Tecnologia de internet por satélite que entrega conexão diretamente nos celulares, sem roteadores ou antenas em solo, atrai investimentos bilionários das gigantes globais e coloca o Brasil como um dos mercados prioritários para a próxima fase de expansão do setor.
O mercado de internet por satélite vive uma transformação sem precedentes, com as maiores empresas de tecnologia e telecomunicações do planeta investindo dezenas de bilhões de dólares para dominar a tecnologia conhecida como direct to device, ou D2D, que permite conexão rápida diretamente nos celulares.
Diferentemente da geração anterior, que comercializava internet por satélite como uma espécie de banda larga fixa e dependia de roteadores instalados em solo, o D2D elimina essa necessidade, oferecendo conectividade direta a celulares, tablets e computadores em qualquer ponto do planeta.
A tecnologia tem potencial de alcançar áreas remotas que as operadoras tradicionais nunca cobriram por limitações de infraestrutura terrestre, além de se tornar uma solução estratégica em situações de emergência e desastres naturais, quando a rede convencional sofre interrupções graves.
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A Amazon protagonizou um dos maiores negócios recentes do setor ao fechar a compra da Globalstar por US$ 11,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 58 bilhões, aquisição que permite à empresa oferecer conexões diretas de internet para celulares e demais dispositivos móveis.
Por outro lado, a Starlink, empresa de internet por satélite fundada por Elon Musk, consolidou sua posição ao concluir a compra da Echostar por US$ 17 bilhões, aproximadamente R$ 90 bilhões, uma transação que inclui frequências estratégicas para D2D em diversos países, inclusive no Brasil.
Brasil na rota dos grandes investimentos em D2D
No território brasileiro, duas empresas lideram a corrida pelo mercado de internet direta via satélite: a AST Space Mobile, sediada no Texas e listada na bolsa Nasdaq, que obteve recentemente a autorização da Agência Nacional de Telecomunicações para operar no país.
A outra é a própria Starlink, que protocolou junto à Anatel em fevereiro um pedido formal para atuar no segmento D2D no Brasil, reforçando o interesse da empresa de Elon Musk em ampliar sua presença no lucrativo mercado nacional de telecomunicações.
Segundo o chefe de Assuntos Internacionais e Regulatórios da AST, Rodrigo Gebrim, a empresa abriu seu escritório em São Paulo e já mantém conversas avançadas com operadoras locais para firmar parcerias comerciais antes de lançar os serviços ao público brasileiro.
O modelo de negócios das duas empresas será baseado em parcerias com as operadoras locais, complementando a oferta de internet móvel em regiões com pouca cobertura, sem competir diretamente com as teles tradicionais que já operam no mercado brasileiro de telecomunicações.
Nos Estados Unidos, a AST Space Mobile já firmou acordos com gigantes como AT&T e Verizon, enquanto na Europa trabalha com a Vodafone, operadoras que enxergaram tanto potencial no negócio que passaram a integrar o quadro de acionistas da empresa americana.
Expansão da rede e perspectivas para o mercado nacional
Para viabilizar a cobertura global sem interrupções, a AST Space Mobile projeta chegar a 45 satélites em órbita até o final de 2026, expandindo a constelação para 90 unidades até o final de 2027, o que tornará possível o lançamento dos planos comerciais de internet.
Ao redor do mundo, mais de uma dezena de países já opera com serviços D2D, embora a maioria ainda esteja em fase experimental, pois a cobertura atual ainda não permite conexão contínua e sem interrupções para todos os usuários em todas as regiões atendidas.
Segundo Mauro Wajnberg, presidente da Abrasat, a tecnologia está saindo de um estágio experimental para algo genuinamente comercial, com mais de uma dezena de países já utilizando o D2D e uma dinâmica global que muda rapidamente a cada trimestre no setor.
O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, ressaltou que o tamanho continental do Brasil torna impossível levar cobertura terrestre para todo o território apenas com infraestrutura convencional, defendendo o D2D como uma solução estratégica para resolver o problema histórico da conectividade nacional.
Na avaliação de Juliano Stanzani, Diretor de Políticas Regulatórias do Ministério das Comunicações, a tecnologia pode alcançar comunidades remotas e ser aplicada em políticas de conectividade para órgãos públicos, aplicações militares, segurança civil e rodovias federais espalhadas pelo país.
Stanzani destacou ainda que estimular a concorrência entre provedores de D2D é uma forma de garantir soberania digital ao setor público, que passa a ter mais opções de fornecedores e não fica dependente de um único player para serviços estratégicos de conectividade nacional.
A perspectiva do governo é que a inclusão digital em regiões de difícil acesso, historicamente marginalizadas pelas operadoras tradicionais, seja acelerada pela chegada do D2D em escala comercial, levando conexão a populações que nunca tiveram acesso confiável à internet móvel.
O avanço do setor também deve impactar positivamente o mercado de trabalho em telecomunicações, com a criação de empregos especializados na operação, manutenção e suporte técnico dessas novas redes, além de estimular o desenvolvimento de aplicações e serviços digitais adaptados à nova infraestrutura.

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