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Depois de encontrar poucos especialistas e orçamentos considerados astronômicos no Brasil, casal aprende construção pela internet e monta casa sobre rodas de 27 m² por R$ 180 mil

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 22/06/2026 às 18:21
Atualizado em 22/06/2026 às 18:23
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Robson Lunardi e Bel Albornoz deixaram uma casa convencional na Grande São Paulo para apostar em uma moradia compacta de 27 m² sobre rodas, construída com estudo, cursos online, soluções inteligentes de espaço e custo total de R$ 180 mil.
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Robson Lunardi e Bel Albornoz deixaram uma casa convencional na Grande São Paulo para apostar em uma moradia compacta de 27 m² sobre rodas, construída com estudo, cursos online, soluções inteligentes de espaço e custo total de R$ 180 mil.

Robson Lunardi e Isabel Albornoz, também chamada de Bel, não eram engenheiros, arquitetos nem profissionais da construção civil. Mesmo assim, depois de viverem em uma casa convencional de mais de 160 m² na Grande São Paulo, decidiram construir uma tiny house de 27 m² sobre rodas.

O projeto, chamado Araraúna, custou R$ 180 mil, segundo informações do UOL Nossa e da Tiny Houses Brasil. Mais do que uma casa pequena, a construção virou símbolo de uma saída pouco comum: aprender com cursos online, estudar o movimento no exterior e colocar a mão na massa diante da falta de profissionais especializados.

De uma casa de 160 m² para uma moradia de 27 m²

A casa sobre rodas Araraúna tem apenas 27 m², mas reúne dois quartos, sala, cozinha, banheiro seco e soluções planejadas para transformar cada centímetro em área útil.
A casa sobre rodas Araraúna tem apenas 27 m², mas reúne dois quartos, sala, cozinha, banheiro seco e soluções planejadas para transformar cada centímetro em área útil.

A mudança começou antes da obra. De acordo com o UOL Nossa, Robson trabalhava como estatístico no setor financeiro, enquanto Isabel atuava na área de turismo, viagens e hotelaria.

A busca por minimalismo levou o casal ao universo das tiny houses, casas compactas que ficaram populares nos Estados Unidos e unem mobilidade, funcionalidade e redução de excessos.

No caso de Robson e Bel, a ideia não era só morar em menos espaço. Era construir uma casa real, com sala, cozinha, banheiro, escritório e dois quartos, mas dentro de 27 m², sobre um chassi com rodas.

Cursos online viraram ferramenta de obra

Segundo a Tiny Houses Brasil, o casal voltou ao país depois de conhecer o movimento tiny house nos Estados Unidos e percebeu uma barreira prática: havia poucos profissionais especializados no Brasil, e os orçamentos encontrados eram considerados astronômicos.

A saída foi aprender. Robson e Isabel recorreram a cursos online, pesquisa, prática e ferramentas digitais de projeto, como o SketchUp. A tiny house começou a ser pensada desde o chassi até a estrutura, com erros, correções e adaptação à realidade brasileira.

A Araraúna nasceu da combinação entre estudo, planejamento e trabalho manual.

A tiny house de R$ 180 mil sobre rodas

A casa Araraúna tem 8,20 m de comprimento, 2,60 m de largura, 4,40 m de altura e peso aproximado de 6 toneladas. O valor divulgado foi de R$ 180 mil.

A estrutura foi feita em steel frame, com paredes em cinco camadas para melhorar o isolamento térmico e acústico. O projeto também incluiu soluções de água e energia, com possibilidade de funcionamento conectado à rede ou em formato off-grid.

Dentro da casa, cada centímetro precisou trabalhar a favor da família. O UOL Nossa descreve escada-armário, sofá modular com compartimentos, mesa escondida, tábua de passar retrátil, escada-banco, nove janelas para iluminação natural e banheiro seco.

Depois de viver em uma casa de mais de 160 m² na Grande São Paulo, o casal apostou em uma casa sobre rodas de 27 m², feita com cursos online, pesquisa e trabalho manual.
Depois de viver em uma casa de mais de 160 m² na Grande São Paulo, o casal apostou em uma casa sobre rodas de 27 m², feita com cursos online, pesquisa e trabalho manual.

Obra própria, mas não improvisada

O QuintoAndar reforça que Robson e Isabel construíram a Araraúna com as próprias mãos, quase sozinhos, contando apenas com ajudas pontuais ao longo do processo.

A obra durou cerca de um ano e três meses no calendário. Robson estimou ao QuintoAndar que, somando as horas reais de trabalho, o processo equivaleria a aproximadamente sete meses com duas pessoas trabalhando.

Esse detalhe muda a leitura da história. Não foi uma solução rápida nem improvisada. Foi uma obra longa, planejada e cheia de etapas.

Legalização mostra que tiny house não é só casa pequena

Um dos pontos mais importantes da história é a legalização. A Tiny Houses Brasil afirma que uma tiny house de verdade não deve ser tratada apenas como uma casinha menor. O projeto precisa considerar conforto, ergonomia, ventilação, isolamento, materiais, layout, peso e uso real.

No caso das casas sobre rodas, o desafio cresce. É preciso pensar em chassi, eixo, freios, centro de massa, dimensões e segurança viária. A Resolução CONTRAN nº 882/2021, publicada no Diário Oficial da União, estabelece limites como 2,60 m de largura e 4,40 m de altura.

Se a construção ultrapassa limites ou nasce sem cálculo adequado, pode se tornar difícil de transportar legalmente. Por isso, a Araraúna chama atenção não só pelo tamanho, mas pela tentativa de adaptar o conceito ao Brasil.

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De projeto familiar a referência nacional

A história de Robson e Bel ultrapassou a casa. O casal passou a documentar o processo no projeto Pés Descalços e, depois, a experiência ajudou a alimentar a atuação da Tiny Houses Brasil e do movimento tiny house no país.

O Metrópoles também registrou a família viajando pelo Brasil com a minicasa de 27 m², reforçando o lado prático da proposta: uma moradia compacta, funcional e pensada para deslocamento.

A Araraúna mostra que o sonho da casa própria pode ganhar formatos diferentes quando custo, espaço, mobilidade e estilo de vida entram na mesma conta. O caso não elimina a necessidade de técnica, segurança e legalização, mas revela algo maior: quando o mercado ainda não oferece respostas acessíveis ou especializadas, algumas famílias começam a construir o próprio caminho, literalmente.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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