Moradores do Norte de Santa Catarina investem na construção de bunkers com estoque de alimentos para mais de um ano, energia solar com baterias e internet via satélite, em projetos de concreto armado com cobertura vegetal que combinam autossuficiência alimentar e energética para enfrentar cenários de crise como desastres naturais.
Moradores de Santa Catarina estão levando a preparação para cenários extremos a outro patamar ao construir bunkers em propriedades rurais no Norte do estado, estruturas que vão muito além de um porão reforçado e que funcionam como sistemas completos de sobrevivência autônoma. Em Joinville, o empresário André Luiz ergueu do zero um bunker em meio à mata utilizando concreto e ferro, projeto dimensionado para suportar situações extremas que incluem desde desastres naturais até cenários de conflito, e que receberá cobertura vegetal na superfície para tornar a estrutura invisível a drones e aeronaves que sobrevoem a região. Dentro dos bunkers, André armazena polenta, macarrão, feijão, açúcar e outros alimentos não perecíveis que garantem subsistência por período prolongado sem necessidade de ressuprimento externo.
O caso de Joinville não é isolado. Em São Bento do Sul, Sandro Gilberto Jankoski dedicou mais de uma década à construção de um bunker em sua propriedade rural, espaço projetado para manter temperatura estável durante todo o ano e que abriga estoques de arroz, feijão, trigo, sal e sementes para cultivo futuro, além de contar com energia solar armazenada em baterias e internet via satélite. Segundo Sandro, a estrutura permitiria viver isolado por mais de um ano em caso de crise, e ele já testou a eficácia do armazenamento: “Esses tempos eu terminei um arroz que eu tinha guardado desde 2011”, relatou, demonstrando que as condições internas dos bunkers conservam alimentos por períodos que superam em muito o prazo de validade convencional.
O que há dentro dos bunkers construídos em Santa Catarina

Os bunkers do Norte catarinense não são buracos improvisados no chão. A estrutura de André Luiz em Joinville foi construída com concreto armado e ferro, materiais escolhidos pela resistência a impactos, pressão do solo e variações climáticas, e o projeto inclui cobertura vegetal que faz a superfície do bunker se confundir com o terreno natural ao redor, medida que o empresário considera essencial para evitar que a localização seja identificada por equipamentos aéreos. André documenta o processo nas redes sociais, onde já publicou vídeos mostrando tanto a construção quanto o uso cotidiano do espaço, incluindo o preparo de refeições com os alimentos estocados nos bunkers.
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O bunker de Sandro em São Bento do Sul tem abordagem mais voltada à sustentabilidade de longo prazo. Além dos estoques de alimentos secos e sementes para plantio futuro, a propriedade conta com painéis solares que alimentam baterias capazes de fornecer energia elétrica independente da rede pública, e a internet via satélite garante comunicação mesmo que a infraestrutura terrestre de telecomunicações seja comprometida. O ambiente subterrâneo dos bunkers mantém temperatura agradável e escuridão constante, condições que Sandro aponta como ideais para conservação de alimentos: a ausência de luz e calor retarda a degradação de grãos e farinhas por anos além do que prateleiras de supermercado permitem.
Por que moradores de Santa Catarina estão construindo bunkers
A motivação dos construtores de bunkers no Norte catarinense combina pragmatismo com visão de mundo que prioriza autonomia. Sandro explica que sua estrutura foi pensada para garantir autonomia diante de situações como desastres naturais, crises econômicas ou dificuldades de abastecimento, cenários que para moradores de uma região frequentemente atingida por enchentes, deslizamentos e tempestades não são hipotéticos: são eventos que já ocorreram e que podem se repetir com intensidade crescente. Santa Catarina acumula histórico de desastres que desabasteceram cidades inteiras por semanas, e quem viveu essas experiências entende por que alguém dedicaria anos e recursos à construção de bunkers que garantam independência quando o sistema falha.
