Segundo informações do Brasil de Fato, o Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics realizou sua 11ª reunião anual pela primeira vez em Moscou, nos dias 14 e 15 de maio, com o tema “financiamento do desenvolvimento em uma era de revolução tecnológica”. Dilma Rousseff, ex-presidente brasileira e atual chefe da instituição, alertou em seu discurso de abertura que sanções unilaterais criam custos significativos inclusive para os países que as impõem, e que a crise no Oriente Médio agrava a instabilidade global.
Quem liderou os debates foi Dilma Rousseff, na condição de presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics desde 2023. nos dias 14 e 15 de maio, em Moscou, sendo a primeira vez que a capital russa sediou a reunião anual da instituição. O seminário reuniu altos funcionários governamentais, ministros de finanças, representantes de bancos centrais, economistas e líderes políticos dos países membros para avaliar as perspectivas de desenvolvimento das economias emergentes. Por que a reunião ganhou relevância especial agora: o encontro ocorre em meio a guerras comerciais, crise energética provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, conflitos geopolíticos no Oriente Médio e volatilidade financeira que exercem pressão sobre todos os países do mundo, segundo Dilma.
O economista americano Jeffrey Sachs, que participou do primeiro dia da conferência, reforçou a importância estratégica do banco ao defender a criação de um sistema de pagamentos fora do dólar. “Nós precisamos de um sistema de pagamentos fora do dólar, e os Brics são essenciais e únicos para construir esse sistema”, declarou Sachs. Atualmente, cerca de 46% das operações do Banco dos Brics já são realizadas em moedas nacionais, fora do dólar americano.
O alerta de Dilma sobre sanções que custam caro para todos
O discurso de abertura de Dilma Rousseff na reunião dos Brics em Moscou teve como eixo central o impacto das sanções econômicas unilaterais sobre a economia global. A presidente do banco alertou que essas medidas não apenas interrompem o comércio e cadeias críticas de suprimento dos países sancionados, como também criam restrições de mercado com custos significativos para os próprios países que impõem as sanções. Dilma citou especificamente a Europa como exemplo de região que sofre consequências das medidas restritivas.
-
Como fazer uma caixa de ferramentas de madeira de 3 níveis que abre tudo de uma vez e organiza a oficina
-
Ceará entra no mapa das montanhas do Brasil com 6 formações reconhecidas pelo IBGE
-
Um ex-engenheiro de 27 anos largou tudo, foi morar num trailer no meio do Texas e criou o maior rancho de telescópios do mundo: clientes de qualquer lugar controlam pelo computador cerca de 550 aparelhos parafusados no concreto sob um céu sem nenhuma poluição luminosa
-
Com cerca de 30 metros de comprimento e motores que passam de 3.000 cavalos, um único rebocador é capaz de exercer mais de 100 toneladas de força de tração e manobrar com precisão um navio de quase 400 metros e mais de 200 mil toneladas dentro de um porto
A ex-presidente brasileira destacou a “capacidade disruptiva das sanções unilaterais que agravam a escassez em mercados já tensionados de petróleo, gás e fertilizantes em meio aos bloqueios no Oriente Médio”. O argumento de Dilma é que, num mundo interconectado, punir economicamente um país inevitavelmente afeta cadeias de suprimento globais das quais os próprios sancionadores dependem. Fertilizantes russos, petróleo iraniano e gás natural de regiões sancionadas alimentam economias europeias que, ao cortar o fornecimento, enfrentam inflação de energia e alimentos.
46% fora do dólar: como o Banco dos Brics opera

Uma das estratégias mais concretas do Banco dos Brics é a ampliação do uso de moedas locais nas transações entre os países membros. Atualmente, cerca de 46% das operações do banco já são realizadas fora do dólar, em moedas nacionais como yuan, rúpia, real e rublo. Esse percentual é significativo para uma instituição criada há apenas 10 anos e indica uma tendência deliberada de reduzir a dependência do sistema financeiro denominado em dólar.
