Especialistas analisaram sódio, adoçantes e aditivos das principais marcas de refrigerante zero do Brasil e concluíram que Água Tônica Zero e Guaraná Antarctica Zero lideram o ranking, enquanto Coca-Cola Zero e Pepsi Zero ficam atrás por teor de sódio e tipo de adoçante utilizado.
O consumo de refrigerante zero no Brasil cresceu quase 30% em 2024, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas. A busca por alternativas com menos calorias e menor impacto glicêmico impulsionou as vendas, mas especialistas alertam que nenhum refrigerante zero pode ser considerado realmente saudável. A proposta de ser “mais leve” não elimina riscos que vão desde alterações na microbiota intestinal até aumento da pressão arterial por excesso de sódio. O que muda entre as marcas é a intensidade desses riscos.
Quando o critério de avaliação considera teor de sódio, tipo de adoçante e presença de aditivos, o resultado do ranking de refrigerante zero surpreende: nem Coca-Cola Zero nem Pepsi Zero ocupam o topo. As marcas que apresentam o perfil menos prejudicial são a Água Tônica Zero e o Guaraná Antarctica Zero, que utilizam adoçantes considerados mais estáveis, como a sucralose, e têm níveis mais baixos de sódio. Ainda assim, especialistas são enfáticos: a melhor escolha continua sendo água e bebidas naturais. O refrigerante zero é menos ruim, não é bom.
O que os especialistas analisaram para ranquear cada marca de refrigerante zero
A avaliação não se baseou em sabor ou preferência popular. Os critérios técnicos considerados foram o teor de sódio por porção, o tipo de adoçante utilizado na formulação e a presença de aditivos químicos que podem gerar efeitos adversos no organismo.
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O sódio é relevante porque contribui para o aumento da pressão arterial. O tipo de adoçante importa porque diferentes substâncias têm perfis de segurança distintos. E os aditivos entram na conta porque nem todos são inertes no corpo.
Marcas que utilizam aspartame e acessulfame-K tendem a apresentar maior teor de sódio e compostos que levantam preocupações em estudos recentes. A Organização Mundial da Saúde classificou o aspartame como “possivelmente cancerígeno”, o que não significa que cause câncer em doses normais de consumo, mas reforça a necessidade de atenção.
Já a sucralose, presente em marcas como Guaraná Antarctica Zero, é considerada mais estável e com menos controvérsias na literatura científica atual. O ranking de refrigerante zero reflete essas diferenças.
Por que Água Tônica Zero e Guaraná Antarctica Zero lideram o ranking

No topo da avaliação aparecem duas marcas que não são as mais populares nas prateleiras. A Água Tônica Zero e o Guaraná Antarctica Zero apresentam os níveis mais baixos de sódio entre as opções analisadas e utilizam adoçantes considerados mais estáveis pelos especialistas.
A combinação de menor teor de sódio com adoçantes menos controversos posiciona essas marcas como as opções de refrigerante zero com perfil menos prejudicial à saúde.
Isso não significa que essas bebidas sejam saudáveis. Especialistas destacam que mesmo o refrigerante zero mais bem avaliado contém substâncias ácidas que podem prejudicar o esmalte dos dentes e adoçantes artificiais que podem alterar a microbiota intestinal com o consumo frequente.
A diferença entre liderar e ficar por último nesse ranking é a diferença entre “menos arriscado” e “mais arriscado”, não entre “bom” e “ruim”. Nenhum refrigerante zero recebe recomendação irrestrita de consumo por parte de nutricionistas.
Por que Coca-Cola Zero e Pepsi Zero não lideram a lista
As duas marcas mais vendidas do Brasil ficam atrás no ranking por razões técnicas específicas. O perfil de adoçantes utilizado por Coca-Cola Zero e Pepsi Zero inclui substâncias como aspartame e acessulfame-K, que são alvo de debates mais intensos na comunidade científica em comparação com a sucralose.
Além disso, o teor de sódio por porção dessas marcas tende a ser mais elevado do que nas opções que lideram a avaliação.
Para o consumidor que bebe refrigerante zero esporadicamente, a diferença entre as marcas pode não ter impacto perceptível na saúde. Mas para quem consome diariamente, ao longo de meses e anos, a escolha do tipo de adoçante e a quantidade de sódio ingerida se acumulam.
É nesses casos de consumo frequente que o ranking faz mais sentido como ferramenta de decisão. O refrigerante zero que você toma uma vez por semana dificilmente fará diferença. O que você toma todo dia pode fazer.
Os riscos reais que todo refrigerante zero oferece independentemente da marca
Mesmo os primeiros colocados no ranking não escapam de alertas importantes. Pesquisas indicam que adoçantes artificiais podem alterar a composição da microbiota intestinal, o conjunto de microrganismos que habita o sistema digestivo e que influencia desde a digestão até o sistema imunológico.
Desconfortos digestivos como inchaço e gases são relatados por consumidores frequentes de refrigerante zero, e estudos tentam estabelecer se existe relação causal ou apenas associação.
Outro risco documentado é a relação entre o consumo frequente de refrigerante zero e a esteatose hepática, condição conhecida como gordura no fígado, que pode evoluir para quadros graves. Pesquisas com milhares de participantes indicam que substituir refrigerante por água reduz significativamente esses riscos, enquanto a troca entre versões com açúcar e versões zero não apresenta benefícios relevantes.
A mensagem dos especialistas é direta: o refrigerante zero é melhor do que o convencional em calorias, mas não substitui o que o corpo realmente precisa.
O que os especialistas recomendam para quem não consegue largar o refrigerante zero
A recomendação principal é moderação. Nenhum nutricionista recomenda refrigerante zero como bebida de consumo diário, mas muitos reconhecem que ele pode ser uma alternativa pontual para quem está em processo de reduzir o consumo de refrigerante convencional.
A transição de refrigerante com açúcar para refrigerante zero e depois para água e bebidas naturais é uma estratégia que profissionais de saúde consideram realista e eficaz.
Para quem vai continuar consumindo, escolher marcas com menor teor de sódio e adoçantes mais estáveis é uma forma de reduzir riscos sem precisar cortar o hábito de uma vez. A Água Tônica Zero e o Guaraná Antarctica Zero aparecem como opções menos prejudiciais nesse cenário.
Mas a referência final de saúde continua sendo a água. Nenhum ranking de refrigerante zero muda esse fato, por mais que a indústria invista em fórmulas cada vez mais sofisticadas.
Qual refrigerante zero você mais consome? Sabia que o tipo de adoçante e o teor de sódio variam tanto entre as marcas? Deixe nos comentários. Esse é o tipo de informação que muda a forma como a gente olha para o rótulo antes de colocar no carrinho.

Sprite zero é minha preferida. Tem mais s****, mas não tem corante.