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No meio de uma das regiões mais áridas do planeta, círculos de até 1 km surgem no sudeste da Líbia como marcas visíveis do espaço e revelam fazendas gigantes que bombeiam água fóssil escondida sob o deserto há milhares de anos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 07/04/2026 às 17:44 Atualizado em 07/04/2026 às 17:48
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Foto: Green Circles—Al Khufrah Oasis, Libya – NASA
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Círculos gigantes no deserto da Líbia são visíveis do espaço e revelam fazendas que usam água subterrânea milenar no Saara.

Em registros divulgados ao longo dos anos pela NASA Earth Observatory, baseados em imagens de satélite e também em observações feitas por astronautas na Estação Espacial Internacional, uma paisagem improvável chama atenção no sudeste da Líbia, na região de Al Khufrah. No meio de uma das áreas mais áridas do planeta, surgem círculos quase perfeitos, formando padrões geométricos que contrastam diretamente com o deserto ao redor. A própria NASA descreve esses círculos como áreas agrícolas sustentadas por irrigação por pivô central, visíveis com clareza em registros orbitais feitos sobre o Saara.

Essas estruturas não são fenômenos naturais. Elas representam um sistema agrícola altamente tecnológico implantado em pleno deserto, abastecido por água fóssil extraída de um grande aquífero subterrâneo, em uma região onde a agricultura só se torna possível graças à engenharia hidráulica. Em outra análise oficial, Water Beneath the Sand, a NASA explica que a área de Kufrah está sobre um dos maiores projetos de irrigação do mundo, conectado ao Nubian Sandstone Aquifer e a uma rede de infraestrutura que transformou o deserto em área produtiva. A imagem que do espaço parece um mosaico artificial é, na prática, uma das demonstrações mais marcantes de engenharia agrícola em ambiente desértico extremo.

Círculos perfeitos de até 1 km são resultado de irrigação por pivô central

O formato circular dessas áreas agrícolas tem uma explicação direta na tecnologia utilizada. Trata-se do sistema de irrigação por pivô central, no qual um equipamento rotativo distribui água de maneira uniforme ao redor de um ponto fixo.

Esse sistema consiste em um braço metálico longo, equipado com aspersores, que gira continuamente em torno de um eixo central. À medida que o equipamento completa a rotação, a água é distribuída em formato radial, criando um círculo quase perfeito.

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Cada um desses círculos pode atingir aproximadamente 1 quilômetro de diâmetro, o que os torna facilmente identificáveis em imagens de satélite e até mesmo a olho humano em órbita. Esse padrão geométrico é tão característico que se tornou uma das marcas visuais mais reconhecíveis da agricultura moderna em regiões áridas.

Região de Al Khufrah concentra alguns dos padrões mais impressionantes já vistos do espaço

A maior concentração desses círculos está localizada na região de Al Khufrah, também conhecida como Kufra, no sudeste da Líbia. Trata-se de uma área extremamente isolada, cercada por extensões vastas de deserto, onde não há rios permanentes nem fontes naturais de água superficial.

Imagens capturadas pela NASA mostram dezenas de círculos distribuídos de forma organizada, formando verdadeiros mosaicos agrícolas em meio à aridez absoluta. A regularidade dos padrões e o contraste com o ambiente ao redor criam uma paisagem que, vista do espaço, parece mais próxima de um projeto artificial do que de uma formação terrestre comum.

Essas áreas agrícolas são utilizadas para o cultivo de alimentos como trigo, alfafa e outros grãos, fundamentais para a segurança alimentar local.

Água utilizada vem de aquífero subterrâneo formado há milhares de anos

O fator que torna esse sistema possível é a existência de uma gigantesca reserva de água subterrânea conhecida como Aquífero de Arenito Núbio. Esse reservatório se estende por vários países do norte da África e é considerado um dos maiores do mundo.

Diferentemente de aquíferos alimentados por chuvas recentes, a água presente nesse sistema é classificada como água fóssil. Isso significa que ela foi acumulada há milhares ou até milhões de anos, em períodos climáticos completamente diferentes dos atuais.

Ao perfurar poços profundos, as fazendas acessam essa água antiga e a utilizam para irrigação, criando áreas verdes em um ambiente que naturalmente não permitiria qualquer tipo de agricultura.

Essa característica torna o projeto impressionante, mas também levanta questões sobre sustentabilidade no longo prazo.

Grande Rio Artificial ampliou a capacidade de irrigação no deserto

A exploração desses recursos hídricos foi ampliada com a criação de um dos maiores projetos de engenharia hidráulica do mundo, conhecido como Grande Rio Artificial. Desenvolvido pelo governo líbio a partir da década de 1980, o sistema consiste em uma rede de tubulações subterrâneas que transporta água do aquífero para diferentes regiões do país.

