Corredor rodoviário entre Bahia e Pernambuco entra em nova fase com concessão de 30 anos, obras de duplicação, vias marginais e intervenções urbanas em trechos da BR-116 e da BR-324, em uma rota ligada ao transporte de cargas, cidades do sertão e logística regional.
O Consórcio 116 Sertões venceu o leilão da Rota dos Sertões, realizado em 28 de maio de 2026 na B3, em São Paulo, e assumirá por 30 anos a operação, manutenção e modernização de 502 quilômetros das BRs 116 e 324.
O trecho concedido fica entre Salgueiro, em Pernambuco, e o anel rodoviário de Feira de Santana, na Bahia, área que reúne circulação de cargas, deslocamentos regionais e conexões com municípios do semiárido nordestino.
A concessão prevê R$ 8,5 bilhões ao longo do contrato, dos quais cerca de R$ 4,1 bilhões serão destinados a obras de ampliação e modernização da infraestrutura rodoviária, conforme informações divulgadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.
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Na disputa, o grupo vencedor apresentou desconto de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio, critério usado no leilão para definir a proposta vencedora dentro do modelo de concessão federal.
O pacote inclui intervenções em um corredor apontado pelo Ministério dos Transportes como relevante para o abastecimento regional, o transporte de cargas, a mobilidade da população e a integração econômica entre Bahia e Pernambuco.
Pelo traçado previsto no contrato, a rodovia atende deslocamentos entre áreas produtivas, centros consumidores, polos urbanos e rotas nacionais de distribuição, com fluxo formado por caminhões, ônibus, veículos leves e transporte ligado ao abastecimento de cidades do interior.
Rota dos Sertões conecta áreas produtivas do semiárido
A Rota dos Sertões abrange aproximadamente 429 quilômetros da BR-116 na Bahia, 66 quilômetros da BR-116 em Pernambuco e 7,2 quilômetros da BR-324 no anel viário de Feira de Santana.

Esse trecho passa por áreas urbanas, regiões agropecuárias, polos industriais e pontos de circulação de mercadorias, em uma malha que integra municípios do sertão baiano e pernambucano a outros corredores rodoviários federais.
A BR-116 é uma das rodovias federais de maior extensão no país e funciona como eixo de ligação entre o Nordeste e outras regiões brasileiras, com papel relevante para cargas de longa distância e deslocamentos interestaduais.
No trecho concedido, a estrada recebe tráfego de caminhões, ônibus, veículos de passeio e transportes vinculados ao abastecimento de municípios do semiárido, o que exige manutenção contínua e intervenções de segurança viária.
Com a expansão de atividades produtivas no interior da Bahia e de Pernambuco, a pressão sobre a rodovia aumentou em áreas onde o tráfego pesado divide espaço com travessias urbanas, acessos locais e deslocamentos diários de moradores.
Em materiais oficiais, Feira de Santana aparece como ponto de grande concentração rodoviária no Norte e no Nordeste, por conectar vias como a BR-116, a BR-324 e a BR-101.
O município baiano também reúne atividades de comércio, serviços, indústria e transporte, o que ajuda a explicar a presença do anel viário da BR-324 dentro do lote concedido à iniciativa privada.
Obras na BR-116 buscam reduzir gargalos viários
Entre as principais intervenções previstas estão cerca de 95 quilômetros de duplicação de pistas, aproximadamente 45 quilômetros de vias marginais em travessias urbanas e a construção de um contorno viário em Serrinha, no interior da Bahia.
O projeto também prevê recuperação, manutenção e ampliação de capacidade ao longo do contrato, com obrigações que serão executadas de acordo com etapas e prazos definidos no documento de concessão.
No caso de Serrinha, o contorno viário foi incluído porque o município está em um ponto de circulação urbana e rodoviária, onde o tráfego local se mistura ao fluxo de longa distância na BR-116 baiana.
A separação entre deslocamentos urbanos e veículos que atravessam a região é uma das intervenções previstas para reorganizar a circulação nesse trecho, conforme o desenho apresentado para a concessão.
Além das obras de ampliação, a concessão inclui serviços operacionais comuns a contratos rodoviários federais, como atendimento aos usuários, manutenção permanente, conservação do pavimento e ações voltadas à segurança viária.
A execução das intervenções seguirá cronogramas contratuais, e a fiscalização caberá aos órgãos responsáveis pelo acompanhamento da concessão, incluindo a Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Segundo o Ministério dos Transportes, empresas, motoristas e moradores que dependem da BR-116/324 relatam demanda por melhorias na pavimentação, redução de gargalos e mais previsibilidade nos deslocamentos.
