Astrônomos identificaram sinais de um possível planeta formado com material expelido por uma estrela em sua fase final. A análise combina composição química incomum e variações de brilho observadas perto de uma anã branca jovem.
Astrônomos identificaram indícios de um planeta de segunda geração próximo à anã branca HS 0209+0832. A composição química do material absorvido pela estrela sugere que o possível mundo nasceu de matéria expelida durante sua evolução.
Segundo a Sci.News, que divulgou os resultados em 7 de outubro, o sistema fica a 270 anos-luz da Terra, na constelação de Cetus. A pesquisa foi liderada por Jamie Williams, da Universidade de Warwick.
O estudo publicado na Nature Astronomy em 5 de outubro de 2026 descreve um candidato a planeta gigante cuja atmosfera estaria escapando e alimentando a anã branca. A interpretação combina análises químicas com uma variação periódica de brilho.
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Nióbio revela composição incomum
Anãs brancas são remanescentes densos de estrelas semelhantes ao Sol. Muitas apresentam metais em suas atmosferas porque absorvem fragmentos de asteroides e outros corpos rochosos. Em geral, esse material se parece com objetos do Sistema Solar.
Neste caso, os pesquisadores encontraram uma combinação diferente. O nióbio apresenta abundância relativa mais de mil vezes superior à solar. A equipe também examinou outras 33 anãs brancas contaminadas por metais, sem detectar esse elemento.
O material absorvido contém mais níquel que ferro, numa proporção superior a dois para um. Na Terra e em meteoritos primitivos usados na comparação, o ferro predomina. Nenhum dos materiais comparados apresentou composição equivalente.
Dados antigos ganharam nova análise
As pistas começaram com observações do Hubble feitas em 1999. O espectro ultravioleta revelou metais, mas cerca de cem linhas permaneceram sem identificação. A origem da matéria externa que chegava à estrela continuava sem explicação.
A equipe reanalisou registros do Hubble, do observatório FUSE e do instrumento UVES, instalado no Very Large Telescope. Utilizou informações do Pan-STARRS e do satélite Gaia. Muitas linhas antes desconhecidas foram associadas a cobre e nióbio.
Material estelar pode formar outro planeta
A hipótese é que ventos da estrela, durante sua fase de gigante, tenham fornecido matéria para um disco. Nesse ambiente, enriquecido em carbono e elementos produzidos por captura lenta de nêutrons, um planeta poderia crescer.
O satélite TESS detectou uma oscilação de brilho com período próximo de 4,4 dias. Os autores consideram o sinal compatível com um gigante em órbita próxima, a aproximadamente 0,04 unidade astronômica da anã branca.
Sinal de brilho ainda exige explicação
Nas informações suplementares, os pesquisadores esclarecem que o TESS não detectou trânsitos do candidato. Também discutem possíveis variações na própria estrela, embora o período observado seja maior que os períodos de rotação mais comuns dessas estrelas.
Uma possibilidade envolve um planeta jovem com névoa espessa no lado diurno e atmosfera mais transparente no noturno. Outra interpretação associa a variação a uma cauda de material perdido pelo gigante, passando pela linha de visão.
A origem do núcleo também permanece incerta. Um planeta anterior poderia ter adquirido uma nova atmosfera no disco. Os autores afirmam que modelos poderão investigar essa alternativa; medir a composição interna do candidato seria difícil.
