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Banco dos BRICS libera mais 2,5 bilhões de reais para o Brasil e eleva para 7 bilhões de dólares o total investido no país desde 2015 em ferrovias, energia renovável, saneamento e mobilidade urbana

Publicado em 16/04/2026 às 17:57
Atualizado em 16/04/2026 às 17:59
O banco dos BRICS libera R$ 2,5 bilhões para o Brasil em energia e infraestrutura. O total investido no país desde 2015 chega a US$ 7 bilhões.
O banco dos BRICS libera R$ 2,5 bilhões para o Brasil em energia e infraestrutura. O total investido no país desde 2015 chega a US$ 7 bilhões.
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O New Development Bank (NDB), banco dos BRICS presidido por Dilma Rousseff, captou US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) para projetos do PAC nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Com essa nova linha, o total investido pelo banco no Brasil desde 2015 chega a US$ 7 bilhões em ferrovias, energia renovável, saneamento e mobilidade urbana.

O banco dos BRICS acaba de ampliar significativamente seu compromisso financeiro com o Brasil. O New Development Bank (NDB) captou uma nova rodada de US$ 500 milhões, o equivalente a cerca de R$ 2,5 bilhões, para financiar projetos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Com esse investimento, o total financiado pelo banco dos BRICS para o Brasil desde sua criação em 2015 chega a US$ 7 bilhões, distribuídos em energia renovável, mobilidade urbana, saneamento e logística. Os recursos devem ser aplicados ao longo de quatro anos e integram o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A importância desses números fica mais clara quando se considera o déficit crônico de investimento em infraestrutura que o Brasil enfrenta. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil investe menos de 2% do PIB em infraestrutura por ano, um patamar abaixo do necessário para sustentar crescimento econômico de longo prazo. O novo PAC prevê investimentos totais superiores a R$ 1,7 trilhão até 2026 combinando recursos públicos e privados, e o banco dos BRICS se posiciona como uma das fontes externas mais relevantes para viabilizar essa meta dentro do Brasil.

Como o dinheiro do banco dos BRICS chega aos projetos no Brasil

Segundo informações da Revista Fórum, nova linha de crédito de R$ 2,5 bilhões segue uma lógica específica de intermediação financeira. Os recursos do banco dos BRICS são transferidos ao Tesouro Nacional do Brasil e então distribuídos para fundos de desenvolvimento que operam por meio de bancos públicos, incluindo Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Caixa Econômica Federal e BNDES. Esses bancos são os responsáveis por selecionar e financiar projetos individuais que atendam aos critérios do programa.

Essa estrutura de intermediação permite que o dinheiro do banco dos BRICS chegue a projetos espalhados por todo o Brasil sem que o NDB precise gerenciar cada contrato individualmente. A expectativa do governo é que os US$ 500 milhões sejam liberados ainda este ano, após aprovação no Congresso Nacional, com prazo estimado para desembolso entre 60 e 90 dias após a assinatura do contrato. Para regiões como o Norte e o Nordeste, que historicamente recebem menos investimento privado, essa fonte de financiamento é particularmente relevante.

Os megaprojetos do Brasil que o banco dos BRICS ajuda a financiar

Imagem: Michel Corvello

Entre os investimentos financiados com recursos que passam pelo banco dos BRICS está a Ferrovia Transnordestina, considerada um dos maiores projetos de logística em execução no Brasil. A ferrovia deve ligar o Porto do Pecém, no Ceará, ao Porto de Suape, em Pernambuco, com cerca de 1.753 km previstos, criando um corredor de transporte que pode transformar a competitividade do agronegócio e da indústria nordestinos ao reduzir custos de escoamento para exportação.

Outro projeto de escala monumental é a ponte Salvador-Itaparica, um empreendimento de R$ 11 bilhões para um trecho de 12,4 km sobre a Baía de Todos os Santos. A obra, fruto de parceria público-privada com um consórcio chinês, prevê a criação de mais de 100 mil postos de trabalho ao longo da concessão de 35 anos e deve beneficiar 24 municípios baianos com redução de 40% no tempo de travessia. Para o Brasil, projetos dessa magnitude só se viabilizam quando múltiplas fontes de financiamento convergem, e o banco dos BRICS é uma delas.

O que o banco dos BRICS já financiou no Brasil em sete bilhões de dólares

Os US$ 7 bilhões que o banco dos BRICS já investiu no Brasil desde 2015 se distribuem por quatro grandes eixos. Energia renovável foi um dos primeiros setores a receber recursos, financiando projetos solares e eólicos que ajudaram o Brasil a expandir sua matriz energética limpa em um momento em que o país buscava diversificar as fontes de geração para reduzir a dependência de hidrelétricas vulneráveis a secas.

Mobilidade urbana e saneamento completam o portfólio. O banco dos BRICS financiou projetos de transporte público, corredores de ônibus e sistemas de tratamento de água e esgoto em cidades do Brasil que enfrentavam déficits crônicos de infraestrutura básica. A logística, com projetos ferroviários e portuários, é o setor que consome os volumes mais expressivos e que tem potencial de impacto mais amplo sobre a competitividade econômica do Brasil no mercado internacional. Cada dólar investido em logística reduz custos de exportação que pesam sobre a produção agrícola e industrial.

O que é o banco dos BRICS e por que ele investe tanto no Brasil

O New Development Bank foi criado em 2015 pelos cinco membros originais do BRICS com o objetivo de financiar infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes. O NDB tem capital autorizado de US$ 100 bilhões e opera com uma filosofia de menor dependência de instituições tradicionais dominadas por países desenvolvidos, como o Banco Mundial e o FMI, oferecendo condições de empréstimo que seus membros consideram mais favoráveis e menos condicionadas a agendas externas.

Sob a presidência de Dilma Rousseff, o banco dos BRICS intensificou a atuação no Brasil e expandiu parcerias para além dos cinco membros fundadores. Bangladesh e Egito estão entre os novos membros que ampliaram a base do NDB, e a expectativa é que o banco continue crescendo à medida que mais países emergentes busquem alternativas de financiamento fora do eixo Washington-Bruxelas. Para o Brasil, ser membro fundador e sede eventual de projetos do NDB representa acesso privilegiado a uma fonte de capital que cresce em relevância global.

O que os novos R$ 2,5 bilhões significam para o desenvolvimento do Brasil

Os R$ 2,5 bilhões recém-captados pelo banco dos BRICS são direcionados especificamente para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que concentram os maiores déficits de infraestrutura do Brasil. O foco nessas regiões é estratégico: são áreas com potencial econômico enorme em agronegócio, mineração e energia renovável, mas que ficam aquém do possível por falta de estradas, ferrovias, portos e serviços básicos como saneamento e conectividade digital.

O novo PAC, que é o veículo pelo qual esses recursos chegam ao destino final, prevê investimentos em transporte, energia, sistemas digitais e saúde e educação, um escopo amplo que permite que o dinheiro do banco dos BRICS seja aplicado onde o impacto social e econômico for mais urgente. Para o Brasil, cada rodada de financiamento do NDB é uma oportunidade de reduzir desigualdades regionais que persistem há décadas e que nenhum ciclo de crescimento econômico anterior conseguiu eliminar.

O banco dos BRICS liberou mais R$ 2,5 bilhões para o Brasil e já investiu US$ 7 bilhões no país desde 2015. Você acha que esses recursos estão chegando onde mais precisam? O banco dos BRICS é bom para o Brasil? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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