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Estádio abandonado na beira do mar, que já recebeu Gre-Nal, será demolido para virar autódromo de R$ 50 milhões em Cidreira, trocando arquibancadas tomadas por mato por uma pista inspirada na Nascar e reacendendo a pergunta sobre o destino dos antigos templos do futebol no litoral

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Escrito por Carla Teles Publicado em 30/06/2026 às 19:03 Atualizado em 30/06/2026 às 19:05
Estádio abandonado na beira do mar, que já recebeu Gre-Nal, será demolido para virar autódromo de R$ 50 milhões em Cidreira, trocando arquibancadas tomadas por mato (3)
O estádio abandonado em Cidreira pode virar autódromo inspirado na Nascar e reacender memória do Gre-Nal no litoral gaúcho.
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Um estádio abandonado em Cidreira, antigo palco de Gre-Nal, será demolido para virar autódromo de R$ 50 milhões inspirado na Nascar. A troca das arquibancadas tomadas por mato por uma pista oval reacende o debate sobre memória esportiva, abandono urbano e novos usos no litoral gaúcho.

Um estádio abandonado em Cidreira, no Rio Grande do Sul, deve ser demolido para dar lugar a um autódromo estimado em R$ 50 milhões e inspirado na Nascar. O local é o Estádio Antônio Braz Sessim, conhecido como Sessinzão, que já recebeu jogos de Grêmio e Internacional, incluindo a memória do Gre-Nal, e hoje aparece marcado por mato, lixo, entulho e estruturas em ruínas.

A informação foi publicada pela NSC Total em 30 de junho de 2026. A transformação depende de uma concessão da área à iniciativa privada, após autorização aprovada pela Câmara de Vereadores de Cidreira em novembro de 2025, enquanto a Federação Gaúcha de Automobilismo surge como principal interessada em liderar o projeto.

O estádio abandonado que já foi vitrine do futebol virou ruína no litoral

O estádio abandonado em Cidreira pode virar autódromo inspirado na Nascar e reacender memória do Gre-Nal no litoral gaúcho.
Imgem: Reprodução/LM Stadium/YouTube.

O Sessinzão foi inaugurado em 1996 com a ambição de movimentar a economia local e servir como uma espécie de segunda casa para a dupla Gre-Nal. A ideia era transformar Cidreira, cidade litorânea entre dunas e mar, em um ponto capaz de receber jogos relevantes e atrair público para além da temporada de verão.

Mas a trajetória no futebol foi curta. Segundo a reportagem, o estádio recebeu apenas 19 jogos oficiais antes de ser interditado em 2010 por problemas estruturais. O que nasceu como promessa de desenvolvimento acabou se tornando um símbolo incômodo de abandono, com arquibancadas vazias e um espaço que perdeu função esportiva ao longo dos anos.

Da memória do Gre-Nal ao projeto de uma pista oval

A mudança proposta é radical: sai o campo de futebol e entra um autódromo com pista oval. O projeto prevê a transformação do antigo estádio em um circuito voltado ao automobilismo, com orçamento estimado em R$ 50 milhões e prazo de construção que pode chegar a dez anos.

A Federação Gaúcha de Automobilismo demonstrou interesse em assumir a condução da proposta, buscando investidores e liderando a implantação. A prefeitura, por sua vez, deve lançar edital de concessão da área. Na prática, o antigo templo esportivo deixaria de olhar para o futebol e passaria a mirar uma nova vocação econômica ligada às corridas.

A inspiração vem de uma arena da Nascar nos Estados Unidos

O desenho do novo autódromo tem como referência o Bowman Gray Stadium, nos Estados Unidos, uma pista associada à Nascar. O circuito americano fica em Winston-Salem, na Carolina do Norte, e começou como estádio de futebol americano antes de receber corridas, ainda no fim da década de 1930.

Para Cidreira, o projeto prevê uma pista de 498 metros, um pouco maior que o traçado americano, que tem cerca de 400 metros. Caso avance, os responsáveis ainda devem discutir com a Nascar detalhes técnicos, como inclinação e características específicas da modalidade. A proposta tenta importar para o litoral gaúcho uma lógica de espetáculo esportivo pouco comum no Brasil.

