Taxistas de Kandahar improvisam aparelhos de ar-condicionado no teto dos carros para suportar temperaturas acima de 40 °C e agradam passageiros.
Taxis no Afeganistão estão chamando atenção. Não pela velocidade, mas pela forma de enfrentar o calor intenso. Em Kandahar, onde as temperaturas passam de 40 °C, motoristas estão instalando aparelhos de ar-condicionado caseiros no teto dos veículos.
Usando tambores plásticos, tubos de ventilação e fita adesiva, eles criam sistemas que, apesar de simples, funcionam.
O mais importante é que essa solução leva frescor para todo o interior do carro. Para os taxistas locais, o sistema supera os ares-condicionados convencionais.
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Eles explicam que um ar-condicionado normal resfria apenas a parte da frente, enquanto o cooler improvisado distribui o ar por todo o carro.
Funcionamento e manutenção
A instalação é feita manualmente, com a ajuda de assistentes. Um deles sobe no teto para posicionar o tambor, enquanto outro fixa a saída de ar na janela usando canos. A aparência pode parecer estranha, mas a eficiência compensa.
O custo de operação é baixo, mas exige um cuidado diário: abastecer o reservatório com água duas vezes por dia.
Essa é a única manutenção necessária para manter o sistema funcionando durante o calor extremo.
Personalização e custo
Outros motoristas optaram por um modelo personalizado. Custa 3 mil afeganes — cerca de 43 dólares — para ter um cooler feito sob medida por um técnico local.
A decisão veio depois de problemas recorrentes com o ar-condicionado do carro, cujo conserto era caro e pouco duradouro.
O investimento vale a pena. O aparelho mantém o carro fresco e evita gastos frequentes com manutenção de sistemas tradicionais.
Aprovado pelos passageiros
Passageiros também aprovam a novidade. Muitos dizem que viajar sem um sistema de resfriamento é insuportável.
Um deles relata que carrega sempre um remédio contra o calor após precisar de soro intravenoso por uma doença causada pela alta temperatura.
Para esses usuários, a iniciativa dos motoristas ajuda a enfrentar um problema real. Eles destacam que a instalação dos coolers melhora a experiência da viagem e reduz riscos à saúde.
Técnicos confirmam evolução
De acordo com técnicos locais, a prática não é recente. Há cerca de dois a três anos, taxistas começaram a buscar essas soluções alternativas.
No início, eram usados pequenos coolers improvisados a partir de tambores, mas, com o tempo, os modelos se tornaram mais sofisticados e eficientes.
Hoje, há sistemas mais robustos, projetados para resfriar melhor e resistir por mais tempo. Essa evolução veio da experiência e da demanda crescente durante os verões cada vez mais quentes.
Contexto climático
O Afeganistão registrou neste ano a primavera mais quente da sua história.
A situação se agrava com a seca severa, que afeta plantações e meios de subsistência rurais. A ONU alerta que a crise climática atingirá o país de forma mais intensa que a maioria das nações.
No entanto, desde a tomada de poder pelo Talibã em 2021, o país está fora das negociações climáticas da ONU.
Isso significa que enfrenta o problema sem espaço para participar das discussões globais e sem acesso direto a possíveis soluções internacionais.
Inovação e isolamento
Portanto, essa adaptação dos motoristas é mais que um truque engenhoso. Representa também a luta de uma população que enfrenta condições extremas com recursos limitados.
É um símbolo de criatividade diante da necessidade, mas também um reflexo do isolamento político e econômico do país.
Enquanto o mundo discute tecnologia e investimentos verdes, em Kandahar, a batalha contra o calor é vencida com tambores plásticos, tubos e fita adesiva.
Um exemplo claro de como a inovação pode nascer da urgência — mesmo nos cenários mais desafiadores.
