O Brasil exportou 1.005 jogadores para o exterior em 2025, segundo o FIFA Global Transfer Report publicado em janeiro de 2026. São quase 20 por semana, liderança absoluta mundial. Só na Saudi Pro League, a primeira divisão da Arábia Saudita, havia 29 brasileiros em ação na temporada 2024/25, mais do que qualquer outra nacionalidade estrangeira. Somando Emirados Árabes e Qatar, o número passa de 40. Mas a pergunta que ninguém responde é direta: quanto dinheiro esses jogadores geraram para os clubes que os formaram, e onde esse dinheiro foi parar?
Os nomes conhecidos são poucos. Neymar, Firmino, Fabinho e Malcom viraram manchete quando trocaram a Europa pelo Oriente Médio. Mas a maioria dos brasileiros na Arábia Saudita não é estrela: são jogadores de segunda e terceira divisões sauditas, com valores de mercado entre 200 mil e 4 milhões de euros segundo o Transfermarkt, vindos de clubes brasileiros de Série B, Série C ou de ligas secundárias de Portugal. São nomes que não aparecem no Sportscenter mas que sustentam a engrenagem silenciosa do maior mercado exportador de jogadores do planeta.
O dado mais revelador do relatório da FIFA é que mais de 60% de todas as transferências internacionais envolvem jogadores sem contrato, ou seja, que saem de graça. Quando um jogador brasileiro deixa o clube no fim do vínculo e assina com um time saudita, o clube formador não recebe nada pela transferência. O jogador ganha salário no destino, o agente ganha comissão, e o clube que investiu anos na formação fica com zero.
Por que o Brasil exporta mais e fatura menos que todos?

Em 2024, transferências de jogadores brasileiros movimentaram US$ 591 milhões, segundo o relatório anterior da FIFA.
-
Ele começou com uma serra tico-tico, uma parafusadeira do pai e muitos desenhos feitos durante as aulas; anos depois, o jovem que construiu uma montanha-russa no próprio quintal viralizou na internet, foi contratado pelo Cacau Park e agora coordena profissionais brasileiros e estrangeiros na instalação de uma atração de 737 toneladas, 55 metros de altura, um quilômetro de extensão, momentos de gravidade zero e velocidade de 120 km/h, em uma trajetória que transformou curiosidade, cálculos e persistência em carreira profissional
-
Entre o Egito e o Sudão, Bir Tawil é a terra de ninguém que nenhum país quer no papel, mas que na prática tem garimpo de ouro, tribos nômades e até “reis” de mentira
-
Campeão de natação, Shavarsh Karapetyan mergulhou cerca de 40 vezes num lago gelado da Armênia para o resgate de um ônibus afundado, salvou 20 vidas e perdeu a carreira por isso
-
Júlia Pimentel, mineira de 11 anos, inventou sozinha uma fórmula nova para calcular a raiz quadrada com soma e multiplicação simples, e o método dela foi publicado em uma das revistas científicas de matemática mais importantes do Brasil
No mesmo ano, uma única transferência europeia, como a de Florian Wirtz do Bayer Leverkusen para o Liverpool, foi reportada em torno de US$ 150 milhões.
Ou seja, um jogador alemão valeu o equivalente a mais de 25% de todos os brasileiros transferidos no ano inteiro.
O problema é estrutural. Clubes brasileiros muitas vezes não conseguem renovar contratos de jogadores jovens antes que eles atinjam a janela de saída gratuita.
A pressão por salários mais altos, a falta de planejamento financeiro e a atuação de intermediários que lucram com a movimentação criam um ciclo em que o talento sai, o dinheiro se dilui entre agentes e comissões, e o clube formador fica com migalhas ou nada.
A Arábia Saudita, que sedia a Copa do Mundo de 2034, intensificou os investimentos desde 2023 com o projeto do fundo soberano saudita PIF.
Mas o fluxo de brasileiros para o Oriente Médio não começou agora: desde 2018, clubes sauditas já contratavam jogadores do Brasil para preencher elencos fora do radar midiático.
A diferença é que, com o crescimento do mercado, o volume aumentou sem que a transparência acompanhasse.
Enquanto a Premier League inglesa registrou receita de US$ 1,77 bilhão em transferências de saída em 2025, o Brasil, que exportou mais jogadores em números absolutos, ficou muito abaixo em faturamento.
O país forma o talento, mas não captura o valor.
O Brasil é a maior fábrica de jogadores do mundo, mas vende a preço de banana e muitas vezes de graça.
Comenta aí: os clubes brasileiros deveriam proteger melhor seus jogadores ou o sistema está quebrado de vez?

Seja o primeiro a reagir!