Esse sistema permitiu expandir a agricultura em áreas desérticas e abastecer centros urbanos distantes das fontes de água. A combinação entre o Grande Rio Artificial e a irrigação por pivô central tornou possível a criação de um cinturão agrícola em pleno Saara, algo que seria impensável sem tecnologia.

Contraste extremo com um dos ambientes mais secos do planeta

O impacto visual desses círculos se deve principalmente ao contraste com o ambiente ao redor. O deserto do Saara é conhecido por suas condições extremas, com temperaturas elevadas, baixa umidade e praticamente ausência de precipitação.

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Em muitas áreas da Líbia, a chuva anual é quase inexistente. Isso significa que qualquer vegetação depende exclusivamente de irrigação artificial. Nesse contexto, a presença de áreas verdes perfeitamente delimitadas cria uma imagem que parece desafiar as condições naturais do planeta.

Essa diferença é tão marcante que os círculos se destacam imediatamente em imagens de satélite, tornando-se um exemplo clássico de intervenção humana visível do espaço.

Cores observadas nas imagens revelam o ciclo das plantações

As variações de cor observadas nos círculos não são aleatórias. Elas refletem o estágio das culturas agrícolas em cada área.

Círculos com verde mais intenso indicam vegetação ativa, enquanto tons mais claros podem representar áreas em colheita, preparo do solo ou períodos de descanso. Em alguns casos, tons avermelhados aparecem devido ao tipo de cultura ou às condições específicas do solo.

Essa diversidade cromática transforma a paisagem em um padrão dinâmico, onde cada círculo funciona como uma unidade produtiva independente, com seu próprio ciclo agrícola.

Visibilidade do espaço reforça impacto visual e importância geográfica

Um dos aspectos mais citados pela NASA é a facilidade com que esses padrões podem ser identificados a partir do espaço. Astronautas na Estação Espacial Internacional conseguem observar os círculos sem necessidade de equipamentos avançados.

No meio de uma das regiões mais áridas do planeta, círculos de até 1 km surgem no sudeste da Líbia como marcas visíveis do espaço e revelam fazendas gigantes que bombeiam água fóssil escondida sob o deserto há milhares de anos
Foto: NASa/Divulgação

Essa visibilidade reforça a escala do projeto e sua relevância como exemplo de intervenção humana em ambientes extremos. Poucas estruturas agrícolas no mundo apresentam um impacto visual tão claro quando observadas fora do planeta, o que contribui para o interesse científico e público.

Uso intensivo de água levanta preocupações sobre sustentabilidade

Apesar do sucesso na criação de áreas agrícolas, o uso de água fóssil levanta preocupações importantes. Como o aquífero não é reabastecido em escala significativa pelas condições climáticas atuais, a extração contínua pode levar ao esgotamento do recurso.

Estudos indicam que, em determinadas condições, a exploração pode não ser sustentável no longo prazo, especialmente se a demanda continuar crescendo. 

A utilização de água acumulada ao longo de milhares de anos para sustentar agricultura moderna cria um cenário onde o recurso pode se tornar limitado com o tempo. Essa questão coloca em debate o equilíbrio entre desenvolvimento agrícola e preservação de recursos naturais.

Agricultura no deserto representa avanço tecnológico e desafio ambiental

O caso dos círculos no deserto da Líbia representa um exemplo claro de como a tecnologia pode transformar ambientes considerados inóspitos em áreas produtivas. Ao mesmo tempo, evidencia os limites dessa transformação quando depende de recursos finitos.

A combinação de engenharia hidráulica, sistemas de irrigação avançados e exploração de aquíferos permitiu criar uma nova realidade agrícola em pleno Saara. No entanto, a continuidade desse modelo depende de gestão cuidadosa dos recursos disponíveis.

Esse equilíbrio entre inovação e sustentabilidade é um dos principais desafios enfrentados por projetos de agricultura em regiões áridas, especialmente em um contexto de mudanças climáticas globais.

Intervenção humana no Saara se torna um dos exemplos mais visíveis do planeta

A presença desses círculos reforça como a ação humana pode modificar paisagens em escala continental. O que antes era uma extensão contínua de deserto passou a abrigar áreas produtivas organizadas em padrões geométricos altamente visíveis.

Esse tipo de transformação não apenas altera o ambiente local, mas também se torna um símbolo da capacidade tecnológica de adaptação a condições extremas. A paisagem do Saara, vista do espaço, passa a contar uma nova história, marcada pela presença de estruturas criadas pela engenharia moderna.

E você, acredita que é possível transformar desertos em áreas produtivas de forma sustentável no longo prazo?

Deixe sua opinião nos comentários e diga se projetos como esse podem se expandir para outras regiões áridas do planeta.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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