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Nem lítio nem água, China aposta no ar líquido e 7 milhões de painéis solares para resolver o problema da energia que some quando o sol se põe, por que comprimir ar é mais barato e durável que fabricar baterias gigantes

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 06/02/2026 às 12:22
Atualizado em 06/02/2026 às 12:23
Nem lítio nem água, China aposta no ar líquido e 7 milhões de painéis solares para resolver o problema da energia que some quando o sol se põe, por que comprimir ar é mais barato e durável que fabricar baterias gigantes
Um megaprojeto da China, no Planalto Tibetano, usa ar líquido para guardar energia, evitar apagões noturnos e transformar o deserto em um dos centros elétricos mais avançados do planeta
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Um megaprojeto da China, no Planalto Tibetano, usa ar líquido para guardar energia, evitar apagões noturnos e transformar o deserto em um dos centros elétricos mais avançados do planeta

Ar líquido é a tecnologia que a China passou a usar, a partir de 2024, para estabilizar a maior usina solar instalada no Planalto Tibetano, no oeste do país, resolvendo um problema histórico das energias renováveis: a falta de eletricidade quando o sol se põe. O sistema funciona ao transformar ar comum em líquido a temperaturas extremas, armazenar energia em tanques criogênicos e devolvê-la à rede elétrica durante a noite, evitando falhas e desperdícios em uma região remota, fria e estratégica.

Na província de Qinghai, onde o Planalto Tibetano encontra o Deserto de Gobi, uma área de 610 quilômetros quadrados mudou completamente de aparência. Sete milhões de painéis solares cobrem o solo, formando o que pesquisadores chineses chamam de mar de silício.

A sombra constante criou um microclima inesperado, capaz de reter umidade e permitir o pastoreio de ovelhas entre as placas fotovoltaicas, algo impossível até poucos anos atrás.

Por que o ar líquido virou a solução para um problema que o lítio não resolve

O avanço das energias solar e eólica trouxe um desafio técnico conhecido. A produção depende do clima e do horário. Quando o sol desaparece no horizonte do Gobi, a geração cai de forma brusca.

Segundo o pesquisador Wang Junjie, do Instituto de Engenharia Elétrica da Academia Chinesa de Ciências, essas fontes são naturalmente intermitentes e exigem sistemas de armazenamento robustos.

Baterias de íon lítio funcionam bem em celulares e carros elétricos, mas em projetos gigantes enfrentam alto custo, desgaste acelerado e dependência de minerais raros.

O ar líquido surge como alternativa porque é abundante, gratuito e não sofre degradação química ao longo do tempo.

Uma análise publicada pela CleanTechnica mostra que o ar, quando liquefeito, pode atingir densidade até 750 vezes maior do que em estado gasoso, permitindo armazenar grandes volumes de energia sem barragens ou relevo específico.

Gigantes brancos no deserto e o maior sistema de ar líquido do planeta

Nos arredores da cidade de Golmud, enormes tanques brancos se destacam na paisagem árida. Eles fazem parte do maior projeto de armazenamento de energia em ar líquido do mundo, conhecido localmente como Super Banco de Energia Aérea.

A instalação pertence à estatal China Green Development Investment Group e entrou em fase final de comissionamento, segundo a agência Xinhua.

O sistema tem potência de 60 megawatts e capacidade de liberar até 600 mil quilowatt hora por ciclo, o suficiente para abastecer dezenas de milhares de residências durante a noite. A fonte Xinhua é mencionada apenas neste ponto como principal referência do projeto.

Como funciona a tecnologia da China que transforma ar em eletricidade sob frio extremo

O processo começa durante o dia, quando a usina solar de 250 megawatts da região produz mais energia do que a rede consome.

Essa eletricidade alimenta compressores que purificam o ar e o resfriam até cerca de menos 194 graus Celsius, temperatura em que o ar se torna líquido.

O calor gerado nessa compressão não é perdido. Ele é armazenado em tanques térmicos para uso posterior.

Quando a demanda cresce ou a geração solar cai, o ar líquido é aquecido. Ao voltar ao estado gasoso, seu volume se expande centenas de vezes, movimentando turbinas que produzem eletricidade novamente. 

Um laboratório energético a três mil metros de altitude

A localização do projeto não é casual. A mais de três mil metros de altitude, o ar frio melhora a eficiência dos painéis solares e reduz custos de resfriamento.

Dados do governo chinês indicam que a eletricidade gerada ali já é cerca de 40 por cento mais barata do que a produzida por carvão.

Além de abastecer cidades, a energia sustenta centros de dados usados em inteligência artificial, aproveitando o clima gelado do planalto para resfriar servidores.

O modelo combina energia solar, eólica, hidrelétrica e agora armazenamento em ar líquido, criando uma rede estável em um dos ambientes mais extremos do planeta.

Ao apostar no ar líquido, a China sinaliza que o futuro da energia não depende apenas de novos painéis, mas de soluções inteligentes para guardar eletricidade.

No silêncio do deserto, entre tanques criogênicos e ovelhas pastando, nasce uma resposta prática para um mundo que precisa de energia limpa dia e noite.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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