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No interior de Taió, em Santa Catarina, um pai de 82 anos transformou luto em obra concreta e ergueu um castelo de cinco pavimentos para eternizar a filha Daís Bianca, morta em acidente aos 32, com símbolos, memória e números que ainda emocionam

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 18/02/2026 às 16:06
Atualizado em 18/02/2026 às 16:08
Assista o vídeoEm Taió, Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos erguido por um pai de 82 anos transforma números, símbolos e rotina em homenagem a Daís Bianca, unindo memória, arquitetura e objetos antigos em um espaço privado que ainda emociona.
Em Taió, Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos erguido por um pai de 82 anos transforma números, símbolos e rotina em homenagem a Daís Bianca, unindo memória, arquitetura e objetos antigos em um espaço privado que ainda emociona.
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No interior agrícola de Taió, em Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos construído por um pai de 82 anos virou casa de fim de semana, memorial e arquivo de antiguidades, marcado por 32 ciprestes, 64 degraus e uma sala dedicada à Daís Bianca, onde números tentam organizar a saudade

O castelo de cinco pavimentos fica no interior de Taió, em Santa Catarina, e foi erguido por Amélio, hoje com 82 anos, depois da morte de Daís Bianca, a filha mais velha, aos 32, em um acidente durante uma viagem. Ele transformou a ausência em concreto, com uma lógica de símbolos que se repete por toda a propriedade.

O lugar contrasta com o cenário agrícola do Alto Vale do Itajaí: torre, suítes, salas, cozinha e um terraço no alto, tudo em blocos de concreto. Não é um monumento público, e sim um espaço íntimo, usado pela família e por amigos, principalmente aos fins de semana, como um refúgio que mistura lembrança, rotina e silêncio.

Um castelo de cinco pavimentos que corta a paisagem rural

Em Taió, Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos erguido por um pai de 82 anos transforma números, símbolos e rotina em homenagem a Daís Bianca, unindo memória, arquitetura e objetos antigos em um espaço privado que ainda emociona.

A torre em forma de castelo aparece no meio de uma área de criação e reflorestamento, e a primeira impressão é a do deslocamento: algo que não deveria estar ali, mas está.

Em Taió, Santa Catarina, a construção virou assunto justamente por esse contraste entre o cenário rural e a ideia de um castelo de cinco pavimentos levantado com as próprias decisões de um pai de 82 anos.

Amélio se apresenta como empresário aposentado e agricultor, filho de produtores rurais, criado em uma família grande, com dez irmãos, na roça.

Ele conta que conciliou as atividades do sítio com a venda de autopeças até ter condições de sustentar uma vida tranquila com dona Ivoni, com quem está junto há quase 60 anos.

Quando fala de Daís Bianca, ele não busca espetáculo, busca permanência.

Os números que organizam a homenagem a Daís Bianca

Em Taió, Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos erguido por um pai de 82 anos transforma números, símbolos e rotina em homenagem a Daís Bianca, unindo memória, arquitetura e objetos antigos em um espaço privado que ainda emociona.

O castelo de cinco pavimentos não foi desenhado para ser apenas alto, e sim para carregar uma matemática emocional. A referência central é a idade de Daís Bianca: 32.

A partir dela, Amélio espalhou uma sequência de marcas pela entrada e pela estrutura, como se o percurso até a porta também precisasse contar a mesma história.

Ele descreve 32 ciprestes plantados, 32 pedras no caminho, uma casa com 16 metros de altura, metade de 32, e 64 degraus, o dobro de 32.

A área construída fica em torno de 200 m², e as fotos de 2004 mostram a obra em fase inicial, quando a torre já começava a ganhar forma.

A repetição dos números não é detalhe decorativo, é o método que ele encontrou para dar sentido ao que não fecha.