A pasta também afirma que congestionamentos, desgaste da pista e sinistros elevam custos operacionais e afetam o transporte de cargas, especialmente em corredores usados por caminhões e ônibus em trajetos regionais e interestaduais.
Concessão envolve logística, indústria e agronegócio
A modernização da Rota dos Sertões alcança atividades econômicas que dependem de deslocamentos rodoviários frequentes, como transporte de alimentos, insumos industriais, combustíveis, cargas gerais e produção agropecuária.

A BR-116 funciona como ligação entre municípios do semiárido, centros de distribuição e mercados consumidores, em uma rota usada por diferentes cadeias produtivas do interior da Bahia e de Pernambuco.
No entorno de Feira de Santana, a presença de indústrias e centros logísticos amplia o uso da malha rodoviária por empresas que dependem do escoamento de produtos e do recebimento de insumos.
O Centro Industrial do Subaé abriga empresas de diferentes segmentos e utiliza a rede de rodovias da região para abastecer operações ligadas à Bahia e a outros estados do Nordeste.
Em municípios do sertão baiano, a rodovia também atende atividades agropecuárias que dependem de rotas estáveis para circulação regional, especialmente em cadeias com produção distribuída por áreas rurais e centros urbanos próximos.
Euclides da Cunha, por exemplo, é citado em materiais do Ministério dos Transportes como área com produção de feijão, milho, mandioca, apicultura e pecuária, setores que utilizam a malha rodoviária para deslocamento de cargas e insumos.
Serviços ligados ao transporte, como oficinas, postos de combustíveis, hospedagem, restaurantes e pontos de apoio a caminhoneiros, também integram a economia instalada ao longo de corredores rodoviários desse tipo.
Esse efeito, porém, depende da execução das obras previstas, da dinâmica econômica local e da capacidade de cada município de organizar áreas de serviço, acessos urbanos e atividades associadas à circulação de veículos.
Pedágio terá desconto sobre tarifa de referência
O leilão foi vencido pelo Consórcio 116 Sertões com deságio de 19,60% sobre a tarifa básica de pedágio, percentual que definiu a melhor proposta apresentada na disputa.
Esse foi o critério adotado dentro do modelo conduzido pela ANTT, pelo Ministério dos Transportes e com estruturação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A cobrança de pedágio faz parte do modelo de concessão, no qual a iniciativa privada assume obrigações de operação, manutenção e investimentos por prazo determinado.
Como contrapartida, a concessionária passa a explorar economicamente o trecho concedido, de acordo com regras contratuais, metas de desempenho, parâmetros tarifários e fiscalização do poder público.
O BNDES informou que o projeto foi estruturado para combinar níveis tarifários considerados módicos com intervenções de aumento de segurança e capacidade na BR-116/324.
Antes do leilão, o edital previa R$ 4,3 bilhões em investimentos de capital, enquanto divulgações posteriores à disputa apontaram R$ 4,1 bilhões destinados diretamente às obras de infraestrutura rodoviária.
A diferença entre os números aparece associada à forma de apresentação dos valores do projeto, que também inclui custos operacionais estimados ao longo dos 30 anos de contrato.
Infraestrutura no Nordeste ganha novo eixo de concessão
A Rota dos Sertões integra uma agenda de concessões rodoviárias federais em andamento, com projetos estruturados para transferir à iniciativa privada a operação e a modernização de trechos da malha nacional.
O lote foi estruturado no âmbito da parceria entre o BNDES, o Ministério dos Transportes e a ANTT, que tem levado novos projetos a leilão para ampliar investimentos em infraestrutura rodoviária.
No Nordeste, corredores rodoviários seguem relevantes para cadeias produtivas instaladas no interior, para a circulação entre cidades médias e para a conexão com portos, centros industriais e mercados consumidores.
Nesse contexto, a BR-116/324 aparece nos documentos oficiais como eixo de circulação entre áreas produtivas, municípios de porte médio e pontos de ligação com outras rotas nacionais.
A efetividade da concessão será avaliada a partir do cumprimento das etapas previstas, da fiscalização do contrato e da entrega das obras programadas para os trechos incluídos no lote.
Para usuários, empresas e municípios localizados ao longo da rota, os efeitos concretos dependerão do avanço das duplicações, das vias marginais, do contorno viário de Serrinha e das melhorias de segurança previstas para a BR-116/324.
A concessão de 30 anos transfere à iniciativa privada a responsabilidade por operar e modernizar um corredor usado no transporte do semiárido nordestino e na ligação entre Bahia e Pernambuco.
O alcance econômico das obras será acompanhado pela entrega das intervenções contratadas, pela evolução da operação rodoviária e pelo desempenho da infraestrutura concedida ao longo dos próximos anos.
