A NASA lançou o robô espacial Otter 24C, de 335 kg e tamanho semelhante ao de uma máquina de lavar. Em 2027, ele deverá se aproximar de até quatro objetos fora de serviço para testar inspeções autônomas em órbita.
Um robô espacial de 335 quilos, com dimensões comparáveis às de uma máquina de lavar roupas, já foi lançado ao espaço para uma missão da NASA que pretende levar máquinas autônomas até satélites abandonados e antigos componentes de foguetes. O equipamento, chamado Otter 24C, poderá se aproximar de até quatro objetos fora de serviço, examinar suas condições e executar manobras controladas por câmeras, sensores e sistemas de navegação embarcados.
A nave deixou a Terra em 1º de outubro de 2026, a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX, lançado da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia. Em 8 de outubro, a NASA apresentou novos detalhes da missão SSPICY, que pretende iniciar as inspeções no começo de 2027. O objetivo é testar tecnologias capazes de preparar o caminho para futuras operações de manutenção e remoção de lixo espacial, um problema que cresce conforme mais satélites são colocados em órbita.
Robô de 335 quilos foi lançado pela SpaceX e terá dois anos para demonstrar uma nova tecnologia espacial
O Otter 24C foi construído pela empresa norte-americana Starfish Space, de Seattle, e integra a missão Small Spacecraft Propulsion and Inspection Capability, conhecida pela sigla SSPICY. A iniciativa é financiada e gerenciada pela NASA para desenvolver a capacidade de examinar equipamentos espaciais que deixaram de funcionar.
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O lançamento ocorreu na missão Transporter-18, operação compartilhada da SpaceX que transportou 130 cargas espaciais, incluindo pequenos satélites, equipamentos científicos e veículos destinados a outras atividades orbitais. A utilização de um lançamento compartilhado permite colocar diferentes cargas no espaço sem contratar um foguete exclusivo para cada projeto.

Vídeo original do lançamento: Assista à gravação da missão Transporter-18 no site oficial da SpaceX.
Depois de alcançar a órbita, o Otter entrou na fase de preparação para suas futuras aproximações. A missão tem duração prevista de aproximadamente dois anos, período em que a nave deverá demonstrar seus sistemas de propulsão, navegação autônoma e inspeção visual.
As inspeções previstas pela NASA envolvem objetos norte-americanos que já não prestam serviços, incluindo satélites e corpos de foguetes. A seleção dos alvos considera a posição orbital, o tamanho e a possibilidade de o robô alcançá-los com segurança.
Máquina espacial usará câmeras e navegação autônoma para se aproximar de objetos abandonados sem depender de comandos constantes da Terra
A parte mais complexa da missão começará quando o Otter tiver de se aproximar de objetos que não foram construídos para receber visitas de outras espaçonaves. Um satélite fora de serviço pode estar girando, apresentar danos ou ter uma orientação desconhecida.
Para enfrentar essas condições, o equipamento utiliza câmeras e sensores que ajudam a calcular a posição, a velocidade relativa e o movimento dos objetos. O sistema CETACEAN reúne informações de navegação, enquanto o CEPHALOPOD utiliza esses dados para decidir como a aproximação deve prosseguir.
Enquanto um conjunto de programas permite ao robô identificar e acompanhar um alvo, outro calcula os movimentos necessários para se aproximar e também as condições que exigiriam a interrupção de uma manobra.
A NASA pretende que o equipamento chegue a uma distância de algumas centenas de metrosdos objetos selecionados. Durante essas aproximações, deverá examinar suas superfícies, identificar a orientação e registrar informações sobre o movimento de rotação.
O desafio será executar essas operações com pouca interferência dos controladores terrestres. Como os alvos não estão preparados para colaborar com uma inspeção, o próprio Otter precisará avaliar continuamente as condições ao redor.
Robô carrega braço articulado capaz de mudar a direção dos motores e realizar manobras precisas entre diferentes órbitas
Além dos sistemas de visão computacional, o Otter incorpora uma estrutura robótica articulada chamada Manta, projetada para alterar a orientação do empuxo de seus propulsores. O mecanismo possui múltiplas articulações e oferece seis graus de liberdade, permitindo diferentes ajustes de posição e orientação.
