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Na vila de Jukkasjärvi, o inverno transforma o rio Torne em matéria-prima e artistas criam o Icehotel, um hotel feito de gelo que recebe hóspedes a menos 5 °C e derrete na primavera, num ciclo que devolve a construção à natureza

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 22/06/2026 às 17:16
Atualizado em 22/06/2026 às 17:18
Hotel de gelo na Suécia derrete na primavera e renasce a cada inverno
Hotel de gelo na Suécia derrete na primavera e renasce a cada inverno.
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No norte da Suécia, o Icehotel transforma frio extremo, arte e engenharia em uma hospedagem que dura poucos meses antes de derreter e retornar ao rio

Um dos hotéis mais curiosos do mundo fica em Jukkasjärvi, no norte da Suécia, perto de Kiruna e acima do Círculo Polar Ártico. O Icehotel é construído com neve e gelo, recebe hóspedes durante o inverno e, quando a primavera chega, parte da estrutura derrete e volta para o rio Torne.

A ideia parece saída de uma obra de ficção, mas funciona há mais de três décadas. De acordo com o Icehotel, o projeto nasceu em 1989 e se tornou uma mistura de hotel, galeria de arte e experiência turística no Ártico.

O que torna o lugar diferente não é apenas dormir em um quarto de gelo. A cada temporada, artistas de vários países criam novas suítes, corredores, esculturas e ambientes, fazendo com que o hotel nunca seja exatamente igual ao ano anterior.

O hotel de gelo que não tenta vencer a natureza, mas acompanha o ciclo dela

Icehotel sazonal funciona como uma construção temporária
Icehotel sazonal funciona como uma construção temporária. (Foto: @icehotelsweden)

O Icehotel sazonal funciona como uma construção temporária. Durante o inverno, blocos de gelo retirados do rio Torne e uma mistura de neve com gelo, chamada de “snice”, são usados para erguer paredes, quartos e salões.

Quando o frio perde força, o hotel não é desmontado como uma estrutura comum. Ele simplesmente entra no ciclo natural da região, derrete aos poucos e devolve sua água ao mesmo rio de onde o gelo foi retirado.

Esse detalhe ajuda a explicar por que o projeto chama tanta atenção. Em vez de esconder a fragilidade da construção, o hotel faz dela sua principal marca. A obra nasce sabendo que vai desaparecer, e justamente por isso precisa ser recriada todos os anos.

Segundo informações do Visit Sweden, o Icehotel fica a cerca de 200 quilômetros ao norte do Círculo Polar Ártico. A região tem longos períodos de frio intenso, noites prolongadas no inverno e paisagens que favorecem atividades como observação da aurora boreal, passeios na neve e experiências culturais ligadas à Lapônia sueca.

Como blocos de até duas toneladas viram quartos, camas e esculturas

A construção começa antes da abertura ao público. O gelo do rio Torne é colhido em grandes blocos, armazenado em ambiente frio e usado depois na montagem da nova edição do hotel.

blocos de até duas toneladas viram quartos
Foto: @icehotelsweden

De acordo com o site oficial do Icehotel, alguns blocos podem pesar até duas toneladas. Esse gelo é considerado um material valioso para os artistas porque apresenta transparência e textura adequadas para esculturas, paredes decorativas e detalhes internos.

A estrutura não é apenas um abrigo gelado. Ela inclui quartos, suítes artísticas, corredores, áreas comuns e até bar, onde os copos também podem ser feitos de gelo. Nas suítes, os visitantes dormem em camas preparadas com peles de rena e sacos de dormir térmicos.

A temperatura interna costuma ficar em torno de menos 5 °C, suficiente para conservar o ambiente congelado, mas controlada para permitir a permanência dos hóspedes com roupas e equipamentos adequados. Por isso, a experiência é planejada como uma noite de aventura, não como uma estadia convencional.

Cada quarto muda porque os artistas também mudam

Icehotel não se repete porque a proposta vai além da hotelaria
Icehotel não se repete porque a proposta vai além da hotelaria. (Foto: @icehotelsweden)

O Icehotel não se repete porque a proposta vai além da hotelaria. Todos os anos, artistas, arquitetos e designers apresentam ideias para transformar gelo e neve em ambientes novos.

Como informou o Swedish Lapland, Jukkasjärvi se tornou um ícone turístico justamente por unir uma ideia simples a uma execução incomum. A vila, que antes dependia muito mais das atividades locais e do turismo de verão, passou a atrair visitantes interessados em viver uma experiência rara no inverno.

Na prática, cada quarto funciona como uma instalação artística. Um hóspede pode dormir em uma suíte inspirada em formas naturais, outro pode encontrar esculturas abstratas, figuras mitológicas, animais ou efeitos de luz criados especialmente para aquela temporada.

Essa renovação constante é uma das chaves do sucesso. Quem visita o Icehotel em um ano não encontra exatamente o mesmo cenário no ano seguinte. O hotel se vende como experiência, mas também como obra passageira.

A versão que derrete convive com um hotel de gelo permanente

O modelo mais famoso continua sendo o hotel de inverno, aberto geralmente entre dezembro e abril. Nessa versão, a estrutura sazonal vive apenas alguns meses antes de derreter.

Mas o projeto ganhou uma expansão importante com o Icehotel 365, uma área permanente inaugurada em 2016. Ela permite que visitantes durmam em ambientes de gelo durante todo o ano, mesmo fora da temporada mais fria.

Essa versão permanente tem 2.100 metros quadrados, suítes de arte, suítes deluxe, bar de gelo e espaços de exposição. Para manter o frio nos meses mais quentes, o Icehotel 365 usa tecnologia de refrigeração e energia captada por painéis solares durante o período do sol da meia-noite.

A solução chama atenção porque parece contraditória à primeira vista. Em uma região onde o verão tem longos períodos de luz, a energia solar ajuda a manter uma parte do hotel congelada, permitindo que a experiência do gelo continue mesmo quando o hotel sazonal já desapareceu.

Você teria coragem de passar uma noite em um quarto feito de gelo, dormindo a menos 5 °C, ou acha que essa experiência combina mais com visita rápida do que com hospedagem? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse tipo de turismo extremo entraria na sua lista de viagens.

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Geovane Souza

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