Para os países do sul global que enfrentam restrições de acesso a dólares, realizar operações em moedas locais elimina um intermediário que encarece e complica o financiamento. Quando o Brasil toma um empréstimo em dólares para financiar infraestrutura, precisa gerar receita em dólares para pagar a dívida, o que cria exposição cambial. Se o mesmo empréstimo for feito em reais, o risco cambial desaparece. Multiplicar essa lógica por dezenas de operações em vários países é o que o Banco dos Brics busca fazer ao ampliar transações em moedas nacionais.
Jeffrey Sachs e o fim da hegemonia do dólar
O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia e assessor de governos em todo o mundo, participou do primeiro dia da conferência dos Brics em Moscou com uma mensagem direta. “Na medida em que a geopolítica global muda para o mundo multipolar, nós precisamos acabar com as residuais guerras de hegemonias. A multipolaridade é um fato e aceitar esse fato é um caminho pacífico para o futuro”, declarou Sachs. A presença de um economista americano defendendo um sistema financeiro fora do dólar em Moscou carrega simbolismo que vai além da análise técnica.
Sachs afirmou que o Banco dos Brics pode exercer papel central na construção de um sistema de pagamentos independente do dólar e que “isso está funcionando, está acontecendo”. A declaração reflete uma percepção crescente entre economistas de que a dominância do dólar nas transações internacionais é mais resultado de inércia histórica do que de superioridade estrutural. Para os Brics, cada percentual de operações transferido do dólar para moedas locais é um passo em direção à autonomia financeira que a instituição busca promover.
Desenvolvimento tecnológico sem aprofundar desigualdades
O tema oficial da reunião dos Brics em Moscou era o financiamento do desenvolvimento em uma era de revolução tecnológica. Dilma Rousseff observou que os desafios econômicos enfrentados pelos países do sul global passam diretamente pela capacidade de investir em inovação e transformação tecnológica, mas alertou que não é possível ter desenvolvimento real sem olhar para as economias emergentes que ficam de fora dos circuitos tradicionais de financiamento.
“O desafio diante de nós é garantir que o progresso tecnológico não aprofunde desigualdades, mas se torne um motor de inclusão, produtividade e soberania”, afirmou Dilma. A frase traduz a preocupação de que a revolução tecnológica em curso, dominada por empresas e capitais concentrados nos Estados Unidos e na China, pode ampliar a distância entre países desenvolvidos e emergentes se não houver mecanismos de financiamento acessíveis para que o sul global participe da transformação.
O Banco dos Brics em números
O Novo Banco de Desenvolvimento foi criado em 2015 com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura e iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável dos países emergentes. A proposta é fortalecer uma arquitetura financeira mais multipolar, baseada na cooperação entre os países do sul global e menos dependente das estruturas tradicionais dominadas pelo Ocidente, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. Desde sua fundação, a instituição financiou projetos em áreas como energia, transporte, saneamento e tecnologia.
A realização da reunião anual em Moscou pela primeira vez tem significado geopolítico. A Rússia, sob sanções ocidentais desde 2022, encontra nos Brics um espaço de articulação diplomática e econômica que os fóruns tradicionais não oferecem mais. Para o banco, sediar o encontro na capital russa é uma demonstração de que a instituição opera segundo sua própria lógica de parcerias, independentemente das pressões geopolíticas que dividem o mundo entre blocos ocidentais e não ocidentais.
Moscou, Dilma e o sistema financeiro que os Brics querem construir
O Banco dos Brics realizou sua reunião anual pela primeira vez em Moscou, com Dilma Rousseff alertando que sanções unilaterais prejudicam até quem as impõe. Com 46% das operações já fora do dólar, a instituição avança na construção de um sistema financeiro alternativo enquanto economistas como Jeffrey Sachs defendem que a multipolaridade é um fato e que os Brics são essenciais para viabilizá-la. O encontro ocorre em meio a guerras comerciais, crise energética e conflitos que testam os limites do sistema internacional vigente.
O que você acha da estratégia dos Brics de operar fora do dólar? Conte nos comentários se acredita que o banco pode se tornar alternativa real ao Banco Mundial, como avalia o papel de Dilma Rousseff na presidência da instituição e se as sanções unilaterais realmente prejudicam quem as impõe. Queremos ouvir a sua opinião.

-
-
2 pessoas reagiram a isso.