Novo marcapasso biodegradável pode ser implantado em segundos, substituindo procedimentos cirúrgicos tradicionais
Um dos avanços mais promissores da medicina cardiovascular acaba de ser revelado: um novo marcapasso com dimensões microscópicas, capaz de ser injetado por uma seringa, sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos invasivos. O feito foi publicado na última quarta-feira (2), na prestigiada revista Nature, e promete revolucionar o cuidado com pacientes que necessitam de estimulação cardíaca temporária.
O marcapasso do tamanho de um grão de arroz, com apenas 1 milímetro de espessura e 3,5 milímetros de comprimento, é tão pequeno que pode ser inserido diretamente no organismo com uma simples injeção, dispensando fios, cortes ou anestesia. A inovação é particularmente importante para recém-nascidos, pacientes em recuperação de cirurgias cardíacas e outros casos delicados em que a estimulação cardíaca temporária é essencial.
Marcapasso injetável por seringa é bioabsorvível e elimina riscos associados à remoção cirúrgica
Diferente dos modelos convencionais, que exigem implantes com fios conectados a baterias externas, esse marcapasso injetável por seringa funciona sem qualquer conexão física com o exterior. Além disso, ele é biodegradável, ou seja, se dissolve naturalmente no corpo após cumprir sua função, eliminando a necessidade de uma segunda intervenção para remoção.
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Essa característica reduz drasticamente os riscos clínicos, como infecções hospitalares, danos ao tecido cardíaco e reações adversas a materiais metálicos. Segundo o pesquisador John A. Rogers, coautor do estudo e professor da Northwestern University, “o novo marcapasso é totalmente integrado, autossuficiente, controlado por luz e completamente bioabsorvível. Ele pode ser entregue por uma seringa, sem a necessidade de cirurgias invasivas”.
Marcapasso sem cirurgia opera por controle de luz e adesivo inteligente na superfície da pele
A forma de funcionamento do marcapasso sem cirurgia é tão inovadora quanto sua estrutura. O dispositivo é emparelhado a um adesivo eletrônico colocado sobre a pele, que monitora continuamente os batimentos cardíacos. Em caso de irregularidade, o adesivo envia sinais luminosos que atravessam a pele e ativam o marcapasso, corrigindo o ritmo cardíaco com precisão.
Essa abordagem elimina totalmente o uso de baterias, eletrodos e fios internos, que são comuns em dispositivos tradicionais. A energia e os comandos são transmitidos por tecnologia óptica, tornando o processo mais seguro, rápido e com menor chance de complicações pós-operatórias.
Além disso, os testes realizados em modelos animais e tecidos humanos mostraram que o marcapasso do tamanho de um grão de arroz é eficaz e confiável, mantendo a estimulação do coração de forma consistente e sem causar inflamações ou rejeição.
Novo marcapasso representa avanço histórico na medicina para recém-nascidos e pacientes frágeis
O desenvolvimento do novo marcapasso tem implicações especialmente relevantes para recém-nascidos com problemas cardíacos, que muitas vezes são submetidos a procedimentos delicados e de alto risco. Com a possibilidade de realizar um implante sem cirurgia, médicos poderão oferecer um tratamento mais seguro, menos traumático e com recuperação muito mais rápida.
Pacientes idosos, com fragilidade clínica ou em pós-operatório de cirurgias cardíacas também estão entre os grandes beneficiados. Como o dispositivo é temporário e bioabsorvível, ele cumpre sua função sem a necessidade de retirada posterior, o que representa menos tempo de internação e menores custos hospitalares.
O pesquisador Rogers ressalta que esse pode ser apenas o começo: “Essa base tecnológica pode ser adaptada para uma ampla gama de terapias eletromédicas, além da estimulação cardíaca”. Isso inclui desde estimulação nervosa até terapias regenerativas e neurológicas.
Potencial para transformar a eletromedicina e ampliar aplicações clínicas em diversas especialidades
Segundo o estudo, a tecnologia usada no marcapasso sem cirurgia poderá, no futuro, ser aplicada em outros tratamentos que requerem estimulação elétrica precisa e controlada. Um exemplo seria o uso em estímulos neuromusculares para pacientes com lesões na medula espinhal, ou até na regeneração de tecidos danificados.
A miniaturização e a capacidade de inserção por seringa tornam esse marcapasso injetável por seringa um modelo para futuras inovações em nanomedicina e implantes inteligentes, onde a intervenção mínima é o caminho preferido para preservar a saúde do paciente com máxima eficiência.
Além disso, por ser biodegradável e temporário, o dispositivo também se mostra ecologicamente mais viável, reduzindo a quantidade de resíduos médicos e equipamentos descartáveis utilizados em tratamentos de curto prazo.
Início dos testes em humanos está previsto para os próximos anos, segundo os pesquisadores do projeto
A equipe de pesquisadores envolvida no desenvolvimento do novo marcapasso está otimista quanto aos próximos passos. Já foi iniciada a preparação para testes clínicos em humanos, o que poderá ocorrer nos próximos anos, dependendo da aprovação dos órgãos reguladores de saúde.
Se os resultados forem tão promissores quanto os obtidos nos testes pré-clínicos, o marcapasso do tamanho de um grão de arroz poderá ser lançado no mercado em um futuro próximo, transformando profundamente o protocolo de tratamento em unidades de terapia intensiva, emergências e centros cirúrgicos.
O desenvolvimento foi liderado por cientistas da Northwestern University em parceria com pesquisadores de outras instituições dos Estados Unidos, combinando conhecimento em engenharia biomédica, nanotecnologia e cardiologia.
Enquanto os pesquisadores se preparam para os testes clínicos em humanos, o mundo da medicina já observa com entusiasmo as possibilidades abertas por esse marcapasso sem cirurgia — uma verdadeira joia da biotecnologia moderna que cabe na ponta de uma agulha.
Fonte: Canaltech

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