André Luiz vai além dos desastres naturais e projeta seus bunkers para resistir a situações de conflito extremo. A decisão de dimensionar a estrutura para suportar ataques nucleares e de camuflá-la contra drones reflete preocupação com cenários geopolíticos que, embora pareçam distantes da realidade catarinense, fazem parte do cálculo de quem constrói bunkers como forma de seguro existencial contra o imprevisível. Para esses construtores, o investimento em estrutura subterrânea não é paranoia: é preparação que esperam nunca precisar usar, mas que preferem ter disponível do que se arrepender por não ter construído.
Como funciona a autossuficiência alimentar e energética dos bunkers
A estratégia de sobrevivência nos bunkers se sustenta em três pilares: alimento, energia e água. Os estoques de comida priorizam itens de longa duração como arroz, feijão, trigo, sal, açúcar, macarrão e polenta, produtos que em condições adequadas de temperatura e umidade conservam propriedades nutricionais por anos, e as sementes armazenadas permitem que os ocupantes dos bunkers iniciem cultivo próprio quando as condições externas se estabilizarem. A lógica é sobreviver com o estoque enquanto a crise dura e reconstruir capacidade produtiva quando ela passa.
A energia solar com armazenamento em baterias resolve a questão elétrica sem dependência da rede. Os painéis instalados nas propriedades onde ficam os bunkers captam energia durante o dia e a armazenam para uso noturno e em dias nublados, sistema que alimenta iluminação interna, equipamentos de comunicação e ferramentas essenciais sem consumir combustível fóssil que teria disponibilidade limitada num cenário de crise. A internet via satélite complementa o sistema ao garantir que os ocupantes dos bunkers mantenham contato com o mundo exterior e acessem informações sobre a evolução da situação que os levou ao isolamento, capacidade que abrigos construídos décadas atrás não possuíam.
O que a construção de bunkers em Santa Catarina revela sobre o momento atual
O fenômeno dos bunkers no Norte catarinense é parte de movimento mais amplo que cresce no Brasil e no mundo. A combinação entre mudanças climáticas que intensificam desastres naturais, instabilidade geopolítica que alimenta temor de conflitos e fragilidades nas cadeias de abastecimento expostas durante a pandemia criou ambiente em que a ideia de autossuficiência deixou de ser exclusividade de grupos marginais e passou a atrair empresários, profissionais liberais e famílias que encaram os bunkers como extensão lógica de um plano de contingência pessoal. Em Santa Catarina, estado que combina vulnerabilidade a eventos climáticos severos com cultura de iniciativa individual, o terreno é fértil para esse tipo de investimento.
Os bunkers de André e Sandro representam extremos diferentes de um mesmo impulso. André constrói para o pior cenário imaginável e projeta contra ameaças militares; Sandro constrói para crises civis e prioriza sustentabilidade agrícola de longo prazo. O que ambos compartilham é a convicção de que depender exclusivamente de sistemas públicos e cadeias de suprimento centralizadas é risco que pode ser mitigado com preparação individual, e seus bunkers são a materialização concreta dessa filosofia.
E você, construiria um bunker se tivesse condições? Acha exagero ou preparação inteligente? Deixe sua opinião nos comentários.

Eu apoio. Que todos os bolsonaristas construam seu bunker e passem a viver lá dentro. O Brasil agradece
Seria sigiliso ja nao e mais…entao sao 2 exibidos sem noção…querem faser a diferenca..mas se fossem tao sabios ficariam calados.e também nada e industrutivel..se Deus quiser que nunca haja. Mas um dilúvio acabaria com tudo..
Um terremoto também acabaria com tudo. Entretanto, se a pessoa tiver dinheiro sobrando e quiser se divertir, pode fazer um esconderijo do apocalipse! Tenho uma grande montanha na minha terra em Minas Gerais, e se ganhar na loteria, vou construir um bunker dentro dela! Afinal, sonhar é grátis!
Um divulga o nome e ainda posta vídeos na internet. O outro tem conexão via SATÉLITE de internet. Se a ideia do bunker é não ser localizado em nenhuma hipótese, ambos falharam.