Como o castelo de cinco pavimentos vira casa, não apenas lembrança

Em Taió, Santa Catarina, o castelo de cinco pavimentos erguido por um pai de 82 anos transforma números, símbolos e rotina em homenagem a Daís Bianca, unindo memória, arquitetura e objetos antigos em um espaço privado que ainda emociona.

Apesar do impacto visual, o castelo de cinco pavimentos funciona como um espaço habitável.

A estrutura reúne suítes, salas e cozinha, usada pela família e por amigos, principalmente nos fins de semana, com o tipo de convivência que não exige roteiro, só presença.

Em Taió, Santa Catarina, a construção acaba sendo ao mesmo tempo casa e memorial, sem a separação clara entre morar e lembrar.

Logo na entrada, uma sala é dedicada a Daís Bianca, descrita por Amélio como um lugar de meditação, pensamento e conversa íntima com a memória da filha.

Ele fala em “se comunicar” com ela no pensamento, como quem visita um quarto que não deveria ter ficado vazio.

Nesse ponto, o castelo de cinco pavimentos deixa de ser curiosidade arquitetônica e vira uma espécie de rotina emocional.

Antiguidades, símbolos e a curiosidade histórica dentro da torre

O interior do castelo de cinco pavimentos guarda objetos de família e de viagens, como panelas antigas usadas na casa onde ele cresceu, o canivete e a navalha do pai, moedas, e itens ligados a parentes e conhecidos.

Ele também preserva uma “gaitinha” que pertencia a uma tia que tocava à noite, lembrança que, segundo ele, atravessou a infância e foi a única coisa que pediu quando a família foi dividir os bens.

A narrativa de Amélio mistura memória doméstica com fascínio por história.

Ele cita o último imperador inca Atahualpa e atribui sua morte a Francisco Pizarro, e mantém uma espada como símbolo de defesa, lembrando o costume de casas antigas que deixavam a lâmina ao lado da porta.

Há ainda referências ao Egito, incluindo a ideia de minarete, onde o “muezim” faria alertas com uma corneta, e uma miniatura de pirâmide, que ele compara, em escala, às grandes construções do passado.

Nem tudo ali pretende ser museu, mas tudo pretende ser sinal.

Um sítio chamado Santa Matilde e um castelo que ainda é privado

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O sítio leva o nome Santa Matilde, homenagem à mãe de Amélio, e também abriga uma lembrança do pai, que ele descreve como desbravador, e que hoje, segundo a conta dele, teria 116 anos.

Ao redor do castelo de cinco pavimentos, ele aponta a geografia do Alto Vale do Itajaí, fala do divisor de águas e descreve o caminho que a chuva faria até rios maiores, como quem enxerga o terreno como mapa, não só como paisagem.

Mesmo com tantas curiosidades, o local não é aberto à visitação, pelo menos por enquanto.

Amélio diz que prefere manter o espaço reservado, para ler, conversar e receber amigos, especialmente gente da mesma faixa etária, em encontros em que a memória vira assunto e o tempo vira companhia.

Em Taió, Santa Catarina, a privacidade parece parte do pacto: o castelo de cinco pavimentos existe para lembrar Daís Bianca, não para provar nada a ninguém.

O castelo de cinco pavimentos de Taió, Santa Catarina, não chama atenção só pelo tamanho ou pelos cinco níveis, mas pela lógica que o sustenta: 32 ciprestes, 32 pedras, 16 metros, 64 degraus, e uma sala onde um pai de 82 anos insiste em manter Daís Bianca por perto, ao menos na forma de símbolos.

É um tipo de obra que não resolve o luto, mas muda a maneira de atravessá lo.

Se você pudesse eternizar alguém sem transformar isso em exposição, qual seria o seu caminho, um lugar como esse, um objeto guardado, uma árvore plantada, uma tradição de família? E, olhando para esse castelo de cinco pavimentos, o que te parece mais forte: a arquitetura, os números, ou a ideia de que a memória também pode ser construída com as próprias mãos?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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