A propulsão elétrica fornece o deslocamento entre as regiões de interesse. Esse tipo de motor utiliza uma quantidade relativamente pequena de propelente e produz empuxo reduzido durante períodos prolongados, característica útil para viagens e correções orbitais planejadas com antecedência.
Na Terra, mudar a direção de um veículo é uma operação relativamente simples. Em órbita, o robô e os objetos ao redor se deslocam a velocidades de milhares de quilômetros por hora, e qualquer aproximação exige cálculos rigorosos de velocidade e posição relativas.
O Otter também conta com o mecanismo Nautilus, desenvolvido para permitir futuras conexões com satélites que não possuem estruturas especiais de acoplamento. Entretanto, a missão SSPICY foi planejada para realizar inspeções sem contato físico. O equipamento não vai capturar, consertar ou retirar satélites de órbita nesta demonstração.
NASA investiu US$ 15 milhões no projeto para desenvolver inspeções comerciais e futuras operações de manutenção no espaço
A parceria foi anunciada em setembro de 2024, quando a NASA destinou US$ 15 milhões, distribuídos ao longo de três anos, à Starfish Space para executar a missão. O financiamento faz parte do programa norte-americano de incentivo à inovação em pequenas empresas, conhecido como SBIR.
A Starfish Space já vinha desenvolvendo sistemas para aproximar espaçonaves, realizar conexões com satélites e prolongar a vida útil de equipamentos orbitais. O Otter 24C representa a passagem de trabalhos experimentais anteriores para uma plataforma maior, destinada a uma operação financiada pela agência espacial.
Uma inspeção próxima pode revelar danos na estrutura, alterações na superfície, condições de rotação e outros detalhes que observações feitas da Terra não conseguem esclarecer com a mesma proximidade. Essas informações poderão ajudar engenheiros a determinar se um equipamento poderia ser recuperado ou se seria necessário planejar sua retirada da órbita.
Satélites abandonados podem colidir e produzir milhares de fragmentos capazes de ameaçar novas missões
A preocupação da NASA envolve a quantidade crescente de objetos artificiais ao redor da Terra. Satélites de comunicação, navegação, observação ambiental e pesquisa compartilham regiões orbitais com foguetes desativados, equipamentos sem controle e fragmentos produzidos por colisões.
Mesmo um objeto relativamente pequeno pode representar perigo quando se desloca em velocidade orbital. Uma colisão entre equipamentos maiores pode criar fragmentos adicionais, ampliando as dificuldades de operação para outros satélites.
O problema também interessa ao Brasil. Satélites são fundamentais para telecomunicações, previsão meteorológica, monitoramento ambiental, agricultura e serviços de navegação utilizados diariamente no país. A infraestrutura orbital precisa permanecer segura para que esses serviços continuem funcionando.
Inspeções começam em 2027 e poderão abrir caminho para robôs que consertam satélites sem trazer os equipamentos de volta à Terra
A NASA pretende iniciar as primeiras aproximações do Otter 24C no começo de 2027, após os procedimentos de verificação dos sistemas em órbita. Durante as operações, o robô deverá demonstrar a integração de propulsão elétrica, sensores, câmeras, navegação autônoma e controle de movimentos.
Os dados obtidos permitirão avaliar o comportamento da tecnologia diante de objetos com diferentes formatos, velocidades de rotação e condições estruturais. A Starfish Space também desenvolve aplicações comerciais capazes de estender a vida útil de satélites e realizar operações de descarte.
Se os testes previstos forem concluídos, a missão fornecerá informações para desenvolver robôs que consigam visitar equipamentos espaciais, avaliar danos e preparar operações de recuperação ou retirada de serviço.
Por enquanto, o marco confirmado é o lançamento de uma máquina de 335 quilos equipada para procurar e examinar objetos abandonados. O passo decisivo ocorrerá em 2027, quando o robô deverá demonstrar sua capacidade de chegar perto deles e coletar informações sem contato físico.
Você acredita que robôs espaciais deveriam ser utilizados para retirar satélites abandonados antes que provoquem acidentes em órbita? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem.
