jornada continental que desafiou limites humanos
A travessia começou no extremo norte, na região gelada do Alasca, e seguiu por Estados Unidos, Canadá, América Central e toda a espinha dorsal da América do Sul, até chegar à Terra do Fogo. A rota, segundo o ciclista, foi construída com foco em observar culturas locais, atravessar regiões pouco exploradas e testar os limites do corpo humano sem apoio externo.
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O acúmulo altimétrico de mais de 123 mil metros equivale a subir o Monte Everest — a maior montanha do mundo, mais de 13 vezes, comparação usada por especialistas para dimensionar o impacto fisiológico de um desafio dessa magnitude. Em regiões como Peru e Bolívia, ele pedalou por semanas em altitudes que reduzem drasticamente o oxigênio disponível, exigindo aclimatação e ritmo calculado.
15 países, clima extremo e uma logística que exige precisão
Leandro cruzou EUA, Canadá, México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Chile e Argentina, até chegar ao destino final.
A logística envolveu não apenas planejamento físico, mas também definições de fronteira, documentação e adaptação climática constante. Entre o Alasca e o sul da América do Sul, as temperaturas variaram de -20°C em trechos gelados a mais de 40°C em desertos e regiões equatoriais.
Segundo o Terra, a ausência de uma equipe de suporte significava carregar todos os equipamentos essenciais: alimentação, ferramentas básicas, itens de sobrevivência e as peças da bike. Cada erro poderia comprometer a expedição. Cada país trouxe desafios únicos. estradas de gelo, selva úmida, desertos andinos e corredores de altitude que exigiram preparo respiratório rigoroso.
Um marco esportivo e cultural para o cicloturismo brasileiro
A jornada de Leandro não é apenas um feito esportivo, mas também cultural. Ao longo do trajeto, ele registrou histórias, vivências e rotinas de comunidades isoladas das Américas.
A travessia por 15 países mostrou o potencial do cicloturismo de longa distância como forma de imersão social e de autossuficiência.
Sua rota entrou para o catálogo de expedições continentais mais longas já realizadas por brasileiros, sobretudo sem veículo de apoio — algo raríssimo no cicloturismo de alta dificuldade. A resiliência diante dos climas extremos, altitudes severas e distâncias colossais transformou sua história em referência para expedicionários e atletas de ultradistância.
Por que esse feito ainda repercute?
Mesmo após anos, a expedição segue ganhando tração nas redes e nos veículos especializados por três fatores:
- Dimensão técnica do desafio: altimetria, distância e autonomia.
- Raridade da rota completa: poucos brasileiros já cruzaram o continente inteiro de bike.
- Inspiração social: muitos veem no projeto uma jornada de superação e disciplina.
A rota entre o Alasca e o Ushuaia é considerada uma das mais difíceis do planeta. Completá-la sem suporte reforça o impacto humano e esportivo da conquista.
Um feito que permanece como referência continental
A travessia de Leandro Carlos da Silva se consolida como um dos maiores feitos do ciclismo de longa distância na história recente do Brasil, com dados técnicos verificados e documentados.
É uma jornada que mistura geografia, cultura, resistência humana e a rara capacidade de transformar solidão e estrada em uma narrativa inspiradora.