O terreno carrega abandono, mas também capacidade para atrair público

O Sessinzão tem capacidade aproximada de 17 mil pessoas, a mesma atribuída ao Bowman Gray. Esse dado ajuda a explicar por que o espaço ainda desperta interesse, mesmo depois de anos sem cumprir a função original. A estrutura, apesar do desgaste, ocupa uma área que pode ser reaproveitada em outro formato esportivo.

Hoje, porém, o contraste é forte. O local descrito pela reportagem aparece tomado por mato, lixo e marcas de deterioração. A imagem de um estádio abandonado à beira-mar pesa porque mistura nostalgia, desperdício e possibilidade de recomeço, especialmente em uma cidade que busca novas formas de movimentar visitantes, investimentos e eventos.

A concessão pode definir o futuro do Sessinzão

O primeiro passo institucional ocorreu em novembro de 2025, quando a Câmara de Vereadores de Cidreira autorizou a prefeitura a ceder a área para a iniciativa privada. A concessão prevista é de 30 anos, período em que o projeto poderia sair do papel e transformar o antigo estádio em um equipamento voltado ao automobilismo.

Esse modelo indica que a prefeitura não pretende apenas reformar o espaço para devolvê-lo ao futebol. A aposta está em uma mudança de uso, com a Federação Gaúcha de Automobilismo como agente interessado e a iniciativa privada como possível financiadora. O futuro do Sessinzão, portanto, depende menos da nostalgia e mais da viabilidade econômica da nova pista.

O futebol perdeu espaço, mas a cidade tenta recuperar valor urbano

A história do estádio abandonado também expõe um problema comum em obras esportivas: estruturas criadas para gerar movimento podem se tornar passivos urbanos quando deixam de receber eventos, manutenção e público. Em vez de atrair renda, passam a ocupar áreas valiosas sem cumprir função clara.

No caso de Cidreira, a proposta de autódromo tenta inverter essa lógica. A pista oval poderia receber provas específicas e outros tipos de modalidades, segundo o projeto citado na reportagem. A questão central é saber se a troca de uma arena de futebol por um circuito automobilístico será suficiente para transformar abandono em atividade permanente.

O autódromo pode colocar Cidreira em uma rota diferente

O estádio abandonado em Cidreira pode virar autódromo inspirado na Nascar e reacender memória do Gre-Nal no litoral gaúcho.
Imagem: Reprodução/IA.

Se o projeto avançar, Cidreira pode deixar de ser lembrada apenas pelo Sessinzão abandonado e passar a disputar espaço no mapa do automobilismo. O fato de o circuito ser desenhado como pista oval, inspirado em modelo associado à Nascar, torna a proposta mais incomum no cenário brasileiro.

Ainda assim, o caminho até a obra é longo. Há concessão, captação de recursos, licenciamento, definição técnica e execução prevista em prazo amplo. Entre o estádio abandonado e o autódromo prometido, existe uma distância que será medida em investimento, planejamento e capacidade de manter o projeto vivo por anos.

Ruínas esportivas levantam uma pergunta maior no Brasil

O caso do Sessinzão não fala apenas de Cidreira. Ele toca em uma discussão maior sobre o destino de equipamentos esportivos que perdem função com o tempo. Estádios pequenos, arenas locais e estruturas municipais podem virar memória afetiva para torcedores, mas também se transformar em áreas degradadas quando não há uso contínuo.

A demolição do antigo campo para abrir caminho a um autódromo mostra uma escolha pragmática: substituir uma promessa frustrada do futebol por uma aposta no automobilismo. Para alguns, isso pode parecer perda de história; para outros, pode ser a chance de devolver vida a um espaço esquecido.

O litoral gaúcho pode ganhar uma nova arena de velocidade

A localização do Sessinzão, entre dunas e perto do mar, adiciona um elemento visual forte ao projeto. Uma pista oval no litoral gaúcho teria apelo diferente de autódromos tradicionais, especialmente se conseguir combinar eventos, turismo e uso frequente ao longo do ano.

O desafio é fazer com que a nova estrutura não repita o ciclo do antigo estádio. Para evitar que o investimento vire outra promessa vazia, o projeto precisará de calendário, gestão, manutenção e público. Na sua opinião, Cidreira deve preservar a memória do estádio abandonado ou apostar na demolição para tentar transformar o Sessinzão em um novo polo de corridas?

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Carla Teles

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