A última semana de maio traz ao Brasil um cenário de extremos climáticos simultâneos: uma massa de ar polar derruba as temperaturas para 0°C na Serra gaúcha e no Planalto Sul catarinense, enquanto o Sudeste registra máximas de 36°C com umidade abaixo de 30%. No Norte e no Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical pode provocar chuvas de até 200 mm com risco de alagamentos em pelo menos 11 estados.
O Brasil entra na última semana de maio enfrentando temperaturas que vão de 0 grau no Sul a 36 graus no Sudeste, uma amplitude térmica de proporções continentais que ilustra a complexidade climática do país. A responsável pela queda brusca nos termômetros é uma massa de ar polar que ingressa pelo Rio Grande do Sul na noite de domingo (26) e empurra as mínimas para perto ou abaixo de zero em áreas de altitude entre segunda (27) e terça-feira (28). O ciclone extratropical formado sobre o estado impulsiona o sistema e intensifica os efeitos em toda a região Sul.
Enquanto o Sul congela, o Sudeste assa. As máximas podem atingir 36°C em diversas áreas com umidade relativa do ar abaixo de 30%, configuração que aumenta o risco de problemas respiratórios e desidratação. No Norte e no Nordeste, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) provoca chuvas intensas com acumulados de até 200 mm que ameaçam pelo menos 11 estados com alagamentos, deslizamentos e interrupção de estradas. O Brasil viverá simultaneamente três cenários climáticos distintos que exigem alertas e precauções diferentes em cada região.
O frio extremo no Sul: onde as temperaturas podem chegar a zero
Segundo informações divulgadas pelo portal Ndmais, a massa de ar polar que chega ao Sul do Brasil é considerada a mais intensa de 2026 até agora. Os efeitos começam a ser sentidos entre segunda e terça-feira, com as temperaturas mais baixas ocorrendo nas madrugadas e no início das manhãs. As tardes também serão frias, com sensação térmica agravada pela atuação dos ventos que acompanham o sistema.
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As projeções do Climatempo detalham a distribuição do frio por faixas de altitude. Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul, e o Planalto Sul Catarinense podem registrar mínimas entre 0°C e 2°C. A fronteira com o Uruguai e áreas de planalto do Rio Grande do Sul devem marcar entre 3°C e 5°C. A região central e os vales gaúchos ficam entre 5°C e 7°C, enquanto a Região Metropolitana de Porto Alegre deve oscilar entre 8°C e 10°C. A geada é esperada em diversas regiões, com impacto potencial sobre culturas agrícolas sensíveis ao frio.
O calor de 36 graus no Sudeste e a umidade que preocupa
Enquanto o Sul enfrenta frio polar, o Sudeste vive cenário oposto. As máximas de 36°C combinadas com umidade relativa do ar abaixo de 30% criam condições que a Organização Mundial da Saúde classifica como estado de atenção, por aumentarem o risco de desidratação, irritação nas vias respiratórias e agravamento de doenças crônicas. O tempo seco e quente deve persistir nos próximos dias, sem previsão de alívio imediato.
A amplitude térmica entre Sul e Sudeste chega a 36 graus em um mesmo dia, distância que separa o congelamento de áreas serranas do calor intenso de cidades como Ribeirão Preto, Goiânia e Belo Horizonte. Essa variação não é incomum no Brasil continental, mas a intensidade dos dois extremos ocorrendo simultaneamente destaca a vulnerabilidade de regiões que precisam de respostas climáticas completamente diferentes na mesma semana. O sistema frontal que resfria o Sul não alcança o Sudeste com força suficiente para derrubar as temperaturas.
As chuvas de até 200 mm no Norte e no Nordeste
No outro extremo do país, a ZCIT mantém atividade intensa e provoca chuvas que podem acumular até 200 mm ao longo da semana. As tempestades ameaçam pelo menos 11 estados: Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O volume de precipitação pode causar alagamentos urbanos, transbordamento de rios e interrupção de estradas, especialmente em áreas com infraestrutura de drenagem deficiente.
No Sul, o ciclone extratropical também deixa sua marca em forma de chuva. O Rio Grande do Sul e o Paraná podem registrar acumulados de até 150 mm até quarta-feira (29), com pancadas intensas que atingem também Santa Catarina e o Mato Grosso do Sul. A combinação de chuva forte no início da semana com frio polar nas madrugadas seguintes cria um cenário de instabilidade que exige atenção redobrada de moradores e autoridades de defesa civil em toda a região.
O ciclone extratropical que está por trás dos extremos
O ciclone extratropical formado sobre o Rio Grande do Sul neste fim de semana é o motor que conecta os diferentes fenômenos da semana. Ele puxa a massa de ar polar para o continente, gera chuva intensa na região Sul e reforça o sistema frontal que separa o frio do Sul do calor do Sudeste. Sem o ciclone, a amplitude térmica seria menor e as chuvas menos concentradas.
O sistema deve se afastar do continente no início da semana, mas seus efeitos persistem por vários dias. A massa de ar frio impulsionada pelo ciclone mantém as temperaturas baixas até quarta-feira no Sul, enquanto a instabilidade associada ao sistema frontal provoca precipitação que se soma aos acumulados já previstos pela ZCIT no Norte e Nordeste. O resultado é uma semana em que praticamente todo o Brasil enfrenta algum tipo de evento climático significativo.
Como se preparar para uma semana de extremos climáticos
A diversidade de cenários exige recomendações diferentes para cada região. No Sul, a prioridade é proteção contra o frio com agasalhos adequados, cuidado com culturas agrícolas sensíveis à geada e atenção a idosos e pessoas em situação de rua que são as mais vulneráveis às mínimas próximas de zero. A chuva forte no início da semana demanda monitoramento de áreas de risco e desobstrução de calhas e bueiros.
No Sudeste, hidratação constante, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h e uso de umidificadores são medidas básicas para enfrentar o calor seco. No Norte e Nordeste, a recomendação é acompanhar os alertas do Inmet e da Defesa Civil, evitar travessias em pontos de alagamento e ter plano de evacuação em áreas ribeirinhas que historicamente sofrem com transbordamentos. O Brasil, com suas dimensões continentais, viverá em uma única semana o que muitos países não experimentam em uma estação inteira.
Você está no frio do Sul, no calor do Sudeste ou na chuva do Norte? Conte nos comentários como está o tempo na sua cidade e se está preparado para os extremos climáticos que essa semana promete trazer.

Abril ou Maio…. Fiquei na dúvida
Hoje é 27 de Abril, pelo que pude ver!
Última semana de MAIO. Tem certeza ou pulou um mês?