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Noruega instala turbinas eólicas flutuantes com torres de mais de 100 metros, bases de 5.000 toneladas e cabos submarinos que percorrem o Mar do Norte conectando energia oceânica às cidades — Hywind Tampen

Escrito por Débora Araújo
Publicado em 13/01/2026 às 12:25
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Noruega instala turbinas eólicas flutuantes com torres de mais de 100 metros, bases de 5.000 toneladas e cabos submarinos que percorrem o Mar do Norte conectando energia oceânica às cidades — Hywind Tampen
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Noruega lidera energia eólica flutuante com torres gigantes, bases de 5.000 t e cabos submarinos que levam energia do mar para indústrias no continente.

Segundo a Equinor (antiga Statoil), a Agência Internacional de Energia (IEA) e o Ministério de Petróleo e Energia da Noruega, o país opera o maior parque eólico flutuante do mundo até 2023/2024: Hywind Tampen, localizado no Mar do Norte. A construção começou oficialmente em 2019, a instalação das turbinas ocorreu entre 2021 e 2023, e o sistema entrou em operação parcial em novembro de 2022, atingindo operação ampliada em 2023.

A Noruega já havia testado a tecnologia flutuante antes, com o projeto Hywind Scotland, instalado em 2017 em parceria com o Reino Unido, demonstrando ao mundo que parques eólicos podem ser instalados em águas profundas e fora da plataforma continental, algo que turbinas fixas convencionais não conseguem fazer devido ao limite de profundidade.

O que diferencia o caso norueguês é a escala, a profundidade, o peso estrutural e a integração industrial: as turbinas alimentam não apenas a rede elétrica tradicional, mas também plataformas de petróleo offshore, reduzindo o uso de gás natural para geração energética — algo documentado pela própria Equinor.

Por que a Noruega precisou construir turbinas eólicas flutuantes?

A costa norueguesa é uma das mais profundas do mundo. A poucos quilômetros da costa, a profundidade já ultrapassa 300 metros, e em muitos trechos supera 1.000 metros. Em águas tão profundas, não é possível instalar torres fixas com estacas, como ocorre no Reino Unido, Dinamarca, Alemanha ou China.

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A solução encontrada pelo setor energético norueguês foi aplicar conceitos de: engenharia naval, energia eólica e offshore de petróleo e gás. A Noruega possui 50 anos de experiência com plataformas flutuantes, navios FPSO, catenárias submarinas, mooring lines, e cabos de exportação de energia, o que facilitou a transição tecnológica.

A engenharia por trás das torres eólicas gigantes

As turbinas usadas em Hywind Tampen são do tipo flutuante com lastro, apoiadas em estruturas chamadas spar platforms — similares a plataformas de petróleo cilíndricasSegundo a Equinor, cada unidade possui:

  • Altura superior a 100 metros acima da superfície
  • Cerca de 80–120 metros abaixo da linha d’água
  • Bases flutuantes de até 5.000 toneladas
  • Diâmetro das pás próximo de 167 metros (em alguns modelos)
  • Profundidades operacionais entre 200 e 800 metros

Essas bases são ancoradas com cabos de aço e sistemas de amarração capazes de suportar ondas de até 20 metros, ventos superiores a 100 km/h e correntes oceânicas intensas.

Cada turbina é conectada por cabos submarinos de alta tensão, que percorrem o fundo do Mar do Norte até chegarem aos sistemas de processamento.

Energia offshore para alimentar plataformas offshore

Um dos aspectos mais curiosos do projeto norueguês é o ciclo industrial fechado: a energia gerada no mar alimenta plataformas de petróleo e gás, reduzindo as emissões associadas à produção. Segundo dados oficiais divulgados pela Equinor e confirmados pela Agência Internacional de Energia:

  • Hywind Tampen tem capacidade instalada de 88 MW
  • Pode suprir até 35% da demanda energética de plataformas como Snorre e Gullfaks
  • Reduz emissões anuais em cerca de 200 mil toneladas de CO₂

Isso transforma turbinas flutuantes em peças da transição energética, e não apenas em geração elétrica convencional.

Construção: da doca ao oceano

O processo construtivo envolve:

  1. Fabricação em porto
    As bases flutuantes e componentes estruturais são montados em estaleiros noruegueses ou escoceses.
  2. Acoplamento das torres
    As torres são eretas ainda no porto ou em diques secos.
  3. Instalação das pás
    As pás são montadas verticalmente, em operação de alta precisão com guindastes oceânicos.
  4. Reboque oceânico
    A turbina completa é rebocada por empurradores até o ponto de ancoragem.
  5. Conexão submarina
    Cabos elétricos e linhas de ancoragem são posicionados com ROVs (veículos remotamente operados).

O conjunto forma uma planta geradora em alto mar, sem ilhas artificiais, sem plataformas fixas e sem necessidade de dragagem maciça.

Escala, custos e impacto internacional

Segundo estimativas oficiais divulgadas durante o desenvolvimento do projeto, Hywind Tampen custou aproximadamente 7,4 bilhões de coroas norueguesas, com apoio financeiro do governo norueguês para estimular inovação industrial. O impacto é considerado global por três motivos principais:

  1. Águas profundas dominam os melhores ventos do planeta
    Estudos da IEA mostram que 80% do potencial eólico offshore está em águas profundas onde turbinas fixas não podem ser instaladas.
  2. Empresas de petróleo estão se tornando elétricas
    Equinor, Shell e BP estão investindo em eólica flutuante, e parte dessa mudança nasceu na engenharia norueguesa.
  3. Países que não têm plataforma continental agora podem entrar no jogo
    Japão, Coreia do Sul, EUA (Costa Oeste), Noruega e Espanha têm geografia semelhante — costas profundas, onde turbinas fixas não servem.
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Como isso muda o mapa energético mundial

A Noruega não está apenas gerando energia: está exportando tecnologia. Países que já anunciaram ou operam turbinas flutuantes baseadas em conceitos noruegueses incluem:

  • Japão — pilotos pós-Fukushima
  • Reino Unido — Hywind Scotland operacional desde 2017
  • Portugal — plataforma WindFloat
  • Coreia do Sul — grandes estudos na costa leste
  • Espanha — planos na costa atlântica
  • EUA — projetos na Califórnia e Oregon

A IEA estima que, se todo o potencial de águas profundas for explorado, a eólica flutuante poderia abastecer 11 vezes o consumo elétrico mundial — número citado em relatórios oficiais da agência.

Por que este modelo é interessante para outros países?

Alguns fatores estratégicos tornam a Noruega um laboratório energético global:

  • geologia difícil → exige inovação
  • engenharia naval madura
  • estaleiros e indústria offshore já instalada
  • capital estatal e governança energética forte
  • política ambiental consolidada

Estados costeiros com condições semelhantes poderão replicar o modelo, inclusive países com pouca costa raso.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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